Making Of: O Rei e suas Damas

Making Of: O Rei e suas Damas

Atualizado em 11/01/2006 às 19:01, por Pedro Venceslau e Renato Barreiros.

Por
Fotos: Adolfo e Gustavo Vargas



Era para ser apenas uma experiência provisória. Agradou tanto que as quartas-feiras passaram a ser religiosas. Quem pretende entender a crise que os jornais noticiam mas não decifram, rir dos comentários elétricos e da divergência de ponto de vista e receber algumas pílulas de bastidores que só estarão nas edições do dia seguinte, precisa assistir às "Meninas do Jô". Zileide Silva, Tereza Cruvinel, Lillian Witte Fibe, Ana Maria Tahan, Sonia Racy, Cristiana Lôbo, Lucia Hippólito e Maria Apare- cida de Aquino falam da crise política como animadas mulheres comentam uma imperdível promoção de sapatos. Aliás, nada impede que, em meio às discussões sobre a legitimidade dos recursos sem-fim que José Dirceu conseguia antes de ser cassado, um rompante as levasse a comentar, de fato, sobre uma liquidação de sapatos im-per-dí-vel.

Embora todas elas gostem bastante de falar ao mesmo tempo - algumas mais que outras, é verdade - sua participação no "Programa do Jô" tem sido uma experiência muito rica para os telespectadores, que ganham várias e diferentes opiniões sobre a crise política. Maria Aparecida de Aquino, Sonia Racy e Tereza Cruvinel, que nunca apareciam na televisão, tiveram que se acostumar com a fama. Outras, como Cristiana Lôbo, conheceu o grande público. Ana Tahan, carioca que comanda o JB , até recebeu um email apaixonado em que era pedida em casamento por um expectador de Santa Catarina, lido, no ar, pelo Jô Soares. Assim são as "Meninas do Jô".

Faltam mais ou menos quarenta minutos para o programa começar e nem sinal das meninas no camarim principal do "Programa do Jô". Nossa equipe já está avisada: "A conversa tem que ser rápida". São 17h20. Às 18 horas em ponto elas têm que correr para o estúdio, devidamente maquiadas. De lá, correm para o aeroporto e, desembarcando, correm para outros compromissos. Toda quarta-feira é assim mesmo, uma correria. Eis que, do Rio, chegam juntas Ana Maria Tahan e Lucia Hippólito. A primeira, que é chefe de redação do Jornal do Brasil , não desgruda do telefone um minuto. "Toda quarta é uma loucura. Vou da redação, no Rio, até o estúdio, em São Paulo, fechando o jornal pelo celular. Me descrevem como está o desenho da primeira página enquanto vou fazendo as manchetes. Quando acaba o programa, começa o fechamento. Eles (redação) vão lendo os textos enquanto estou no táxi e vou arrumando do jeito que eu gosto. Chego no Rio e vou para redação fazer a última revisão antes de descer a página."

Haja fôlego. "Isso é bom porque a gente leva muita coisa quente para debater no estúdio", completa Lucia, enquanto recebe os últimos retoques na maquiagem. A correria não é menor para ela, que pelo telefone, de tempos em tempos, entra ao vivo na Rádio CBN.

Ping-Pong

IMPRENSA - Como vocês chegaram aos sete nomes que hoje se revezam no programa? (Zileide Silva, Lilliam Witte Fibe, Ana Tahan, Sonia Racy, Cristiana Lôbo, Lucia Hippólito, Maria Aparecida de Aquino)
Jô - A gente viu, pelos jornais, quais eram as mulheres top de linha no assunto [crise]. Algumas que chamamos, não toparam. Depois, fizemos um esquema de rodízio para não jogar com um time só e respeitar os compromissos de cada uma. Tinha que haver uma certa química para ver que time combinava mais. Hoje, são sete mulheres.

IMPRENSA - Por que vocês decidiram convidar apenas mulheres para debater a crise?
Jô - Essa mesa nasceu da intuição. Foi idéia da Anne Porlan e do Hilton Marques. Em análise política, geralmente, o homem fica formal e excessivamente sério. Já a mulher se solta e deixa o clima mais ameno. Existem coisas que na boca de um homem soariam como uma barbaridade.

IMPRENSA - Você se considera uma pessoa de esquerda?
Jô - Me considero um anarquista, no melhor sentido da palavra. Minha posição é como a da Lucia Hippólito: ela diz que está tranqüila porque o pessoal do PT acha que ela é do PSDB, e viceversa. Comigo é assim: se entrevisto alguém do PT, dizem que sou do PSDB, se o entrevistado é do PSDB, falam que sou petista. Do ponto de vista social, posso ser considerado de esquerda. Mas não gosto de ser rotulado.


Leia a matéria completa na edição 209 (janeiro-fevereiro) de Imprensa