Luiz Megale aposta na linguagem descontraída do rádio para decolar novo “Café com Jornal”
Acordar cedo, e ainda por cima, de bom humor, é missão para poucos. Mas, nada que o jornalista Luiz Megale já não esteja acostumado. Ao longo de sua carreira, acordar antes das cinco da manhã se tornou rotina.
Atualizado em 03/06/2014 às 14:06, por
Danúbia Paraizo.
Os ouvintes mais antigos da Band News FM, muito provavelmente, devem se recordar de suas gargalhadas ao lado de Ricardo Boechat e do colunista José Simão na rádio.
Crédito:Divulgação Megale foi correspondente em Nova York antes de assumir a bancada do "Café com Jornal" Apesar de hoje o bom humor na programação ser marca registrada da emissora, a audiência nem sempre foi receptiva à novidade. Até que os ouvintes se acostumassem com o modelo menos sisudo herdado das rádios que operavam no AM, a direção do Grupo Bandeirantes precisou ser paciente.
Refletindo sobre o exemplo da rádio, Megale faz um paralelo com a estreia do “Café com Jornal”, nova aposta da Band para as manhãs na TV. Com um formato semelhante aos jornalísticos norte-americanos, em que a irreverência dos apresentadores torna o noticiário mais agradável e próximo do telespectador, o modelo tende a ser “o futuro do jornalismo”, defende ele, que é um dos âncoras da atração.
“Quando a Band News FM surgiu, diziam que ela não era uma rádio de notícias, porque as pessoas estavam acostumadas com um modelo antiquíssimo. O ‘Café com Jornal’, talvez, esteja causando a mesma estranheza para quem está acostumado a acompanhar o noticiário convencional de TV. Mas a nossa aposta é que aquele noticiário mais sisudo, em que o apresentador mais parece um robô, se não está fadado ao fim, já está desgastado”.
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, o jornalista começou a carreira na rádio Jovem Pan como estagiário, se especializando em coberturas internacionais já como repórter. Na Band News, integrou a equipe que deu start na rádio em 2005, além de ancorar a transmissão no período da manhã até 2011, quando foi chamado para ser correspondente da Band em Nova York.
Apesar de as reportagens para o “Jornal da Band” serem basicamente sua única experiência com TV antes de assumir a apresentação do “Café com Jornal”, em maio deste ano, Megale se diz grato pela confiança da emissora. “Não sei exatamente o que deu na cabeça deles de colocar um quase iniciante em frente às câmeras, mas fico feliz por ter recebido esse voto de confiança”, desabafa ele, que ancora a atração ao lado da jornalista Aline Midlej.
Em entrevista exclusiva à IMPRENSA, o apresentador fala sobre a concepção do novo jornalístico, de sua experiência com o rádio e como aproveitá-la na TV, além das expectativas em relação à audiência do “Café com Jornal”.
IMPRENSA – A sua experiência com TV é relativa mente curta. Como surgiu o convite para apresentar o “Café com Jornal”? Luiz Megale - O novo diretor de jornalismo da Band, o André Luiz Costa, e o Fernando Mitre [diretor nacional de jornalismo e de esportes da Rede Bandeirantes] me ligaram em novembro do ano passado, quando eu estava em Nova York, e me explicaram o projeto. Até então, o programa teria duas horas, depois sentimos que ele teria fôlego para mais uma. Acompanhando os noticiários norte-americanos, via como eles eram feitos de uma maneira diferente do jornalismo no Brasil. Senti que aqui também daria certo.
O que pesou na sua decisão de voltar ao Brasil, mesmo ocupando o cargo de correspondente? Eu realizei um sonho indo para Nova York. Era o que eu desejava na profissão em algum dia. Imaginei que isso demoraria muito mais. Não me importaria de ficar por lá mais dois, três ou cinco anos, mas sentia que aquilo não era o ponto final. Sou muito novo ainda, posso implementar muita coisa e senti que se ficasse lá estaria de fora de uma mudança importante pela qual a Band vai passar nos próximos anos. Então, decidi interromper esse período muito bacana. Quem sabe no futuro eu volto para lá?
