"Me condena a 30 anos porque 10 é pouco", diz assassino de cartunista em interrogatório

Na última terça-feira (25/8), Eduardo Sundfeld Nunes, conhecido como Cadu, assassino confesso do cartunista Glauco Villas Boas, foi interrogado no Fórum Desembargador Fenelon Teodoro Reis, em Goiânia (GO).

Atualizado em 26/08/2015 às 12:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Sundfeld Nunes, conhecido como , assassino confesso do cartunista Glauco Villas Boas, foi interrogado no Fórum Desembargador Fenelon Teodoro Reis, em Goiânia (GO).
Crédito:Reprodução Assassino de Glauco pediu para ser condenado a mais anos de prisão
Segundo o Estadão , a audiência julgava dois assassinatos ocorridos há um ano. Cadu nega ter atirado nas vítimas. Ele passou sorridente pelo corredor do Fórum, cercado de repórteres, e se recusou a responder grande parte das perguntas feitas pela magistrada Bianca de Melo Cintra, da 5ª Vara Criminal de Goiânia, pelo promotor de Justiça, Fernando Braga Viggiano, o assistente de acusação e até pela defesa.
Cadu conformou apenas que dirigiu o carro roubado do estudante Mateus Pinheiro de Morais, uma das vítimas. A outra foi o agente prisional Marcos Vinícius Lemes. Ambos foram baleados por assaltantes que queriam os veículos em que estavam.
A defesa pediu uma avaliação por um psiquiatra indicado pela família, ao mencionar um agravamento da enfermidade do acusado. Pediu ainda o encaminhamento dele a uma clínica para tratamento adequado.
O Ministério Público solicitou que a Polícia Civil complemente as investigações para revelar quem agiu com Cadu nos dois latrocínios e quem deu a ordem. A juíza Bianca Cintra deve decidir sobre os pedidos em dez dias.
O interrogatório foi fechado e durou cerca de uma hora. Cadu pediu uma pena mais dura quando falou sobre o dia em que colocou fogo no colchão da cela em que estava preso. O incidente ocorreu em 27 de julho. Ele recebeu uma medida disciplinar de isolamento e suspensão de visitas.
“Estou de saco cheio, você não sabe a desgraça que é lá, não sabe o tanto que é desumano", disse. Nervoso, ele completou: "Me condena a 30 anos porque 10 é pouco", declarou.
O acusado também não respondeu quando questionado sobre uma carta que ele teria escrito dentro do Núcleo de Custódia. "Eu não escrevi a carta, foi o Chico Xavier", respondeu. Trechos do documento ajudaram a concluir que ele é capaz de responder na Justiça por seus atos.
A conclusão alterou os rumos do caso, já que Cadu chegou a ser solto por ser considerado inimputável, com um diagnóstico de esquizofrenia paranoide. Na carta, ele dizia a outro preso: "Eu vou dar munição para o promotor. Que esse papo de loko (sic) é tudo 171 (estelionatário, enganador)" e "eu sou é bandido".