Márcio Jumpei, à frente da revista HiGH, fala do consumo de alto padrão

Márcio Jumpei, à frente da revista HiGH, fala do consumo de alto padrão

Atualizado em 30/07/2007 às 10:07, por Nathália Duarte / Redação Portal IMPRENSA.

Márcio Jumpei, à frente da revista HiGH , fala do consumo de alto padrão

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Às vésperas de completar um ano nas bancas, a revista HiGH é, no mínimo, diferente. Fruto de muita determinação e uma pitada de coragem, a revista surgiu da iniciativa do apaixonado por aviação, Mário Jumpei, que contou com uma equipe que acreditou em seu trabalho para que seu veículo bimestral chegasse, em agosto, à sua sexta edição.

Voltada a um público muito específico, a publicação tem surpreendido anunciantes por sua capacidade em diversificar assuntos e, ainda assim, fidelizar seus leitores.

Divulgação
Márcio Jumpei

Em entrevista exclusiva ao Portal IMPRENSA, Jumpei, à frente do projeto editorial da HiGH , conta sobre sua trajetória profissional e fala da criação e desenvolvimento de seu próprio veículo.

IMPRENSA - Qual a sua formação e em que você trabalhava antes de criar a revista HiGH ?
Márcio Jumpei -
Basicamente sou autodidata, pois nunca fiz faculdade. Mas fui correr atrás das oportunidades bem cedo. Depois do colegial eu tinha duas alternativas, ou virava piloto - o que eu sempre quis, ou faria alguma coisa relacionado com comunicação, o que exatamente, eu não sabia. Fui bater na porta de algumas agências de publicidade e acabei entrando como Office boy na Alcântara Machado. Ao mesmo tempo, com a paixão pela aviação tirei as minhas carteiras, mas já nesse processo eu vi que a carreira de piloto de linha aérea não era o que queria. Ainda por cima acabou o dinheiro para completar outros cursos necessários para me tornar piloto comercial. Queria voar, mas não gerenciar um escritório alado. O jeito então foi seguir com a carreira em agência. A sorte foi ter conseguido a vaga na Almap, na época, a segunda maior agência do Brasil e que tinha um
estrutura fantástica que me serviu como uma grande escola. Aprendi lá tudo e muito mais que poderia ter aprendido numa faculdade. Vi, naquela época, estagiários que chegavam com menos informação que a gente, forjados na labuta diária. Então, a carreira como publicitário foi se desenvolvendo meio que por osmose com a evolução de cargos até chegar ao posto de diretor de arte. Evidente que era uma época que não existe mais, quando era possível conseguir algum estágio ou mesmo começar uma carreira sem um diploma.

IMPRENSA - Quando e por que você decidiu criar a revista HiGH ?
Jumpei -
A decisão a começou a ganhar corpo por volta de 2002. Eu trabalhava como freelancer de fotografia desde 1994, principalmente como fotógrafo de aviação. Apesar da especialização, acabei me tornando um dos poucos do mundo que faz fotos de aeronaves em vôo. O nicho de mercado também era restrito. Ao mesmo tempo, eu era freelancer fixo de algumas revistas, mas a grana ganha não fechava o meu orçamento mensal. Também queria dar um up grade na minha carreira. Então, como não havia a possibilidade de me tornar algo mais que um fotógrafo onde eu trabalhava sem puxar o tapete de ninguém, resolvi partir para um negócio meu.

IMPRENSA - Para qual público é voltado o veículo? Qual a periodicidade e tiragem da revista?
Jumpei -
A HiGH é voltada para um publico de alto padrão de vida, mais ainda, para um público que sabe desfrutar e busca boa qualidade de vida. Bimestralmente eu tiro 10 mil exemplares. A periodicidade veio em função da estrutura e da verba que eu tenho para produzir a revista e a decisão pela tiragem veio por conta dos custos de impressão e da qualidade gráfica. Também para começar eu preferi tirar 10 mil e efetivamente usar essa quantidade do que tirar mais e depois ficar administrando encalhes.

