Mãos à obra, Diadema - Por Thais Vido/Imes - São Caetano do Sul
Mãos à obra, Diadema - Por Thais Vido/Imes - São Caetano do Sul
Atualizado em 26/09/2005 às 16:09, por
Thais Vido e estudante da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (SP).
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Com a ajuda da participação popular, Diadema deixa de ser conhecida como caos urbano para ser exemplo na área de urbanização de favelas
Desde a década de 60, o grande ABC começou a enfrentar grandes problemas habitacionais. O desenvolvimento industrial fez aumentar a busca por terrenos baratos na região, mas com a valorização das terras, as famílias passaram a ocupar espaços irregulares e a construir as primeiras favelas.
A ocupação desordenada fez de Diadema a segunda maior densidade demográfica do Brasil. De 1960 até hoje, a cidade sofreu uma verdadeira explosão populacional, saltando de 12 para 383 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com a Secretaria de Habitação do município, o caos urbano elevava o índice de mortalidade infantil e tornava precárias as condições de saúde.
A volta por cima
Para mudar essa situação, Diadema iniciou seu trabalho na área de urbanização, pós-urbanização e revitalização dos núcleos habitacionais, permitindo que as favelas se transformassem em bairros com infra-estrutura para moradia e que políticas públicas e sociais fossem desenvolvidas nos núcleos, melhorando o acesso da comunidade à saúde, educação, esportes, cultura, lazer, entre outros.
Todo o trabalho da cidade foi reconhecido internacionalmente e apresentado, em 1996, na Conferência das Nações Unidas para Assentamentos Humanos como uma das treze melhores experiências do País na área de habitação, infra-estrutura urbana e saneamento, levando em conta a participação popular e a parceria com a sociedade civil.
Sem alternativas
No mesmo ano da Conferência, José Reinaldo Matos, morador de Diadema, e outras 17 famílias vizinhas resolveram ocupar um pedaço de terra, pois a maioria estava desempregada e sem condições para pagar aluguel. Na tentativa desesperada de melhorar as condições de vida, organizaram a invasão de um terreno.
A ocupação
No dia 6 de outubro, as famílias partiram para o terreno que margeava o córrego Ribeirão dos Couros, próximo à divisa com São Bernardo do Campo, apenas com pedaços de tábua e ferramentas nas mãos. Depois de montarem os barracos, os ocupantes fizeram uma grande operação de limpeza, retirando 387 sacos de terra do local.
Porém, depois da limpeza, uma grande chuva fez com que o córrego transbordasse e devastasse tudo, levando dias de trabalho.
"No início, foi preciso muita coragem e determinação para enfrentar as dificuldades" afirmou José Reinaldo. Nesse clima, nascia o núcleo habitacional Seis de Outubro.
A luta continua
Depois da enchente, em vez de desistirem, os moradores elegeram uma comissão para representar o núcleo e lutar por suas causas. Uma das integrantes desse grupo era Maria da Conceição Ferreira Lopes, conhecida por participar ativamente na comissão.
Depois de reivindicarem subsídios para obras no local, os moradores ganharam da Prefeitura o material para construção de um muro de arrimo em sistema de mutirão. Desta forma, todos tiveram de colocar a "mão na massa". Dona Conceição garantia isso, passando logo cedo pela rua, batucando com um pedaço de pau numa panela para chamar todos ao trabalho.
Feito o muro de arrimo, Prefeitura e fábricas da região contribuíram com a pavimentação da via. Também foram feitas as ligações de água, esgoto e energia elétrica. Aos poucos, os moradores ficavam livres das enchentes, terminavam as obras em seus barracos e melhoravam suas fachadas, numeravam suas residências e, assim, adquiriam sua identidade social.
"O melhor do mundo"
Para Maria da Conceição, o núcleo Seis de Outubro tornou-se "o melhor lugar do mundo para morar." A última conquista dos moradores foi a "Concessão do Direito Real de Uso", um instrumento aplicado em áreas públicas já urbanizadas, que garante legalmente ao morador permanecer no local em que construiu sua casa por 90 anos.

