Mais dois anos na escola. E a qualidade? - por Alberto Júnior/UEMA
Mais dois anos na escola. E a qualidade? - por Alberto Júnior/UEMA
A Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação promoveu um encontro nacional para discutir a ampliação do ensino fundamental no Brasil, o objetivo é equiparar nosso sistema ao dos outros países do Mercosul. Isso já está previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB).
Resta saber se o próprio Estado dará condições para que esta seja uma mudança significativa ou será apenas burocrática visando política internacional. Aumentar a permanência do aluno na escola não quer dizer maior aprendizado, caso o continuísmo permaneça imperando no sistema educacional como acontece atualmente.
O §1º do Art. 26 da LDB que trata dos currículos nos níveis fundamental e médio, prevê o ensino de artes de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. Contudo, não observa que a história da arte, disciplina obrigatória em qualquer instituição nos países desenvolvidos, deve ser explorada ao máximo.
As crianças têm que conhecer os grandes gênios das diversas vertentes artísticas e compreendê-los como tal. É repugnante a alienação dessa Educação Artística inventada por quem tem preguiça que dói e prefere o superficial ao esplendoroso clarear do pensamento. Defendem eles que as crianças não entenderiam Monalisa, Tom Jobim, Portinari ou Beethoven. Esquecem que elas são bombardeadas com este turbilhão de conhecimento através dos desenhos animados, filmes infantis e gibis.
As produções da Disney são cheias de viagens pelo mundo da arte, ouve-se música clássica como fundo musical para as cenas, as personagens conhecem e brincam com obras tombadas pelo patrimônio mundial. Mas a quase totalidade dos professores não lembram da infância e ignoram esta ferramenta de auxílio. É mais cômodo fazer os alunos desenharem quadrados, triângulos, círculos e outras formas geométricas que soltas no papel não representam coisa alguma.
No §2º do mesmo artigo da LDB há uma preocupação com o conhecimento Físico e Natural e da realidade social e política, o curioso é que dita obrigatoriedade das disciplinas Língua Portuguesa e Matemática para tanto. Espere um instante, como conhecer o Físico, o natural, entender a realidade social e se tornar um indivíduo politizado sem desfrutar dos ensinamentos da Filosofia?
Nesse país somos deficientes de raciocínio e isso não será resolvido se passarmos mais tempo na escola. Todo o conhecimento humano vem do pensamento e comportamento dos filósofos gregos de 2.500 anos atrás. Por que jogar na lata do lixo Platão, Anaximandro, Sócrates ou Tales de Mileto, para citar alguns? As crianças conhecem estes pensadores dos filminhos animados que assistem diariamente, basta que a escola saiba aproveitar a visão de mundo do aluno.
Em toda a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira não se encontra valorização do intelecto da educação infantil ao ensino superior. Aliás, é fácil encontrar universitários esquentando acentos em salas de aula sem conhecer coisa alguma de nada, inclusive profissionais graduados alheios ao mundo em que vivem e o saber produzido pelo homem.
Que o aumento do ensino fundamental, pelo menos, traga benefícios às gerações futuras. Do contrário, teremos estudantes cansados da escola e o inevitável crescimento dos índices de evasão escolar, repetência e números cada vez maiores de vagas nas faculdades pela insuficiência intelectual dos vestibulandos.






