Mário Bortolotto confunde cargo de jornalista ao criticar abordagem da Folha sobre acidente
Mário Bortolotto confunde cargo de jornalista ao criticar abordagem da Folha sobre acidente
Mário Bortolotto confunde cargo de jornalista ao criticar abordagem da Folha sobre acidente
O dramaturgo Mário Bortolotto, baleado durante uma tentativa de assalto na Praça Roosevelt, em São Paulo, em 4 de dezembro de 2009, criticou no último sábado a abordagem de jornalistas na tentativa de entrevistá-lo sobre o acidente.
| Divulgação |
| Mário Bertolotto |
No texto intitulado "Jornalismo Mauricinho", Bortolotto diz estar "estarrecido" com o comportamento do jornal Folha de S.Paulo "no que se refere ao trágico episódio". Ele conta em seu que muitos jornalistas tentaram conseguir uma primeira declaração sobre o ocorrido logo que ele deixou a UTI, e que os pedidos foram negados porque "estava muito cansado, entupido de remédios e sem interesse que a imprensa fizesse um freak-show dessa história toda".
"Não quero ser conhecido como o dramaturgo que reagiu a um assalto e levou três tiros. Quero sim ser conhecido como o dramaturgo que escreveu mais de 50 peças e que trabalha exaustivamente não só como escritor, mas também como diretor, ator, sonoplasta, iluminador, e que ainda encontra tempo pra cantar numa banda de rock", escreveu.
Segundo Bortolotto, ele evitou dar entrevistas o máximo que pôde, mas acabou cedendo após ser procurado por Lucas Neves, repórter do caderno Ilustrada, da Folha . No entanto, combinou que falaria com o jornalista no mesmo dia que falaria com um repórter do jornal concorrente, O Estado de S. Paulo .
O objetivo era não privilegiar nenhum dos dois, afinal, explicou o dramaturgo, "o Estadão tem dois jornalistas que são meus amigos e pra quem eu jamais recusaria qualquer declaração: Beth Néspoli e Jotabê Medeiros (...) Então combinei com o Lucas Neves que iria dar entrevista pra ele no mesmo dia que concedesse a entrevista pro Caderno 2", o que ficou combinado no dia 20 de janeiro.
Bortolotto contou que "Lucas se dizia pressionado pela editoria da Ilustrada que fazia questão de soltar a matéria primeiro e com exclusividade. Respondi que não tinha nada a ver com isso e que só daria a entrevista no mesmo dia do Estadão . Eu não tava interessado em dar entrevista. Ele é que tava a fim de me entrevistar".
No entanto, de acordo com o dramaturgo, "aí se instaurou a fogueira das vaidades". "Mauricio Stycer do caderno Cotidiano da Folha me telefonou querendo uma entrevista. Bem, me recusei, pedindo pra ele esperar e que talvez mais pra frente a gente pudesse conversar (eu já tava comprometido com o Lucas e o Jotabê e sequer conheço o Mauricio Stycer. Não via nenhum motivo pra dar entrevista pra ele, ainda mais na frente dos outros dois. Até concederia uma entrevista pra ele, desde que ele tivesse um pouco de paciência), o que deixou o Mauricio bem irritado".
Segundo ele, uma conversa com uma jornalista do Globo Online deixou Stycer mais irritado com ele, e a Folha começou a "me ferrar com todo o poder que eles detém", escrevendo uma reportagem não assinada com cópias de posts que ele colocou no blog e uma outra sobre as investigações do acidente. No fim desta última matéria, o jornalista Fábio Victor escreveu: "procurado, Bortolotto não quis dar entrevista".
"Eu já tinha prometido pro Lucas que ia dar entrevista pra ele no mesmo dia do Estadão . Porque a Folha de S.Paulo tem que ser tão mimada assim? Porque eles acham que são os melhores e que tem que ter prioridades sempre? O que é que acontece?". afirmou Bortolotto.
O dramaturgo ainda critica Stycer, que teria comentado a reportagem de Fábio Victor em seu blog, e mencionado uma entrevista de Bortolotto ao programa "Metropolis", da TV Cultura. "Mauricinho, eu vou gritar no seu ouvido pra ver se você entende, falou? EU NÃO COMENTEI NADA SOBRE A NOITE DO CRIME PORQUE A REPÓRTER NÃO PERGUNTOU SOBRE ISSO E ACERTADAMENTE, DEVO DIZER, AFINAL É O PROGRAMA 'METROPOLIS' E QUE EU SAIBA, O PROGRAMA 'METROPOLIS' É UM PROGRAMA DE CULTURA E NÃO UM PROGRAMA POLICIAL", escreveu.
Resposta
No domingo (17), Mauricio Stycer rebateu as acusações em seu , comentando porque a reportagem da Fábio Victor lhe chamou a atenção e afirmando que em seu texto Bortolotto "vislumbra uma conspiração da Folha para atacá-lo em represália ao fato de não ter, até agora, concedido entrevista ao jornal. Em seu delírio persecutório, explicável, dada as suas condições de saúde, escreve que eu sou repórter do jornal - onde trabalhei entre 1988 e 1997".
"Como repórter do UOL, claramente identificado, enviei um e-mail a Bortolotto no dia 7 de janeiro, dia em que ele publicou um texto em seu blog intitulado 'Esclarecendo', o qual explicava porque reagiu aos assaltantes. No e-mail eu dizia querer discutir as questões que o dramaturgo levantou. Em 23 anos de jornalismo, Bortolotto não foi o primeiro, nem será o último, a não responder um pedido de entrevista. Faz parte do trabalho. Surpreende que um sujeito tão iconoclasta se leve tão a sério e seja capaz de entender um comentário no meu blog como parte de uma ação para 'ferrá-lo'".
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