Marco do jornalismo brasileiro, consórcio de veículos preencheu vácuo de transparência na pandemia

Criado em junho de 2020 em resposta à tentativa do governo de Jair Bolsonaro de omitir informações sobre a pandemia, o consórcio colaborativo de veículos de imprensa encerrou suas atividades neste sábado (28 jan/23) após 965 dias de trabalho ininterruptos.

Atualizado em 30/01/2023 às 12:01, por Redação Portal IMPRENSA.

em resposta à tentativa do governo de Jair Bolsonaro de omitir informações sobre a pandemia, o consórcio colaborativo de veículos de imprensa encerrou suas atividades neste sábado (28 jan/23) após 965 dias de trabalho ininterruptos.
Participaram do projeto mais de cem jornalistas dos veículos g1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL. Como a pandemia ainda não acabou, eles vão continuar divulgando números de casos e mortes, mas sem apuração diária dos dados em conjunto. Crédito: Reprodução JN A ideia do consórcio surgiu quando, sob a gestão de Eduardo Pazuello, o Ministério da Saúde passou a atrasar a divulgação dos dados sobre a pandemia. Primeiro a divulgação foi feita às 21h45. Depois às 22h. Na gestão do então ministro Luiz Henrique Mandetta a divulgação era feita às 17h. E às 19h na gestão de Nelson Teich.
Boicote intencional

Conforme declarações do próprio ex-presidente Bolsonaro à época, a ideia era boicotar especificamente o Jornal Nacional, considerado inimigo do país por militares radicais. "Acabou matéria no Jornal Nacional (...) não tem que correr para atender a Globo", afirmou Bolsonaro.
Além do atraso, o boletim do Ministério da Saúde passou a destacar casos registrados como "recuperados" e casos e óbitos registrados somente no dia, sem informar o total acumulado de mortos e infectados. Para epidemiologistas, a divulgação incorreta dos números prejudicou o planejamento de políticas públicas e a segurança sanitária da população no pior momento da pandemia.
Os jornalistas dos veículos que integraram o consórcio apuraram dia a dia, de forma coletiva, nas secretarias estaduais de saúde, os números de vacinados e de contaminados e mortos por covid. Consolidados sempre às 20h, os dados foram divulgados diariamente.

Com a formação do consórcio de veículos de imprensa, aos poucos o governo federal deixou de atrasar intencionalmente a publicação dos números da pandemia. Em reconhecimento à contribuição da inciativa à liberdade de imprensa no país, o consórcio recebeu prêmios da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).