Manifestação pelo "pluralismo na imprensa" acontece no próximo sábado

Manifestação pelo "pluralismo na imprensa" acontece no próximo sábado

Atualizado em 11/09/2007 às 17:09, por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA.

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Na manhã do próximo sábado (15), um grupo denominado "Movimento dos Sem Mídia" (MSM) pretende se reunir em frente do jornal Folha de S.Paulo para manifestação em favor da "pluralização da mídia".

Durante o ato, com início previsto para as 10h, será lido manifesto de quase sete laudas (cerca de 14 mil toques) pelo "direito de todos os segmentos da sociedade de receber informações em lugar desse monstrengo híbrido - gerado pela promiscuidade entre a notícia e a opinião - que a mídia afirma ser jornalismo".

O "Movimento dos Sem Mídia" foi criado pelo ex-comerciante Eduardo Guimarães, que se diz "irritado" com o comportamento da imprensa, principalmente nas últimas semanas, quando notícias sobre a influência da mídia nas decisões do STF no julgamento dos envolvidos com o mensalão foram divulgadas.

"Faz muito tempo que venho querendo tomar uma atitude. Sei que uma ação como esta nunca foi tentada por quem não é engajado em nenhum movimento. Mas, no momento em que fica claro que existe um processo de desmoralização dos poderes, em que os rumos do país são decididos com base no que querem meia dúzia de famílias, é necessário fazer alguma coisa", disse Guimarães, em entrevista ao Portal IMPRENSA.

Eduardo Guimarães, 48 anos, é morador de um bairro de classe média de São Paulo, atua como gerente de exportação de uma fábrica no interior do estado e já foi leitor assíduo dos jornais O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo , mas hoje se diz contra ao que chamou de trabalho alicerçado em "critérios morais e políticos seletivos".

"Aquilo da repórter da Folha [referindo-se à matéria em que as informações foram registradas por uma repórter que presenciou conversa telefônica entre o ministro Lewandowski e seu irmão, em um restaurante de Brasília], ninguém vai me convencer que ela foi lá por acaso. Os políticos estão sendo monitorados, perseguidos", disse.

Segundo ele, o "Movimento dos Sem Mídia", que deve ser formalizado durante a manifestação de sábado, luta por uma mídia que dê voz a todo tipo de opinião e espaço para que o "outro lado" seja trabalhado sem distorções.

"No caso do Renan [Renan Calheiros, presidente do Senado], não que eu ache que ele seja inocente, mas só lemos notícias que falam contra ele. Essa unanimidade não existe. Deve haver alguém em algum lugar do país que seja a favor. Eu quero ouvir esse outro lado para formar minhas opiniões", afirma.

O local em que se dará a manifestação, de acordo com Guimarães, não foi escolhido por acaso. Segundo ele, apesar de a capital paulista ser sede de vários veículos - como TV Globo, jornal O Estado de S.Paulo e Editora Abril -, a rua Barão de Limeira tem posição "estratégica" e abriga um dos veículos mais "perigosos" do país.

"Diferentemente de outros veículos que deixam clara sua posição ideológica, a Folha tem uma capa, ela dissimula o que realmente defende. Por isso, ela faz um jornalismo perigoso", disse.

Quando perguntado se existe alguma exceção na imprensa brasileira, Guimarães reluta em responder: Não sei. A Carta Capital é uma revista que critica o governo, mas ela já assumiu que ia defender o Lula. Para mim, isso é pluralismo".

Apesar de "cerca de 100 pessoas" já terem confirmado presença na manifestação, Guimarães disse acreditar que o número de participantes é imprevisível, mas, mesmo que esteja sozinho, ele garante que ela irá acontecer. "O país não avança porque ninguém se propõe a fazer nada pelo benefício comum. Precisamos fazer alguma coisa contra esse jornalismo lavador de cérebros", conclui.

A ação inaugural do "Movimento dos Sem Mídia" está sendo divulgada - e organizada - pelo blog de Guimarães, página que conta com visita diária de cerca de 700 pessoas. Para acessá-la, .