Marx e a verdade nua
Marx e a verdade nua
Atualizado em 04/11/2010 às 16:11, por
Silvia Dutra.
Pessoas da Suíça, Alemanha, França, Austrália e de praticamente todos os 50 estados americanos se cadastraram para participar de mais um reality show, que deve ir ao ar ano que vem. Vai se chamar "The Nak'd Truth" (A verdade nua) e pretende mostrar as aventuras de seis adultos -- três homens e três mulheres -- vivendo um mês num clube de nudismo chamado Caliente Resort & Spa, localizado na pacata cidade de Land O'Lakes, perto de Tampa, na Flórida.
A notícia de que um novo reality show está sendo preparado foi divulgada semana passada. Os executivos da Atlantic Overseas Pictures ficaram tão impressionados com a repercussão pela imprensa e pela quantidade de candidatos inscritos que decidiram transmitir ao vivo, pela Internet, nos dias 13 e 14 de novembro, todo o processo de seleção. As entrevistas serão feitas no deck da piscina do clube e os candidatos deverão ficar completamente pelados. Essas imagens entretanto não serão transmitidas pela Internet, apenas o audio das entrevistas. Os internautas poderão dar notas ao desempenho de cada candidato e essas opiniões serão consideradas pela produção na seleção final.
Os produtores do show procuram por pessoas entre 20 e 35 anos que sejam novatas no universo do nudismo e que jamais tenham ficado nuas em público. Assim que as filmagens começarem -- na primavera do próximo ano ou ainda em Dezembro, se a temperatura permanecer alta, apesar do Inverno -- os escolhidos ficarão nus durante um mês. Como é costume na TV americana, seios e órgãos genitais serão desfocados quando o programa final for ao ar, ainda sem data prevista. Embora nenhum contrato tenha sido assinado com emissoras de televisão, produtores disseram que muitas já demonstraram interesse, segundo matéria publicada pelo jornal Tampa Bay na semana passada.
Já falei em colunas anteriores que o que não falta na TV americana são shows desse gênero. A maioria puro lixo, só a exposição grosseira e vulgar da intimidade de famílias e indivíduos. Alguns prestam serviços ao público, como os shows dos juízes, sobre o qual comentei na coluna do dia 12 de agosto de 2009. Outros tem algum valor educacional, tocam em assuntos sérios e dolorosos, como o show "Hoarders", que mostra pessoas incapazes de se desfazer de qualquer pertence, mesmo o lixo. Sem dúvida que é um programa deprimente, mas pelo menos serve ao propósito de expandir a consciência da sociedade para um tema que até recentemente era de conhecimento restrito aos profissionais das áreas de saúde mental e psiquiatria.
Mas, a que propósito servirá um show sobre seis adultos vivendo um mês num clube de nudismo? Essa foi a pergunta que mandei por email para Debbie Bowen, do Departamento de Marketing e Relações Públicas do Caliente Resort & Spa, em cujo website os interessados em participar do show se inscreveram, também por email.
Horas depois recebo a resposta. "Mostrar como as roupas mudam as pessoas. Como os indivíduos mudam quando despidos da imagem que vendem aos outros. Quando alguém está nu, ninguém sabe dizer se aquela pessoa é rica ou pobre, se ela está com a casa hipotecada ou vive numa mansão de milhões de dólares". Como supus que o programa seguirá o modelo de outros shows desse tipo e que haverá competições, conchavos e eliminações, perguntei se o vencedor ganhará um emprego no estabelecimento. E mais uma vez ela saiu pela tangente, como todo bem treinado profissional de marketing: "tudo é possível".
E nisso concordamos, Debbie e eu. Em se tratando de reality shows, tudo é mesmo possível. Até uma produção como essa virar febre mundial, ser exportada para outros países e ganhar edições locais -- como o Big Brother -- fazer surgir novas "celebridades" cuja ascensão (e queda no esquecimento, felizmente) costumam ser rápidas e confirmar, mais uma vez, que o comediante Grouxo Marx estava certíssimo quando disse que a televisão é altamente instrutiva. "Sempre que ligam uma perto de mim, saio e vou ler um bom livro". Sábio Marx.
A notícia de que um novo reality show está sendo preparado foi divulgada semana passada. Os executivos da Atlantic Overseas Pictures ficaram tão impressionados com a repercussão pela imprensa e pela quantidade de candidatos inscritos que decidiram transmitir ao vivo, pela Internet, nos dias 13 e 14 de novembro, todo o processo de seleção. As entrevistas serão feitas no deck da piscina do clube e os candidatos deverão ficar completamente pelados. Essas imagens entretanto não serão transmitidas pela Internet, apenas o audio das entrevistas. Os internautas poderão dar notas ao desempenho de cada candidato e essas opiniões serão consideradas pela produção na seleção final.
Os produtores do show procuram por pessoas entre 20 e 35 anos que sejam novatas no universo do nudismo e que jamais tenham ficado nuas em público. Assim que as filmagens começarem -- na primavera do próximo ano ou ainda em Dezembro, se a temperatura permanecer alta, apesar do Inverno -- os escolhidos ficarão nus durante um mês. Como é costume na TV americana, seios e órgãos genitais serão desfocados quando o programa final for ao ar, ainda sem data prevista. Embora nenhum contrato tenha sido assinado com emissoras de televisão, produtores disseram que muitas já demonstraram interesse, segundo matéria publicada pelo jornal Tampa Bay na semana passada.
Já falei em colunas anteriores que o que não falta na TV americana são shows desse gênero. A maioria puro lixo, só a exposição grosseira e vulgar da intimidade de famílias e indivíduos. Alguns prestam serviços ao público, como os shows dos juízes, sobre o qual comentei na coluna do dia 12 de agosto de 2009. Outros tem algum valor educacional, tocam em assuntos sérios e dolorosos, como o show "Hoarders", que mostra pessoas incapazes de se desfazer de qualquer pertence, mesmo o lixo. Sem dúvida que é um programa deprimente, mas pelo menos serve ao propósito de expandir a consciência da sociedade para um tema que até recentemente era de conhecimento restrito aos profissionais das áreas de saúde mental e psiquiatria.
Mas, a que propósito servirá um show sobre seis adultos vivendo um mês num clube de nudismo? Essa foi a pergunta que mandei por email para Debbie Bowen, do Departamento de Marketing e Relações Públicas do Caliente Resort & Spa, em cujo website os interessados em participar do show se inscreveram, também por email.
Horas depois recebo a resposta. "Mostrar como as roupas mudam as pessoas. Como os indivíduos mudam quando despidos da imagem que vendem aos outros. Quando alguém está nu, ninguém sabe dizer se aquela pessoa é rica ou pobre, se ela está com a casa hipotecada ou vive numa mansão de milhões de dólares". Como supus que o programa seguirá o modelo de outros shows desse tipo e que haverá competições, conchavos e eliminações, perguntei se o vencedor ganhará um emprego no estabelecimento. E mais uma vez ela saiu pela tangente, como todo bem treinado profissional de marketing: "tudo é possível".
E nisso concordamos, Debbie e eu. Em se tratando de reality shows, tudo é mesmo possível. Até uma produção como essa virar febre mundial, ser exportada para outros países e ganhar edições locais -- como o Big Brother -- fazer surgir novas "celebridades" cuja ascensão (e queda no esquecimento, felizmente) costumam ser rápidas e confirmar, mais uma vez, que o comediante Grouxo Marx estava certíssimo quando disse que a televisão é altamente instrutiva. "Sempre que ligam uma perto de mim, saio e vou ler um bom livro". Sábio Marx.