Qual foi o seu envolvimento com a concepção do programa? Tive envolvimento total. Claro que a ideia de fazer um jornalístico matutino partiu da direção. Mas, a partir do momento que eu voltei para o Brasil, em janeiro, participei inteiramente da concepção do programa. Não é um projeto só meu, mas também de outros profissionais, como a Aline Midlej, os editores executivos e o editor chefe. Todos ajudam a dar uma cara ao programa. Eu e a Aline estamos bem distantes de sermos apresentadores leitores de TP. Crédito:Divulgação Jornalista defende um modelo de apresentador mais próximo ao telespectador Você tem bastante experiência com o rádio. Quais foram as principais mudanças que sentiu na TV? A TV é muito mais complexa. O esforço para colocar um programa em pé é muito maior. No rádio tem essa coisa mágica de fazer um programa com um celular nas mãos e um microfone. Na TV, a gente se vê envolvido com produtores, pauteiros, editores, muita gente participando. Quem trabalha com rádio não está tão acostumado a dividir tanto as funções. Isso ao mesmo tempo ajuda e atrapalha, porque a gente não conhece direito a linguagem.
Como tem sido o desafio de ancorar um programa ao vivo por três horas? Eu já tive vários momentos de pânico de me perguntar: ‘o que eu estou fazendo aqui? Eu poderia estar no Central Park agora. No que será que eles [direção da Band] estavam pensando?’. O André me conhece, trabalhou comigo por muito tempo na Band News. Ele e o Mitre certamente enxergaram alguma coisa em mim que se encaixava com o que buscavam. A linguagem que eu utilizava no rádio, talvez, não sei exatamente o que deu na cabeça deles de colocarem um quase iniciante em frente às câmeras, mas fico feliz por ter recebido esse voto de confiança.
O “Café com Jornal” tem transmitido quadros da rádio Band News ao vivo na TV. De onde veio essa proposta? Passei seis anos dividindo estúdio com o Ricardo Boechat, e sempre quis, assim como os ouvintes da Band News FM, que ele tivesse uma atuação parecida na TV. Mas a gente sempre ouviu e acreditou que a linguagem televisiva não permitia. O “Café com Jornal” está provando que a linguagem radiofônica serve também para TV. Se for feita de maneira bem pensada, com bons profissionais, essa é uma grande inovação. Dizem que o apresentador de TV deve estar impecável. Não necessariamente. O que importa é o conteúdo e a gente está mostrando isso.
Quais outros diferenciais tem o programa? É um jornal muito diferente dos outros. Não é uma revista eletrônica, nem um programa de variedades. É um noticiário que dá informações de forma diferente. Temos um toque de bola rápido. A gente se propõe fazer um jornalismo dinâmico, com assuntos que interessam. A gente trata alguns assuntos que fazem parte da terceira divisão do jornalismo com a mesma importância e cerimônia que merecem os temas ditos de elite. Se tem relevância para quem está assistindo, tem para a gente também.
Como tem sentido a aceitação do jornalístico? O “Café com Jornal” talvez esteja causando alguma estranheza para quem está acostumado a acompanhar o noticiário convencional. Mas, a nossa aposta é que aquele noticiário mais sisudo, em que o apresentador mais parece um robô, se não está fadado ao fim, está desgastado. Precisa de um sopro de renovação. É isso que a gente espera trazer para a TV, não só no horário da manhã.
O “Café com Jornal” começou com uma média de 0,5 ponto de audiência. Isso reflete essa possível estranheza do público? Nesse primeiro momento, não estamos preocupados com a audiência. A preocupação é entregar um produto atraente, algo de qualidade. O horário da manhã é um período difícil para promover mudanças. Diferentemente da noite, em que a pessoa chega no sofá e fica zapeando os canais, quem assiste TV de manhã normalmente acorda, deixa em um canal e vai resolver suas coisas. E a TV acompanha essa pessoa como se fosse um rádio. É por isso que esse formato radiofônico tem tudo para funcionar na TV. Impressiona ninguém nunca ter tentado.

