Marqueteiro de campanha bolsonarista diz à CPMI das Fake News que Yacows atuou no "submundo"

Em depoimento à CPMI das Fake News nesta quarta (4), Marcos Aurélio Carvalho, um dos donos da agência AM4, que em 2018 coordenou o marketingeleitoral e a captação financeira para a campanha do então candidato à presidência Jair Bolsonaro, fez duras críticas à Yacows, empresa suspeita de usar chips de celular registrados sob números de CPF obtidos irregularmente para envios em massa por WhatsApp de mensagens políticas.

Atualizado em 05/03/2020 às 11:03, por Redação Portal IMPRENSA.


Após classificar o modo de atuação da Yacows de “submundo”, Carvalho declarou que não tinha conhecimento das irregularidades até elas serem reveladas à CPMI e negou qualquer vinculação do seu trabalho ao envio em massa de mensagens políticas fraudulentas para celulares.
Carvalho disse que sua agência executou apenas um serviço de envio de mensagens através da Yacows, para informar a cerca de 9 mil doadores de campanha sobre uma mudança no telefone de contato da plataforma de doações. Crédito: Roque de Sá/Agência Senado Marcos Aurélio Carvalho criticou disparos em massa de mensagens políticas via WhatsApp em campanhas eleitorais
Recentemente a CPMI das Fake News (que bolsonaristas apelidaram de "CPI dos memes", numa tentativa de desqualificação alusiva às montagens satíricas de imagens, vídeos e textos que se espalham na internet) colheu o depoimento de Hans River do Nascimento.
Ex-funcionário da Yacows, ele foi fonte da repórter da Folha Patrícia Campos Mello em sua matéria sobre o disparo em massa de mensagens telefônicas nas eleições de 2018.
Calúnia absurda
Claramente orientado, Nascimento na ocasião tentou desqualificar a reportagem, afirmando que a jornalista se insinuou sexualmente em troca de informações. Negado com fatos e prints pela Folha, o falso depoimento levou o presidente a fazer uma piada machista no cercadinho do Alvorada que teve Patrícia como alvo.
Por sua vez, o sócio da agência AM4 classificou como "calúnia absurda" o depoimento de Hans River à CPMI, especialmente a parte em que ele afirmou que a AM4 participou de audiências no processo trabalhista que resultou em acordo entre o ex-funcionário e a Yacows. Carvalho disse que pode provar, através das atas das audiências, que essa informação é falsa.
Reportagem da Agência Senado informa que, após trabalhar para a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, Carvalho chegou a integrar a equipe de transição. Acabou se desligando em virtude de uma declaração de Carlos Bolsonaro. Em reação à possibilidade de Carvalho compor o governo, o filho do presidente postou que o empresário queria “se dar bem de algum jeito”.
Sem obter uma solicitada retratação por parte de Carlos Bolsonaro, Carvalho alegou à CPMI que decidiu se distanciar e que nunca teria sido de seu interesse "ter participação em governo".