Mar Del Plata: um show de mídia
Mar Del Plata: um show de mídia
Mar Del Plata: um show de mídia
A Cúpula das Américas realizada no último final de semana, na cidade de Mar Del Plata, dificilmente teria existido se não fosse pela intensa cobertura da imprensa mundial.
Depois de alguns dias de discussão sem muito êxito entre os representantes de cada país, a chegada dos presidentes pautou os meios presentes, porém sem trazer nenhum consenso ou aprofundamento das negociações para a concretização de acordos.
Nesse ambiente de completa discórdia, em que não se chegou a lugar nenhum no que concerne a aumentar a cooperação entre os países, cada presidente resolveu usar a imprensa para marcar posição e criar o máximo de factóides possíveis.
Quem mais usou e abusou da mídia foi, sem dúvida, o presidente venezuelano Hugo Chavéz que ganhou as câmeras tanto na Cúpula como na Anticúpula, onde, ao lado do ex-jogador argentino Diego Maradona, fez declarações contra o presidente George Bush e decretou que Mar Del Plata era o túmulo da ALCA.
Outro fato relevante foi o discurso do presidente anfitrião Nestor Kirchner, que bateu duro no FMI e na posição norte-americana em relação às políticas para a América Latina. Em contraposição a Kirchner, o presidente mexicano Vicente Fox saiu a dar declarações criticando a falta de vontade que os países do Mercosul tinham em negociar, e travou um bate boca, nada diplomático, via imprensa, com o seu par argentino, que perdura até hoje conquistando manchetes nos principais jornais de ambos países.
Duas das principais estrelas da Cúpula que costumam chamar a atenção por suas declarações, o presidente norte-americano George Bush e o presidente brasileiro Lula da Silva, resolveram adotar um perfil baixo, evitando entrar diretamente nas polêmicas centrais, talvez porque outros presidentes já estivessem cumprindo esse papel.
A Anticúpula chamou a atenção pela alta presença de personalidades, que vão desde o cantor cubano Silvio Rodriguez até o ex-jogador Diego Maradona, e pelos atos de vandalismo cometidos por alguns grupos mais radicais.
Em termos de organização, houve uma surpresa para os jornalistas, acostumados com a péssima atenção do governo argentino na preparação de eventos, que contaram com uma excelente sala de imprensa. As falhas ficaram por conta do atraso, mais de duas horas, na coletiva final, do total isolamento que havia entre jornalistas e os participantes da Cúpula e da quantidade insuficiente de aspirinas e café, elementos essenciais para quem tem que estar quase 24 horas cobrindo o evento, que se esgotaram antes do final.
A IV Cúpula das Américas reafirma uma tendência que já vem se repetindo desde algumas cúpulas atrás, na qual o documento final não passa de um papel assinado sem nenhum avanço de acordo entre os países, transformando um importante evento de nível mundial em um desfile de presidentes que trocaram a diplomacia tradicional por um intenso anseio em aparecer frente à mídia mundial.






