Manifestação na Argentina atrasa distribuição dos jornais Clarín e La Nación

Manifestação na Argentina atrasa distribuição dos jornais Clarín e La Nación

Atualizado em 17/01/2011 às 08:01, por Redação Portal IMPRENSA.

Manifestação na Argentina atrasa distribuição dos jornais Clarín e La Nación

A distribuição dos jornais argentinos Clárin e La Nación foi prejudicada, no último sábado (15), por manifestantes governistas. Os protestantes, que ostentavam cartazes da Federação Gráfica de Buenos Aires, impediram a saída das publicações da gráfica, atrasando a entrega. Políticos, empresários e profissionais ligados a comunicação classificaram o ato como uma censura a liberdade de informação, segundo informou o La Nación .

A Associação de Empresas Jornalísticas da Argentina (ADEPA, na sigla em espanhol) criticou a suposta falta de empenho das autoridades locais em reprimir a manifestação. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo , o chanceler argentino Héctor Timerman chegou a ironizar o atraso na distribuição dos dois jornais em seu perfil no e defender o protesto.

Os manifestantes chegaram a ocupar as gráficas durante cinco horas no sábado, e o bloqueio foi considerado "um dos mais graves atentados à liberdade de imprensa" recente do país, segundo a ADEPA. Os manifestantes alegaram problemas sindicais e demonstraram apoio ao governo da presidente Cristina Kirchner e a seu falecido marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.

Os dois principais jornais oposicionistas do país já tiveram sua distribuição prejudicada por conta de atos sindicais. Em dezembro, o sindicato dos caminhoneiros da Argentina bloqueou a saída de veículos de entrega por mais de três horas. Os caminhoneiros alegaram estarem em assembleia nas portas das oficinas gráficas, em "solidariedade" aos trabalhadores.

No mesmo mês, seis manifestantes colocaram cadeados nos portões da gráfica AGR, impedindo, por sete dias, a entrada e saída de caminhões. O protesto bloqueou a distribuição da revista Viva, que acompanha o Clarín aos domingos, e a Rumbos , periódico dominical de outros 19 jornais no país. Para garantir que os veículos impressos fossem distribuídos, um juiz de Buenos Aires determinou ao Ministério de Segurança que tomasse as medidas necessárias.

O Clarín e o La Nación vivem em conflito com o governo de Cristina desde 2008. A presidente da Argentina chegou a acusar os proprietários dos dois jornais de terem adquirido as ações da Papel Prensa - a maior produtora de papel-jornal do país - de forma ilegal, durante a década de 1970. Segundo a denúncia do governo, as ações da empresa foram compradas durante a ditadura militar, depois que os antigos proprietários foram torturados, caracterizando transação ilegal.

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