Mário Garcia, veterinário e empresário em Belo Horizonte; e Milton Rego, vice-presidente da Anfavea e diretor da CNH, de Curitiba
Mário Garcia, veterinário e empresário em Belo Horizonte; e Milton Rego, vice-presidente da Anfavea e diretor da CNH, de Curitiba
Mário Garcia, veterinário e empresário em Belo Horizonte
Vejo alguns casos de matérias pagas que transmitem informações imprecisas. Acredito que os veículos devem buscar, além do corpo editorial próprio, ouvir técnicos inseridos no mercado. É uma boa alternativa para melhorar a cobertura. Acho a abrangência dos temas bem completa e me informo por veículos como Beefpoint, DBO Rural, Scott Consultoria e FNP.
Milton Rego, vice-presidente da Anfavea e diretor da CNH, de Curitiba
Um ponto negativo para destacar é a superficialidade. É da imprensa em geral, em função do que aconteceu com quase todos os veículos a partir do enxugamento que se deu nas redações. É difícil repórter com tempo de investigar sobre um assunto. Perdeu-se os especialistas, hoje são poucos. Tenho observado que quando sou fonte, eu tenho que explicar o assunto. É difícil você ver jornalista conhecendo o assunto com propriedade, então as perguntas raramente saem do óbvio. E o óbvio é: subiu, desceu, porque subiu, porque desceu, perguntas de elevador. Não tem que ter conhecimento extremo na parte de estratégia, mas pelo menos de problemas fundamentais do setor, tendências por conta de competitividade, questões de inserção do Brasil na competição internacional... Essas são questões pouco tratadas.
Antes era melhor. A parte de agronegócios nunca teve muitos especialistas, mas já existiram mais. Quando os grandes jornais tinham cadernos específicos e regulares você tinha, por conta disso, mais repórteres especializados. Hoje se conta na palma de uma mão os especialistas. Até porque agronegócio nos grandes jornais tem perdido espaço. De modo geral nunca teve muito espaço. É absurdamente desproporcional o espaço do agronegócio com a importância dele na economia e no dia-a-dia do cidadão. Uma notícia sobre automóvel, todo mundo cobre e quer saber; de agronegócio, não. Se pegar no fundo, agronegócio influencia muito mais a vida da pessoa, mas as pessoas se interessam muito mais por carro.
Teve um tempo em que eu convivia com jornalistas desse setor na Europa. Lá se tem mais espaço em função da agricultura na Europa não ser vista só como geração de produtor, mas como um complexo político, de preservação de uma política demográfica, econômica, de relacionamento internacional muito forte para a população. Tinha uma demanda muito maior, o subsídio agrícola na Europa vai para a primeira página do jornal, aqui vai para pé de página do caderno agrícola.
Os jornalistas especializados são os grandes heróis. Ter um assim em seu veículo, está de parabéns. A especialização faz muita diferença na qualidade da cobertura, ter esse investimento de manter um jornalista ali torna o resultado muito visível. É um texto mais analítico. Não só em jornal, mas em revistas etc. Precisa investir na manutenção daqueles jornalistas específicos, com tempo pra fazer matéria. O resultado é claro. Investimento não é só na contratação e manutenção do profissional, mas também em viagens - gastar com o jornalista indo até o campo e conversando com o produtor e com mais tempo pra fazer a matéria. Isso se traduz numa melhora da qualidade de reportagem.
O próprio segmento que a gente atua, o de mecanização, é muito pouco coberto. A mecanização geralmente entra como o resultado de alguma coisa que acontece no cultivo ou em algum processo agrícola. Mas a mecanização como setor quase não é tratada. Outra coisa que merece aprofundamento é política agrícola. Desde política de crédito, de zoneamento, de seguro, de renda, todas essas coisas são pouco tratadas. O que da notícia é "o tomate subiu" e "aumentou a inflação". Agora saber onde se planta tomate, qual dificuldade logística, a diferença do preço do pequeno produtor na periferia, o do consumidor final, o grande atacadista, o desenvolvimento de novos produtos, essas coisas são uma vez ou outra. A impressão que dá é que essa pauta não vende jornal nem revista.






