Mais um jornalista foge da Bolívia por sofrer perseguição do governo

Mais um jornalista fugiu da Bolívia depois de sofrer ameaças de altos funcionários do governo. A nova vítima é Carlos Valverde, que foi acusado de mentir em suas investigações sobre o presidente Evo Morales.

Atualizado em 03/06/2016 às 17:06, por Redação Portal IMPRENSA.

depois de sofrer ameaças de altos funcionários do governo. A nova vítima é Carlos Valverde, que foi acusado de mentir em suas investigações sobre o presidente Evo Morales.

Crédito:Reprodução Jornalista acusa governo de Evo Morales de perseguição
Segundo o blog Jornalismo nas Américas, o comunicador decidiu se refugiar na Argentina após declarações oficiais do ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, e da ministra da Comunicação, Marianela Paco. Valverde afirma que não vai pedir asilo, pois gostaria de voltar ao seu país quando a situação melhorar, mas ressalta que continuará publicando seus relatórios.

Ele foi responsável pela investigação de um suposto tráfico de influência feito por Morales, que visava entregar contratos a uma empresa chinesa da qual sua ex-mulher, Gabriela Zapata, era gerente comercial. O jornalista ainda teria descoberto uma certidão de nascimento de um suposto filho do presidente boliviano com Gabriela.

Após saber da saída de Valverde do país, Morales publicou em seu Twitter que “aquele que se esconde ou escapa é um criminoso”, querendo deslegitimar o discurso de que o jornalista está sofrendo perseguição.

O caso acontece em meio a uma série de outras situações que vem preocupando órgãos de imprensa nacionais e internacionais. A Associação Nacional de Imprensa da Bolívia (ANP) afirmou que "dizer que os meios de comunicação e jornalistas proeminentes e bem conhecidos estão organizados com o objetivo de desestabilizar o governo é um argumento que cai sob sua própria fragilidade devido ao prestígio ganho por jornalistas dignos e reconhecidos".

Já a ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) disse que esse clima de hostilidade para com os jornalistas não pode continuar. "Os insultos, processos ilegais e campanhas de difamação por altos funcionários contra jornalistas do seu próprio país são intoleráveis e estão incentivando um nível de auto-censura que é extremamente prejudicial para a liberdade de imprensa”.