Mais um jornalista americano é detido na Rússia em retaliação a apoio à Ucrânia

A Justiça russa decidiu hoje pela prorrogação até dezembro da detenção da jornalista americana Alsu Kurmasheva. Repórter da Radio Free Europe/Radio Liberty, veículo de comunicação financiado pelo Congresso dos Estados Unidos, ela também tem cidadania russa e mora em Praga, República Tcheca.

Atualizado em 23/10/2023 às 17:10, por Redação Portal IMPRENSA.


A defesa da profissional de imprensa alega que ela viajou para a Rússia em função de uma emergência familiar. Acusada de não ter se registrado como "agente estrangeira", ela foi detida na semana passada, quando teve seu passaporte americano e o documento de viagem russo confiscados.
Promotores russos acusam Kurmasheva de não ter cumprido as rigorosas obrigações administrativas impostas a pessoas ou entidades classificadas como "agente estrangeiro". A jornalista pode ser condenada a até cinco anos de prisão. Crédito: Alexander Nemenov/AFP Jornalista americana Alsu Kurmasheva, oficialmente detida por não cumprir obrigações administrativas Além de declaração financeira especial, a Justiça russa alega que qualquer publicação de Kurmasheva, incluindo postagens nas redes sociais, deveria ter recebido a menção de "agente estrangeiro".
Ucrânia

Entidades de defesa da liberdade de imprensa, porém, alegam que sua detenção é mais uma retaliação aos Estados Unidos, que vem apoiando a Ucrânia no contexto da invasão russa iniciada no ano passado.
Em março deste ano, no primeiro caso do gênero desde o fim da Guerra Fria, o jornalista norte-americano Evan Gershkovich, repórter do Wall Street Journal, foi preso pelo serviço de segurança da Rússia, o FSB, sob acusação de espionagem. Ele continua detido em Moscou.
A última prisão de um jornalista dos EUA na Rússia por acusação de espionagem havia ocorrido em setembro de 1986. Na ocasião, o repórter Nicholas Daniloff, correspondente em Moscou do U.S. News and World Report, foi preso pela KGB - a antecessora da FSB. Daniloff foi libertado 20 dias depois, em uma troca por um funcionário da União Soviética nas Nações Unidas, que havia sido preso pelo FBI.
Oficialmente o jornalista do WSJ foi detido por tentar obter informações governamentais secretas sobre uma estação militar da Rússia.
O Wall Street Journal nega veementemente as alegações das autoridades russas e em buscado sem sucesso a libertação do repórter.
Gershkovich escrevia sobre a Rússia desde 2017 e já trabalhou no jornal The Moscow Times e na agência de notícias francesa Agence-France Presse.