Crédito:Divulgação Megale foi correspondente em Nova York antes de assumir a bancada do "Café com Jornal" Apesar de hoje o bom humor na programação ser marca registrada da emissora, a audiência nem sempre foi receptiva à novidade. Até que os ouvintes se acostumassem com o modelo menos sisudo herdado das rádios que operavam no AM, a direção do Grupo Bandeirantes precisou ser paciente.
Refletindo sobre o exemplo da rádio, Megale faz um paralelo com a estreia do “Café com Jornal”, nova aposta da Band para as manhãs na TV. Com um formato semelhante aos jornalísticos norte-americanos, em que a irreverência dos apresentadores torna o noticiário mais agradável e próximo do telespectador, o modelo tende a ser “o futuro do jornalismo”, defende ele, que é um dos âncoras da atração.
“Quando a Band News FM surgiu, diziam que ela não era uma rádio de notícias, porque as pessoas estavam acostumadas com um modelo antiquíssimo. O ‘Café com Jornal’, talvez, esteja causando a mesma estranheza para quem está acostumado a acompanhar o noticiário convencional de TV. Mas a nossa aposta é que aquele noticiário mais sisudo, em que o apresentador mais parece um robô, se não está fadado ao fim, já está desgastado”.
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, o jornalista começou a carreira na rádio Jovem Pan como estagiário, se especializando em coberturas internacionais já como repórter. Na Band News, integrou a equipe que deu start na rádio em 2005, além de ancorar a transmissão no período da manhã até 2011, quando foi chamado para ser correspondente da Band em Nova York.
Apesar de as reportagens para o “Jornal da Band” serem basicamente sua única experiência com TV antes de assumir a apresentação do “Café com Jornal”, em maio deste ano, Megale se diz grato pela confiança da emissora. “Não sei exatamente o que deu na cabeça deles de colocar um quase iniciante em frente às câmeras, mas fico feliz por ter recebido esse voto de confiança”, desabafa ele, que ancora a atração ao lado da jornalista Aline Midlej.
Em entrevista exclusiva à IMPRENSA, o apresentador fala sobre a concepção do novo jornalístico, de sua experiência com o rádio e como aproveitá-la na TV, além das expectativas em relação à audiência do “Café com Jornal”.
IMPRENSA – A sua experiência com TV é relativa mente curta. Como surgiu o convite para apresentar o “Café com Jornal”? Luiz Megale - O novo diretor de jornalismo da Band, o André Luiz Costa, e o Fernando Mitre [diretor nacional de jornalismo e de esportes da Rede Bandeirantes] me ligaram em novembro do ano passado, quando eu estava em Nova York, e me explicaram o projeto. Até então, o programa teria duas horas, depois sentimos que ele teria fôlego para mais uma. Acompanhando os noticiários norte-americanos, via como eles eram feitos de uma maneira diferente do jornalismo no Brasil. Senti que aqui também daria certo.
O que pesou na sua decisão de voltar ao Brasil, mesmo ocupando o cargo de correspondente? Eu realizei um sonho indo para Nova York. Era o que eu desejava na profissão em algum dia. Imaginei que isso demoraria muito mais. Não me importaria de ficar por lá mais dois, três ou cinco anos, mas sentia que aquilo não era o ponto final. Sou muito novo ainda, posso implementar muita coisa e senti que se ficasse lá estaria de fora de uma mudança importante pela qual a Band vai passar nos próximos anos. Então, decidi interromper esse período muito bacana. Quem sabe no futuro eu volto para lá?