IMPRENSA - Baseado em quê você percebeu que o mercado seria capaz de absorver uma publicação de público tão especifico, voltado à aviação?
Jumpei -
Aí é que está o mote da coisa. A HiGH não foi pensada somente para o nicho da aviação. Ela parte do pré suposto que é uma revista de aviação, mas antes de tudo ela é voltada para o consumidor final. Desde aquele sujeito que compra uma passagem de linha aérea, o piloto, a comissária, a executiva que freta uma aeronave para fazer negócios, até os proprietários de avião ou helicóptero. E aí eu amplio a minha área de interesse. Na
verdade eu juntei o melhor de dois mundos, da lúdica aviação ao consumo e comportamento.
IMPRENSA - Ao mesmo tempo que é voltada à aviação, a revista também diversifica e fala de moda e gastronomia. Como garantir a fidelidade de um público específico com assuntos tão variados e sem relação aparente?
Jumpei -
Pelo seguinte fator: Piloto também é um consumidor, e dos bons. Ele ou ela também são pessoas que sabem o que de bom a vida tem. Por isso é que eles se interessam. A revista nada mais é que um reflexo do meu próprio cotidiano, que queira ou não, é de um cara ligado à aviação. Eu estou falando de coisas que são do interesse de quem vive nesse meio. Como eu falei antes, estou agregando valor a dois nichos. E também tem aquela coisa, eu queria que a revista não ficasse restrita a pilotos somente. Eu queria falar com as pessoas que vivem ligadas ao meio, dando-lhes informação, explicando o que é a aviação e o que ela pode fazer por elas. Por isso, eu tinha que fazer uma revista que fosse palatável também a essas pessoas.

IMPRENSA - Como é feita a distribuição da HiGH ?
Jumpei -
Este é um dos alicerces do sucesso da revista. A HiGH se baseia no fato de que ela deva chegar às mãos de quem é interessante. Tanto para mim como principalmente aos os meus anunciantes. Eu posso não tirar 30 mil exemplares ao mês, mas o uso efetivo das minhas revistas é alto. A maior parte delas circula por mailing list e por distribuição em pontos estratégicos, onde o meu leitor e o cliente dos meus anunciantes vão passar.

IMPRENSA - Como foi o processo de criação da revista e as principais dificuldades e expectativas correspondidas ou não?
Jumpei -
O processo de criação em si foi uma brincadeira. Foi a parte divertida. Trabalhar com um meio de comunicação levando em conta a qualidade gráfica é sempre gratificante. O que deu mais trabalho foi arranjar a grana para poder mover tudo. O bom mesmo é que hoje eu conto com uma equipe que prezo com total confiança. Do comercial à, principalmente, a direção de arte, que antes de tudo é a parte que mais me agrada mexer. Eu tenho aqui uma diretora de arte que é nova, mas de grande capacidade. Então se um dia eu tiver sarampo e tiver que ficar em casa, eu sei que o fechamento da edição estará garantido. Os colaboradores também, todos sem nenhuma exceção, toparam trabalhar nesse projeto por acreditar nele. Muitos ganhando bem menos do que poderiam, e eu no começo não
tinha um centavo no bolso. A revista saiu pelo crédito que todos fizeram pelo projeto. Resta a mim, trabalhar para retribuir essa confiança e, como não poderia deixar de ser, retornar o investimento que o meu sócio, esse sim, um grande doido que acreditou e confia em mim. E quer saber, comparado com outros veículos que eu trabalhei, o break even da HiGH está chegando bem mais cedo, muito mais cedo inclusive que o normal encontrado no mercado. Sinal de que os anunciantes estão sabendo da validade da HiGH e olhe que estou somente na sexta edição.

IMPRENSA - Você está à frente do projeto editorial da revista. Como a High está lidando com a cobertura da crise aérea por que vem passando o Brasil nos últimos meses?
Jumpei -
Estamos correndo atrás, como todo mundo, porque o tamanho dessa crise é bem maior do que ela se apresenta. Prepare-se para mais capítulos. Evidente que trabalhando no meio, o acesso a algumas informações é mais fácil, mas antes de tudo é obrigação da HiGH não cair na tentação de querer ser a dona da razão e cometer erros como os que acontecem na mídia geral. Explicar um acidente de bate pronto, a insana corrida pelos culpados é a grande vilã em termos de jornalismo de aviação. Mas uma das coisas que eu prezo na HiGH é justamente poder explicar o que realmente acontece no meio para as pessoas. Também há um lado técnico: como a revista é bimestral, é preciso muito cuidado para que a pauta não caduque enquanto ela está nas bancas.

IMPRENSA - Como piloto e apaixonado pela aviação, qual a sua impressão sobre o caos?
Jumpei -
De vergonha. Um setor que sempre lutou pela eficiência rachou em menos de duas décadas. Muito por conta de desleixo de governo, dos resquícios de um estado arcaico, totalitário e patronal. Da burocracia e da corrupção. Do jeitinho brasileiro de querer levar vantagem em tudo. Como você vê, é o mesmo sentimento que a gente tem por determinadas coisas no país, mas, neste caso em específico, atinge mais a mim porque se refere justamente a um assunto que é paixão.