Lula critica decadência do jornalismo e questiona modelo de entrevistas do “JN”

Lula afirma que, no jornalismo atual, os entrevistadores respondem antes de perguntar. Para ele, tal atitude demonstra falta de respeito.

Atualizado em 16/09/2014 às 13:09, por Redação Portal IMPRENSA.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o comportamento da imprensa brasileira, durante ato realizado com a presença de intelectuais e artistas que apoiam a reeleição de Dilma Rousseff no Rio de Janeiro, na noite da última segunda-feira (15/9). O petista lamentou a eventual decadência da qualidade do jornalismo e questionou o modelo de entrevistas do “JN”.
Crédito:Ricardo Stuckert/Instituto Lula Ex-presidente apontou decadência do jornalismo no país
Segundo o blog Terra Magazine, Lula fez referências indiretas à Rede Globo e à série de entrevistas com os presidenciáveis no principal telejornal da emissora, onde os apresentadores indagaram os candidatos sobre temas polêmicos de respectivas campanhas. “O jornalismo antes tinha uma coisa fantástica: os jornalistas faziam as perguntas para a gente responder. Hoje eles respondem pra gente perguntar”.
“Vocês já perceberam que não tem mais pergunta? Eles não querem saber o que vossa excelência pensa. Eles querem saber só o que eles pensam sobre você e o que querem dizer para a sociedade. Ou seja, aumentou a falta de ética e a falta de respeito”, disse o ex-presidente.

Por conta da posição crítica, Willian Bonner e Patrícia Poeta foram criticados por militâncias de todos os partidos. O âncora do "JN" chegou a fazer comentários sobre o caso nas redes sociais. “Fiz e farei as perguntas que os candidatos prefeririam não ouvir”, se defendeu.

Diante de atores, inclusive da Globo, Lula disse que a imprensa perde a credibilidade quando deixa de lado a objetividade jornalística e começa a atacar um adversário apenas. "A imprensa começa a perder o respeito quando deixa de cumprir o papel de informar a verdade, seja contra ou a favor”, afirmou.
“O que não pode é todo santo dia inventar uma mentira contra essa mulher [Dilma]. (…) A imprensa escrita pode fazer o que bem entender, desde que não precise de dinheiro do governo para sobreviver. O que não é possível é as concessões do Estado [as televisões e rádios] terem o comportamento que têm”, acrescentou.

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