Luiz Carlos Azenha, da TV Globo, fala sobre o jornalismo nos blogs

Luiz Carlos Azenha, da TV Globo, fala sobre o jornalismo nos blogs

Atualizado em 20/07/2005 às 14:07, por Gabriel Kwak.

Nova pagina 1

Em entrevista ao Portal Imprensa, o jornalista Luiz Carlos Azenha fala do jornalismo praticado por blogs e sites pessoais de jornalistas. Azenha foi correspondente internacional por muitos anos, com passagem por Manchete, SBT e Globo (onde hoje é repórter especial).
O repórter diz como seu site http://viomundo.globo.com mudou sua vida e sua profissão. Confira:

IMPRENSA - Como surgiu a idéia do sr. ter um blog hospedado num portal? O que o moveu a isso?

Azenha - Criei o site quando estava nos Estados Unidos, trabalhando como correspondente
da TV Globo em Nova York. Notei o tremendo sucesso de blogs e sites que falavam sobre a campanha eleitoral americana, muitos deles de não jornalistas, que traziam testemunhos pessoais em linguagem bem informal. Como eu tinha muitas histórias para contar
sobre as matérias que fiz, que não cabiam no formato da TV, decidi montar o site.

IMPRENSA - Os blogs descentralizam o emissor, tornando possível que cada um seja editor de si próprio, colocando na prática uma espécie de jornalismo sem intermediações. Qual o impacto disso na imprensa?

Azenha - O imediatismo das informações faz com que o jornal do dia fique velho pouco depois de chegar às bancas. Qualquer um, testemunha de um fato, pode disseminá-lo
rapidamente, para milhões de pessoas. É como se o sistema de edição, de jornais, revistas e tevês, passasse a ser feito em tempo real, na internet. Há um dado negativo nisso: a chance de que informações não checadas sejam propagandas. Pior ainda, hoje as emissoras de tevê, de rádio ou jornais podem atribuir informações a sites sem fazer o trabalho de checagem.
Isso tem acontecido, por exemplo, na atribuição de atentados terroristas a grupos que se "apresentam" como autores.

IMPRENSA - Quantos visitam seu blog em média?

Azenha - Na verdade, o que tenho é um site fixo. O blog presume interação com os leitores, o que ainda não tenho. Segundo o sistema de audiência da Globo.com, tenho tido de 500 a mil hits por dia. Muita gente é frequentador assíduo, outros acham o site através de buscas e ficam em uma ou outra página específica.

IV- O blog funciona para o sr. como um complemento do que o sr.faz em outras mídias como a TV?

Azenha - Exatamente. Esta era a idéia. Na TV não cabem comentários, impressões pessoais e bastidores para os quais não tenho imagens. As matérias são curtas. Uso o site para contar tudo aquilo que não cabe nas reportagens de TV.

IMPRENSA - Quais as vantagens e os dissabores de se manter um blog?

Azenha - Acho que só há vantagens. Fico exposto às críticas e elogios dos leitores. Há uma interação maior com eles. Muita gente passa a se corresponder comigo por instrumentos como o Messenger. Não é a mesma distância do trabalho na TV.

IMPRENSA - O provedor lhe faz algum tipo de exigência ao hospedar seu blog lá?

Azenha - A Globo.com não fez qualquer exigência de caráter editorial. Houve, sim, a necessidade de adeqüar o meu site, antes hospedado pela Hostnet, às exigências técnicas da Globo.com.

IMPRENSA - Aos poucos, o sr. acredita que os blogs tendem a serem usados
comercialmente? O sr. é remunerado para postar em seu blog?

Azenha - Nos Estados Unidos já há mercado comercial em torno dos blogs, baseado principalmente no número diário de hits (páginas acessadas). Qualquer um, usando as ferramentas oferecidas pelo Google, pode criar um blog. O próprio Google oferece remuneração para quem publicar anúncios criados pelo Google. O blogueiro ganha pelo número de acessos obtido.

IMPRENSA - O sr. tem a preocupação de que seu blog seja um blog jornalístico?

Azenha - O site é eminentemente jornalístico. Ele está diretamente ligado ao meu trabalho como repórter de televisão. Nada impede, no entanto, que eu dê opiniões pessoais sobre fatos que testemunho. Em resumo, eu boto no site tudo aquilo que não tenho como falar na TV.