"Mais do que uma crítica, é uma cobrança”, afirma Paula Sacchetta sobre documentário
O Brasil tem fama de ser um país sem memória, principalmente por não “acertar as contas” com seu passado. Quase 50 anos depois do golpe militar, que instaurou a ditadura militar brasileira (1964-1985) surge, em 2012, a Comissão Nacional da Verdade (Lei 12.
Atualizado em 25/10/2013 às 15:10, por
Gabriela Ferigato.
528/2011), que visa investigar violações de direitos humanos neste período obscuro. Nesse contexto, Paula Sacchetta e Peu Robles lançaram durante a 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo o documentário “Verdade 12.528”. Crédito:Peu Robles Os diretores do documentário Paula Sacchetta e Peu Robles “Afinal, que crimes daquele período ainda estão sem averiguação e continuam impunes? Quantos foram mortos, como foram mortos, quem os assassinou? Onde estão os corpos de pais, irmãos, irmãs, filhos e filhas de centenas de cidadãos brasileiros? Até onde chegará o trabalho da Comissão da Verdade e o que a população espera dela?”. Essas são algumas questões abordadas pelo filme.
O projeto, que arrecadou R$18.350,00 em 45 dias no Catarse, conta com o depoimento de mais de 40 pessoas naturais de São Paulo (SP), Jales (SP) e Araguaia (MT) – região palco da célebre guerrilha envolvendo militantes do Partido Comunista do Brasil, perseguidos e massacrados pelo Exército nacional.
“Nossos entrevistados tinham um posição crítica em relação a Comissão da Verdade. Muitas pessoas esperaram muito por ela, mas estão, de certa forma, desacreditadas pela lei que foi aprovada, pois julgam que ela é tímida/ engessada. O filme, mais do que uma crítica, é uma cobrança”, afirma a jornalista Paula Sacchetta, que, em 2012, ganhou o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria revista, ao lado de outros jornalistas, com uma matéria sobre a Comissão.
Uma das histórias retratadas no filme é de Regina e Dona Ottília Berbert, irmã e mãe de Ruy Carlos Vieira Berbert, desaparecido desde 1972. Ruy Carlos era militante do Molipo (Movimento de Libertação Popular), foi preso em Natividade à época Goiás, hoje Tocantins, e três dias depois apareceu enforcado em sua cela. “A família chegou a fazer um enterro sem ter o corpo dele. Isso mostra o desespero da família e a importância de um corpo para concretizar o luto. Essa história é muito simbólica para mim ao mostrar que não é uma página virada”, completa.
Crédito:Peu Robles
Regina e Dona Otti´lia Vieira Berbert De acordo com Paula, a comissão, por mais tímida que seja, é importante porque colocou o tema ditadura em pauta. “Acho que em relação à cobertura da imprensa existe algo mais factual. Se a comissão encontra algum documento ou foto, isso sai na mídia. Mas são poucas as matérias investigativas que correm atrás de uma grande história ou fazem um resgate”, opina.
Durante o documentário, a jornalista ressalta a preocupação de fazer uma ponte entre o passado e o presente. “A impunidade do passado dá carta branca para a do presente. A violência policial que vemos hoje é um exemplo. O Amarildo só é desaparecido hoje, em 2013, porque quem torturou, matou e desapareceu com corpos no passado está impune [hoje]”, finaliza.
Confira o Trailer:
Ficha Técnica: Direção e produção: Paula Sacchetta e Peu Robles Montagem e finalização: André Dib Música original: André Balboni Som direto: André Mascarenhas Cor: Pedro Moscalcoff Efeitos: Alison Zago Mixagem: Gui Jesus Toledo Produtora de áudio: Estúdio Canoa Realização: João e Maria.doc

O projeto, que arrecadou R$18.350,00 em 45 dias no Catarse, conta com o depoimento de mais de 40 pessoas naturais de São Paulo (SP), Jales (SP) e Araguaia (MT) – região palco da célebre guerrilha envolvendo militantes do Partido Comunista do Brasil, perseguidos e massacrados pelo Exército nacional.
“Nossos entrevistados tinham um posição crítica em relação a Comissão da Verdade. Muitas pessoas esperaram muito por ela, mas estão, de certa forma, desacreditadas pela lei que foi aprovada, pois julgam que ela é tímida/ engessada. O filme, mais do que uma crítica, é uma cobrança”, afirma a jornalista Paula Sacchetta, que, em 2012, ganhou o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria revista, ao lado de outros jornalistas, com uma matéria sobre a Comissão.
Uma das histórias retratadas no filme é de Regina e Dona Ottília Berbert, irmã e mãe de Ruy Carlos Vieira Berbert, desaparecido desde 1972. Ruy Carlos era militante do Molipo (Movimento de Libertação Popular), foi preso em Natividade à época Goiás, hoje Tocantins, e três dias depois apareceu enforcado em sua cela. “A família chegou a fazer um enterro sem ter o corpo dele. Isso mostra o desespero da família e a importância de um corpo para concretizar o luto. Essa história é muito simbólica para mim ao mostrar que não é uma página virada”, completa.
Crédito:Peu Robles
Regina e Dona Otti´lia Vieira Berbert De acordo com Paula, a comissão, por mais tímida que seja, é importante porque colocou o tema ditadura em pauta. “Acho que em relação à cobertura da imprensa existe algo mais factual. Se a comissão encontra algum documento ou foto, isso sai na mídia. Mas são poucas as matérias investigativas que correm atrás de uma grande história ou fazem um resgate”, opina. Durante o documentário, a jornalista ressalta a preocupação de fazer uma ponte entre o passado e o presente. “A impunidade do passado dá carta branca para a do presente. A violência policial que vemos hoje é um exemplo. O Amarildo só é desaparecido hoje, em 2013, porque quem torturou, matou e desapareceu com corpos no passado está impune [hoje]”, finaliza.
Confira o Trailer:
Ficha Técnica: Direção e produção: Paula Sacchetta e Peu Robles Montagem e finalização: André Dib Música original: André Balboni Som direto: André Mascarenhas Cor: Pedro Moscalcoff Efeitos: Alison Zago Mixagem: Gui Jesus Toledo Produtora de áudio: Estúdio Canoa Realização: João e Maria.doc
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