Marina Silva ganha visibilidade na cobertura jornalística

Marina Silva ganha visibilidade na cobertura jornalística

Atualizado em 09/10/2010 às 16:10, por Fabio Maksymczuk.

No último domingo (03/10), ocorreu o maior evento da democracia brasileira. Os cidadãos foram às urnas eletrônicas para eleger seus candidatos à Presidência, Governador, Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual. Mais uma vez, as pesquisas eleitorais não acertaram no prognóstico. O Brasil viverá, nos próximos dias, o clima do segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra. Mais uma vez reitero que a mídia não deveria divulgar as chamadas "intenções de voto". Isso desestabiliza diversas candidaturas. Marina Silva apareceu como um dos destaques nestas eleições. Com pouco mais de um minuto no horário político, ela atingiu expressiva votação e empurrou a disputa para o segundo turno. Marina foi beneficiada, principalmente, pela campanha jornalística. A acreana tinha mais espaço em diversos telejornais, como o "Jornal Nacional". As campanhas presidenciáveis foram as mais fracas desde 1989. Dilma, que possuía amplo espaço no programa eleitoral, apareceu em meio a cenas de um Brasil promissor. A candidata apenas construiu sua imagem de sucessora de Lula. E só. A campanha poderia ser de qualquer partido. É a chamada despolitização. Já o programa tucano repetiu o mesmo formato das campanhas do PSDB de São Paulo que vem desde 2002. O fato inusitado foram as promessas do ex-governador. O novo valor do salário mínimo de 600 reais e reajustes na aposentadoria apareceram na reta final. A campanha estadual paulista também viveu o mesmo quadro. Geraldo Alckmin, Aloizio Mercadante, Celso Russomanno, Paulo Skaf e Fabio Feldmann protagonizaram programas de qualidade muito inferior (até mesmo em termos técnicos) em relação a eleições passadas. Sequer teve um bom jingle em qualquer candidatura. A melhor produção apareceu na propaganda do senador eleito Aloizio Nunes Ferreira. A frase "quem bate em mulher é covarde" marcou sua campanha. Quem atraiu atenção especial, na realidade, foram as propagandas para deputados em São Paulo. O palhaço Tiririca funcionou além das expectativas para a coligação do Partido da República com o Partido dos Trabalhadores. Puxou votos de diversos políticos, principalmente do PT. Segundo o manual do marketing político, Tiririca tinha um bom jingle, interessante slogan (pior que ta não fica) e o principal: é carismático. Tiririca apareceu como sucessor de Eneas Carneiro. A população tem todo o direito em votar no contratado da Record. Em contrapartida, terá que aguentar os efeitos de sua decisão. Uma enxurrada de celebridades tentou garantir uma vaguinha no Congresso. De fato, poucos atingiram boa votação. Os jogadores do Corinthians Marcelinho Carioca e Vampeta ficaram abaixo da expectativa. Igual a Dinei para a Assembleia. Mulher Pêra e Cameron Brasil, "atriz" pornô que entoava o slogan "vote com prazer", não passaram de 10 mil votos. Os cantores Frank Aguiar, Juca Chaves, Agnaldo Timóteo (que trocou o PP pelo PR e ainda apareceu ao lado da Marta Suplicy no material de divulgação!), Leandro e Kiko do KLB não foram bem nas urnas. As seguidoras de Eneas, como Patrícia, Luciana e Havanir, também não tiveram vez. Ronaldo Esper, que quebrava vasos em seu horário, ficou com a irrisória votação de pouco mais de 3 mil votos. Um detalhe precisa ser lembrado neste caso. Clodovil tinha uma postura política. Quem não se lembra da sua verborragia contra Marta e a situação de Ubatuba? Esper jamais apareceu com esta característica. Os famosos têm todo o direito de se candidatarem a cargos públicos, mas precisam ter uma atitude. O eleitor rejeita os pára-quedistas.