Marilena Chauí diz que mídia inventou a crise aérea

Marilena Chauí diz que mídia inventou a crise aérea

Atualizado em 01/08/2007 às 10:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Em texto publicado no site , por Paulo Henrique Amorim, a filósofa Marilena Chauí afirmou considerar clara a presença "da guerra civil e do golpe de Estado" no discurso adotado pela imprensa durante a cobertura do acidente com o vôo da TAM, em Congonhas. "O que mais impressiona é a velocidade com que a mídia determinou as causas do acidente, apontou responsáveis e definiu soluções urgentes e drásticas!", afirma.

Chauí comenta ainda sua indignação com a "exploração da tragédia", por parte da mídia, já que, segundo ela, certos setores oposicionistas não admitem a legitimidade da reeleição de Lula, por considerarem-na uma "ofensa pessoal à competência técnica e política da auto-denominada elite brasileira".

Sobre a operação midiática de maneira geral, a filósofa lembra que a imprensa não deu às greves do INSS, por exemplo, a mesma relevância que deu ao acidente da TAM e que, mesmo na cobertura do acidente, falhou as fazer associações e constatações infundadas. " A mídia noticiou o acidente da TAM dando explicações como se fossem favas contadas sobre as causas do acontecimento antes que qualquer informação segura pudesse ser transmitida à população e estabeleceu ligações entre o acidente da GOL e o da TAM e de ambos com a posição dos controladores aéreos, da ANAC e da INFRAERO, levando a população a identificar fatos diferentes e sem ligação entre si, criando o sentimento de pânico, insegurança, cólera e indignação contra o governo Lula", completa.

Marilena Chauí encerra seu texto comentando que a "onipotência" da mídia tem sido contestada socialmente, politicamente e artisticamente, por meio de manifestações como "a revolta dos jovens franceses de origem africana e oriental, o fracasso do golpe contra Chavez, na Venezuela, a "crise do mensalão" e a "crise aérea", no Brasil, um livro como O apanhador de pipas ou um filme como "Filhos da Esperança"".

Confira a íntegra do que escreveu Marilena Chauí,