Qual foi o seu envolvimento com a concepção do programa? Tive envolvimento total. Claro que a ideia de fazer um jornalístico matutino partiu da direção. Mas, a partir do momento que eu voltei para o Brasil, em janeiro, participei inteiramente da concepção do programa. Não é um projeto só meu, mas também de outros profissionais, como a Aline Midlej, os editores executivos e o editor chefe. Todos ajudam a dar uma cara ao programa. Eu e a Aline estamos bem distantes de sermos apresentadores leitores de TP. Crédito:Divulgação Jornalista defende um modelo de apresentador mais próximo ao telespectador Você tem bastante experiência com o rádio. Quais foram as principais mudanças que sentiu na TV? A TV é muito mais complexa. O esforço para colocar um programa em pé é muito maior. No rádio tem essa coisa mágica de fazer um programa com um celular nas mãos e um microfone. Na TV, a gente se vê envolvido com produtores, pauteiros, editores, muita gente participando. Quem trabalha com rádio não está tão acostumado a dividir tanto as funções. Isso ao mesmo tempo ajuda e atrapalha, porque a gente não conhece direito a linguagem.
Como tem sido o desafio de ancorar um programa ao vivo por três horas? Eu já tive vários momentos de pânico de me perguntar: ‘o que eu estou fazendo aqui? Eu poderia estar no Central Park agora. No que será que eles [direção da Band] estavam pensando?’. O André me conhece, trabalhou comigo por muito tempo na Band News. Ele e o Mitre certamente enxergaram alguma coisa em mim que se encaixava com o que buscavam. A linguagem que eu utilizava no rádio, talvez, não sei exatamente o que deu na cabeça deles de colocarem um quase iniciante em frente às câmeras, mas fico feliz por ter recebido esse voto de confiança.
O “Café com Jornal” tem transmitido quadros da rádio Band News ao vivo na TV. De onde veio essa proposta? Passei seis anos dividindo estúdio com o Ricardo Boechat, e sempre quis, assim como os ouvintes da Band News FM, que ele tivesse uma atuação parecida na TV. Mas a gente sempre ouviu e acreditou que a linguagem televisiva não permitia. O “Café com Jornal” está provando que a linguagem radiofônica serve também para TV. Se for feita de maneira bem pensada, com bons profissionais, essa é uma grande inovação. Dizem que o apresentador de TV deve estar impecável. Não necessariamente. O que importa é o conteúdo e a gente está mostrando isso.
Quais outros diferenciais tem o programa? É um jornal muito diferente dos outros. Não é uma revista eletrônica, nem um programa de variedades. É um noticiário que dá informações de forma diferente. Temos um toque de bola rápido. A gente se propõe fazer um jornalismo dinâmico, com assuntos que interessam. A gente trata alguns assuntos que fazem parte da terceira divisão do jornalismo com a mesma importância e cerimônia que merecem os temas ditos de elite. Se tem relevância para quem está assistindo, tem para a gente também.
Como tem sentido a aceitação do jornalístico? O “Café com Jornal” talvez esteja causando alguma estranheza para quem está acostumado a acompanhar o noticiário convencional. Mas, a nossa aposta é que aquele noticiário mais sisudo, em que o apresentador mais parece um robô, se não está fadado ao fim, está desgastado. Precisa de um sopro de renovação. É isso que a gente espera trazer para a TV, não só no horário da manhã.
O “Café com Jornal” começou com uma média de 0,5 ponto de audiência. Isso reflete essa possível estranheza do público? Nesse primeiro momento, não estamos preocupados com a audiência. A preocupação é entregar um produto atraente, algo de qualidade. O horário da manhã é um período difícil para promover mudanças. Diferentemente da noite, em que a pessoa chega no sofá e fica zapeando os canais, quem assiste TV de manhã normalmente acorda, deixa em um canal e vai resolver suas coisas. E a TV acompanha essa pessoa como se fosse um rádio. É por isso que esse formato radiofônico tem tudo para funcionar na TV. Impressiona ninguém nunca ter tentado.






