Maria Helena Rangel: Há 60 anos, a presença feminina no jornalismo esportivo tinha início

Maria Helena Rangel: Há 60 anos, a presença feminina no jornalismo esportivo tinha início

Atualizado em 09/08/2007 às 17:08, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

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No final de 1947, há exatos 60 anos, a redação do recém lançado jornal Gazeta Esportiva recebeu a visita de uma bela jovem, de cabelos escuros e curtos, voz macia e olhos doces. Nenhum dos jornalistas que ali estavam poderia imaginar que a moça, chamada Maria Helena Nogueira Rangel, era a mais nova contratada do veículo, a primeira mulher a cobrir a área de esportes no Brasil.

Nascida em 1926 na cidade de Catanduva, no interior de São Paulo, Maria Helena esteve envolvida com o esporte desde pequena. Em São Paulo, formou-se pela Escola de Educação Física da USP e, além de dar aulas, também fez parte da equipe de arremesso de disco do Esporte Clube Pinheiros, associação pela qual ganhou vários títulos, entre eles o de campeã paulista e do Troféu Brasil de arremesso de disco.

Com 21 anos, iniciou sua carreira no mundo das letras, sem deixar de treinar e lecionar. Mesmo em um meio dominado por homens - até hoje, a presença de mulheres nos cadernos de esporte é pequena. Atualmente, no jornal O Estado de S.Paulo , apenas 4 de 16 jornalistas são mulheres. Na Folha de S.Paulo a desproporção é ainda maior: 4 de 30 jornalistas - Maria Helena não se deixou intimidar.

Em apenas cinco anos de carreira - o registro profissional vai de 1º de janeiro de 1948 a 30 de setembro de 1953-, a jornalista publicou centenas de matérias, cobriu campeonatos e viajou para vários países. "Ainda bem que papai não criava problemas. Mas imagina uma mulher ter que sair para trabalhar e voltar somente 11h30 da noite, que era quando geralmente os jogos acabavam", relata Mário Nogueira Rangel, irmão de Maria Helena.

Como a carreira de professora não foi deixada de lado durante sua incursão pelo jornalismo, uma proposta melhor de emprego em Catanduva a fez deixar tudo na capital paulista para dar aulas no interior. Lá, ela se casou, tornando-se Maria Helena Nogueira Rangel Faber, teve três filhos, cinco netos e muitos alunos.

Em agosto de 2000, Maria Helena faleceu, vítima de um AVC. Cinco anos depois, emprestou seu nome a uma escola da cidade de Taquaritinga. "Minha irmã era uma líder. Era doce e gentil e, ao mesmo tempo, enérgica. Sempre fui um fã dela", comenta Mario.

"A 'Lena' faz parte da história do jornalismo esportivo no Brasil. Hoje vemos muitas mulheres cobrindo o esporte, mas ela foi a precursora e gostaria que fosse lembrada", continua Mário, em entrevista ao Portal IMPRENSA.

Apesar dos muitos registros de sua atuação como professora e atleta, a família não conseguiu guardar nada da atuação de Maria Helena como jornalista. "'Lena' era seis anos mais velha que eu. Me lembro que, no período que ela trabalhou na Gazeta Esportiva , eu recortava todas as matérias que ela escrevia ou que falavam dela. Era muita coisa, mas ela resolveu se desfazer desse material em dado momento. Não sobrou nada", lembra o irmão.

Para que a presença de Maria Helena Rangel no jornalismo não seja esquecida, fica aqui nossa homenagem.