Mapa da Mídia: Marcos Simões e o lado Coca-Cola da comunicação

Mapa da Mídia: Marcos Simões e o lado Coca-Cola da comunicação

Atualizado em 07/11/2007 às 18:11, por Angélica Pinheiro.

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Zelar pela comunicação de uma marca de US$ 44 bilhões* é tarefa para poucos. No caso da Coca-Cola, no Brasil, a missão é capitaneada pelo jornalista Marco Simões. No cargo de diretor de comunicação, Simões que tem uma sólida carreira na área institucional - antes foi assessor direto do presidente do Grupo Abril, Roberto Civita - é responsável pelos núcleos de eventos, marketing, relações institucionais, comunicação interna e responsabilidade social.

Nesta entrevista, o executivo revela como são conduzidas ações estratégicas para a empresa, como as relacionadas ao público jovem e ao esporte. Para os Jogos Olímpicos de Pequim, por exemplo, a matriz norte-americana já anunciou a participação em suas campanhas de estrelas da NBA, como LeBron James e Yao Ming. No Brasil, as ações para a Olimpíada de 2008 ainda estão sob total sigilo.

Quais são as características que um profissional de comunicação deve ter para assumir um cargo estratégico como o seu?
Marco Simões - Acredito que para um profissional ser bem-sucedido dentro de uma empresa como a Coca-Cola Brasil, ele deve ter capacidade de dialogar bem e influenciar o ambiente à sua volta. Porque não somos apenas uma empresa, mas um conglomerado de várias companhias. Um sistema que é composto pela subsidiária da Coca-Cola Company, que somos nós aqui, e todos os nossos fabricantes. São 17 espalhados pelo Brasil.

"No mercado de bebidas não-alcóolicas são mais de 2000 concorrentes"

Como é a relação entre a Coca-Cola Brasil e a Coca-Cola Company?
Simões - Nós temos uma política diferente em relação à matriz, pois temos, na comunicação, divisões diferentes das outras subsidiárias. Por exemplo, a maior parte dos países tem uma área que chamamos de comunicação e assuntos públicos, que cuida, geralmente, da área institucional e do governo. No nosso caso, a relação com o governo é tratada por outro departamento. Eu interajo com áreas bem diferentes da companhia internacionalmente.

Até como um desdobramento do posicionamento mundial, a Coca-Cola tem realizado muitas ações na área musical. Vocês têm, por exemplo, o "Estúdio Coca-Cola" na MTV. O foco da comunicação da Coca-Cola no Brasil ainda é o público jovem?
Simões - Cada um dos nossos produtos possui um target. No caso da Coca-Cola, ele é, aparentemente, muito focado no público jovem, mas, na prática, atende toda a gama de consumidores. Não existe nenhum produto engarrafado no Brasil ques venda mais do que Coca-Cola. Portanto, ele é consumido por todos os segmentos da sociedade e por todas as faixas etárias.

A marca Coca-Cola está intimamente ligada a eventos esportivos. Na maior parte das vezes, com as maiores cotas de patrocínio. Qual é a importância institucional para a empresa de patrocinar eventos como a Olimpíada?
Simões - A marca Coca-Cola foi a primeira patrocinadora dos Jogos Olímpicos, desde 1928. Hoje é também uma das mais antigas patrocinadoras da Copa do Mundo. A visão é de que o produto Coca-Cola dá energia, prazer e hidrata. Com isso, é agradável, gostoso e saudável para consumir a qualquer momento vinculado ao esporte ou não.

Como está o duelo Coca versus Pepsi na comunicação?
Simões -
Isso é uma guerra que existe nos EUA.. A famosa batalha das colas. Lá existe uma batalha grande entre Pepsi e Coca-Cola apesar da Coca ser maior como produto. Há realmente uma grande busca por mercado, onde a Pepsi é relevante como produto e empresa. Tem restaurantes, é robusta. Mas no Brasil, particularmente, há uma disparidade entre Coca e Pepsi. Nunca houve uma guerra real. O que temos é uma diversidade de concorrentes, que não conseguimos singularizar em um produto específico, como é nos EUA, na área de refrigerantes. Aqui calculamos que no mercado de bebidas não-alcóolicas são mais de 2000 concorrentes. Todos os dias, temos de entendê-los e até nos espelharmos neles.


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