Maioria dos crimes contra jornalistas no Brasil possui motivação política, aponta Fenaj

Atualizado em 22/11/2012 às 16:11, por Luiz Gustavo Pacete.

Dos 23 casos de violência contra jornalistas em 2011, 16 estão relacionados a problemas políticos e sete têm a ver com violências policiais. O levantamento feito pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) aponta que grande parte dos casos de violência e atentados contra a liberdade de imprensa no País é motivada por reportagens com temas “políticos ou relacionados à administração pública”.

José Augusto Camargo, secretário-geral da Fenaj, aponta que o problema é reforçado por poderes autoritários em pequenas cidades do país. “Nossas instituições, na maioria das vezes, não possuem uma feição republicana. Esses poderes são autoritários e dominadores”. Camargo explica que esses atentados não causam comoção pública, o que é ruim, pois não ganham divulgação. “Veículos menores escondem essa violência, mas ela tem que ser combatida por meio de instrumentos legais”.
José Augusto Camargo O jornalista explica que a falta de uma Lei de Imprensa agrava a situação e representa um vão jurídico. “Não ter nenhuma lei cria um vácuo, as pessoas não têm direito de resposta, algo que tipifique o crime de imprensa em que a empresa tem parte, não tem tipificação legal”.

O levantamento da Fenaj mostra que a região Sudeste é a mais perigosa para o exercício da profissão alternando posição com as regiões Nordeste e Centro Oeste. A região Sul é a única que se mantém na posição que não apresenta casos de violência contra jornalistas.