Com a ajuda da participação popular, Diadema deixa de ser conhecida como caos urbano para ser exemplo na área de urbanização de favelas
Desde a década de 60, o grande ABC começou a enfrentar grandes problemas habitacionais. O desenvolvimento industrial fez aumentar a busca por terrenos baratos na região, mas com a valorização das terras, as famílias passaram a ocupar espaços irregulares e a construir as primeiras favelas.
A ocupação desordenada fez de Diadema a segunda maior densidade demográfica do Brasil. De 1960 até hoje, a cidade sofreu uma verdadeira explosão populacional, saltando de 12 para 383 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com a Secretaria de Habitação do município, o caos urbano elevava o índice de mortalidade infantil e tornava precárias as condições de saúde.
A volta por cima
Para mudar essa situação, Diadema iniciou seu trabalho na área de urbanização, pós-urbanização e revitalização dos núcleos habitacionais, permitindo que as favelas se transformassem em bairros com infra-estrutura para moradia e que políticas públicas e sociais fossem desenvolvidas nos núcleos, melhorando o acesso da comunidade à saúde, educação, esportes, cultura, lazer, entre outros.
Todo o trabalho da cidade foi reconhecido internacionalmente e apresentado, em 1996, na Conferência das Nações Unidas para Assentamentos Humanos como uma das treze melhores experiências do País na área de habitação, infra-estrutura urbana e saneamento, levando em conta a participação popular e a parceria com a sociedade civil.
Sem alternativas
No mesmo ano da Conferência, José Reinaldo Matos, morador de Diadema, e outras 17 famílias vizinhas resolveram ocupar um pedaço de terra, pois a maioria estava desempregada e sem condições para pagar aluguel. Na tentativa desesperada de melhorar as condições de vida, organizaram a invasão de um terreno.
A ocupação
No dia 6 de outubro, as famílias partiram para o terreno que margeava o córrego Ribeirão dos Couros, próximo à divisa com São Bernardo do Campo, apenas com pedaços de tábua e ferramentas nas mãos. Depois de montarem os barracos, os ocupantes fizeram uma grande operação de limpeza, retirando 387 sacos de terra do local.
Porém, depois da limpeza, uma grande chuva fez com que o córrego transbordasse e devastasse tudo, levando dias de trabalho.
"No início, foi preciso muita coragem e determinação para enfrentar as dificuldades" afirmou José Reinaldo. Nesse clima, nascia o núcleo habitacional Seis de Outubro.
A luta continua
Depois da enchente, em vez de desistirem, os moradores elegeram uma comissão para representar o núcleo e lutar por suas causas. Uma das integrantes desse grupo era Maria da Conceição Ferreira Lopes, conhecida por participar ativamente na comissão.
Depois de reivindicarem subsídios para obras no local, os moradores ganharam da Prefeitura o material para construção de um muro de arrimo em sistema de mutirão. Desta forma, todos tiveram de colocar a "mão na massa". Dona Conceição garantia isso, passando logo cedo pela rua, batucando com um pedaço de pau numa panela para chamar todos ao trabalho.
Feito o muro de arrimo, Prefeitura e fábricas da região contribuíram com a pavimentação da via. Também foram feitas as ligações de água, esgoto e energia elétrica. Aos poucos, os moradores ficavam livres das enchentes, terminavam as obras em seus barracos e melhoravam suas fachadas, numeravam suas residências e, assim, adquiriam sua identidade social.
"O melhor do mundo"
Para Maria da Conceição, o núcleo Seis de Outubro tornou-se "o melhor lugar do mundo para morar." A última conquista dos moradores foi a "Concessão do Direito Real de Uso", um instrumento aplicado em áreas públicas já urbanizadas, que garante legalmente ao morador permanecer no local em que construiu sua casa por 90 anos.






