Mais da metade dos jornalistas sofre censura e autocensura na Bolívia, aponta pesquisa

Pesquisa apontou que 54% dos profissionais revelaram ter sofrido censura e 59% foram autocensurados.

Atualizado em 23/04/2014 às 14:04, por Redação Portal IMPRENSA.


Virginie Poyetton, pesquisadora da ONG Comundo de la Fundación UNIR, revelou que mais da metade dos jornalistas na Bolívia admitiram já ter sofrido censura ou autocensura durante sua vida profissional.

Segundo o blog Jornalismo nas Américas, a declaração foi feita em uma apresentação do livro de Virginie, intitulado “Censura e autocensura jornalística na Bolívia. Uma perspectiva da própria profissão”.
A pesquisa apontou que 54% dos repórteres consultados admitiram sofrer algum tipo de censura durante o exercício da profissão, enquanto 59% disseram ser vítimas de autocensura. Do total, 83% afirmaram ter conhecimento de colegas que foram censurados, algo que poderia indicar um número real maior de censuras, revelou a pesquisadora.
“A plena liberdade de imprensa é um dos requisitos mais importantes para a existência de uma democracia plural”, ressaltou Poyetton. “Por isso, o que se está em jogo com a (auto)censura é a própria liberdade de expressão e informação da cidadania”.
As maiores fontes de repressão da imprensa no país foram as autoridades nacionais, estaduais e locais de governo e os anunciantes públicos e privados. Além disso, 28% dos temas censurados geravam conflitos com o governo e 26% afetavam interesses de anunciantes.
Cerca de 61% dos profissionais que optaram por não publicar matérias, argumentaram que agiram pela ética jornalística, pois retrataram temas envolvendo crianças e adolescentes, moral pública, e atos violentos.
Em contrapartida, a opinião dos jornalistas sobre os temas que os colegas não publicaram é diferente. Os números mostram que 24% dos assuntos poderiam afetar anunciantes, 17% geravam conflitos com o governo e outros 17% eram relacionados à corrupção.
Para a pesquisadora, os altos níveis de censura e autocensura se devem, em parte, à falta de formação ética e jornalística em comunicadores, à precariedade do trabalho e ao medo de perder o emprego.
O livro de Virginie Poyetton é baseado em uma pesquisa com a ONG Comundo de la Fundación UNIR, na qual foram aplicados questionários com 54 jornalistas anônimos das cidades de Santa Cruz, Cochabamba e La Paz.
VI “Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia”
IMPRENSA promove o VI Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, no próximo dia 6 de maio, das 10h às 19h, no Museu da Imprensa Nacional, em Brasília (DF). As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site do evento.
O fórum contará com a presença de importantes profissionais de imprensa, como Alexandre Jobim, vice-presidente do Grupo RBS em Brasília; Ministro Ayres Britto, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF); Cristina Serra, repórter do "Jornal Nacional"; Denise Rothenburg, repórter especial do Correio Braziliense ; Eliane Cantanhêde, colunista de Política da Folha de S.Paulo ; Ricardo Gandour, diretor de conteúdo do Grupo Estado; e Milton Blay, correspondente e colunista da Rádio Bandeirantes e BandNews FM.