"Me espantei com os ataques", afirma Mônica Waldvogel sobre críticas de Lula à imprensa

"Me espantei com os ataques", afirma Mônica Waldvogel sobre críticas de Lula à imprensa

Atualizado em 23/09/2010 às 18:09, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

Por Por ocasião do aniversário de 23 anos da Revista IMPRENSA , a jornalista Mônica Waldvogel participou, na noite da última quarta-feira (22), de debate promovido pela publicação, em São Paulo (SP), que questionou a perspectiva de um futuro sem a atividade jornalística.
Divulgação
Mônica Waldvogel

Atualmente na Globo News e GNT, Mônica discutiu o futuro do fazer jornalístico ao lado dos também jornalistas Eugênio Bucci e Sandro Vaia. O encontro foi mediado por Rodrigo Manzano, diretor-editorial da IMPRENSA Editorial.
Em entrevista à reportagem antes do evento principal, a jornalista pontuou sua surpresa com o comportamento do governo diante dos últimos escândalos políticos, sobretudo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, segundo lembrou a jornalista, serviu-se da liberdade de imprensa para se projetar como líder.
"Confesso que me espantei com a virulência dos ataques, especialmente em um quadro em que tudo é favorável ao governo Lula. (...) Portanto, para quê ter tanta irritação com a imprensa e com suas vozes dissonantes sobre aquilo que o governo tem de defeituoso?", questionou a jornalista.
O modo incisivo como o presidente ataca a imprensa mostra, segundo Mônica, uma contradição em seu discurso gerada pelo estresse da corrida eleitoral; não pelas interpretações reais de Lula em relação à mídia.
"Eu quero atribuir isso tudo ao calor da disputa eleitoral. Por que, se isso não for verdade, se houver um projeto, uma agenda secreta de criar freios à liberdade de expressão, então a gente vai ter que voltar para militância política", brincou.
O futuro do Jornalismo e as novas mídias
Parafraseando Steve Jobs, CEO da Apple, Mônica observou que a expansão das mídias sociais e do acesso à informação são proporcionais à necessidade de jornalismo qualificado e de edição minuciosa.
"O jornalismo é uma técnica. Os jornalistas treinam durante uma vida inteira para distinguir o que é notícia, o que é relevante. E os editores sabem perfeitamente como dar relevância e hierarquizar os assuntos. E eu vejo que isso é cada vez mais necessário", disse a jornalista.
Apesar de bem-dizer a contribuição das mídias sociais para a necessidade de um Jornalismo mais qualificado e analítico, a jornalista confessou que a proximidade com o leitor ainda lhe causa espanto, sobretudo nas ocasiões em que é insultada.
"O que eu não me acostumei, até hoje, e que me incomoda muito, e eu não sei lidar, é com o insulto. O problema é que há uma quantidade muito grande de pessoas que não fazem a crítica; que realmente ofendem, e jogam baixo de uma maneira assustadora", disse.

Leia mais