Marília Ruiz retorna "aos gramados", fala sobre novos projetos e cobertura esportiva no Brasil
As mulheres representam 64% dos jornalistas em atividade no Brasil e já dominam as redações do país, de acordo com pesquisa divulgada pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Após ficar um tempo afastada do mercado durante a maternidade, Marília criou um com suas opiniões sobre o mundo esportivo e um canal no em que faz entrevistas com jornalistas e personalidades do gênero. Ela conta que pretende mostrar um pouco do cotidiano dos profissionais que trabalham com esporte.
"A ideia é levar ao internauta não só a opinião dos profissionais, mas como eles exercem a atividade. É bacana mostrar até para que elas deixem de 'endeusar' alguns jornalistas, que são apenas porta-vozes daquilo que acontece”, diz.
Para ela, a fascinação do jornalismo é o futebol. “A cobertura para mim tem graça desde a hora que o juiz apita até a hora que ele apita novamente. O que eu gosto é do jogo”, acrescenta.
IMPRENSA: Quando você decidiu ter um blog?
MARÍLIA RUIZ: O primeiro blog que tive foi quando eu estava no Lance! e o jornal lançou o portal de blogs de colunistas, lugar em que ganhamos espaço. Por pouco tempo fiquei afastada de um blog. Criei um no Yahoo, depois dentro do portal da revista Alfa, e agora tenho esse que é vinculado ao canal do YouTube.
E o que você procura mostrar com seu novo canal?
As pessoas ficam curiosas para saber a postura de jornalistas, como é o trabalho, lidar com o futebol, o dia-a-dia do profissional. A maioria dos estudantes de jornalismo tem esse sonho e as pessoas que curtem futebol "invejam" a possibilidade que temos de ficar tão perto daquilo que é, para a maioria das pessoas, lazer e diversão. Então, a ideia é levar ao internauta não só a opinião dos profissionais, mas como eles exercem a atividade. É bacana mostrar, até para que elas deixem de 'endeusar' alguns jornalistas, que são apenas porta-vozes daquilo que acontece.
No canal, nós temos um protocolo. Há um cronograma e, a partir de janeiro, vamos colocar pessoas do futebol nas entrevistas. No entanto, no começo eu optei por escolher esses profissionais porque acho que é bom as pessoas conhecerem mais o trabalho. Achei que era uma opção viável até para tatear esse caminho dos canais na internet, que é cada vez mais uma saída, uma vez que a TV deixou de ser o único jeito possível de falar com o telespectador. A internet é bem mais acessível e está lá para quando a pessoa pode assistir.
Como você vê o trabalho da mulher no jornalismo esportivo? Já sofreu preconceitos?
Preconceito é uma coisa que você não pode lutar contra, mas o que eu fiz na minha carreira foi criar um conceito sobre mim. Obviamente, quando comecei, a situação era muito diferente. Em 2002, havia uma mulher na redação da Folha : eu. Agora a situação das redações é muito diferente, tanto em jornal quanto em TV. O lugar menos explorado é o rádio, que acaba sendo mais "machista" em relação ao futebol, especificamente, que é um esporte com o qual mais trabalhamos. Preconceito sempre vai existir. Então, acho que o sexo não pode definir a capacidade do jornalista.
Em sua opinião, a cobertura esportiva brasileira é satisfatória?
Como em todos os ramos de profissão tem muita coisa boa, muito lixo e confusão. Às vezes, as pessoas acham que ter um papel e caneta na mão é ser jornalista, que ter um blog é ser jornalista. Jornalismo é uma coisa muito mais séria que requer pré-requisitos. Não sei dizer se seria satisfatório, mas acho que temos muito bons jornalistas. O mercado está muito ruim, mas não é a única profissão que apresenta esse problema.
É possível ser isento no jornalismo esportivo?
Escolhi meu time quando era criança. Obviamente, para escolher uma profissão como o jornalista, você tem que gostar de futebol. Então, não conheço nenhum jornalista esportivo que não tenha time. Eu sempre assumi o time que torço até para tirar um pouco desse peso, dessa coisa de achar que jornalista não pode torcer. Eu torço, mas não distorço. Acho que é uma bobagem dizer que o time atrapalha o trabalho, ao contrário, nas colunas, por exemplo, os jornalistas tornam-se muito mais críticos e mais ponderados para analisar as notícias do seu clube. Mas quando é notícia mesmo, não faz a menor diferença.
Você acredita que a imprensa brasileira está preparada para cobrir a Copa do Mundo?
Eu já cobri Copas do Mundo e acho que dizer que a imprensa está preparada é generalizar. Acho que temos uma imprensa acostumada a cobrir Copas, não é uma novidade. O brasileiro que talvez não esteja preparado. Nós tivemos um pequeno exemplo na Copa das Confederações, a qual foi afetada pelas manifestações em que tiraram um pouco o foco do problema da mobilidade, da falta de transporte, dos estádios ainda estarem com problemas. Então, muitas coisas terão de ser adaptadas.
Para você qual é a grande fascinação da cobertura esportiva?
Eu gosto de futebol, cresci gostando. Para mim, os 90 minutos de qualquer jogo que estiver passando é interessante. Gosto do imponderável, do imprevisível, do divertido, do sofrido. A cobertura para mim tem graça desde a hora que o juiz apita até a hora que ele apita novamente. O que eu gosto é do jogo.
Você pretende voltar para TV? Quais são seus projetos?
Pretendo voltar para TV sim. Tem duas propostas que preciso analisar. Mas quero voltar em 2014.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
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