Longe do mercado editorial, ilustrador Fernando Torelly aposta em novos nichos

"Sendo bom ou ruim, espero que o jornalismo e a imprensa continuem livres. O meu maior medo é o governo passar a controlar a comunicação do país".

Atualizado em 04/11/2011 às 17:11, por Nathália Carvalho*.

que o jornalismo e a imprensa continuem livres. O meu maior medo é o governo passar a controlar a comunicação do país". Adepto à ideia de que liberdade deve estar em primeiro plano, o ilustrador Fernando Torelly expressa, em seu trabalho, os princípios que tem de vida. Neto do compositor brasileiro Herivelto Martins, o jovem cresceu no meio de nanquim e dos desenhos da mãe. "Ajudava minha mãe com os desenhos desde os 14 anos e foi com a ajuda dela que publiquei meu primeiro trabalho, em uma revista".
Fernando Torelly

Paulista de nascença e carioca por gosto, Torelly acumula, além de desenhos, diversas histórias. "Eu era muito novo quando comecei a trabalhar com as ilustrações [tinha 18 anos quando publicou a primeira] e achava que esse negócio não ia dar certo e, na verdade, não deu certo até hoje. É um trabalho muito ingrato", diz, aos risos. Diferente do que desejava, aos poucos, os traços levaram Torelly para outros rumos.


Desiludido com o mercado editorial, o ilustrador se arriscou em outro nicho e fez trabalhos para a Nike e para a última Copa do Mundo, em 2010. "Nunca imaginei que pudesse trabalhar com isso. Era como sonhar ser rei e virar papa. Não era o que eu sonhava, mas ganhei muito além do que eu imaginava".


Fernando Torelly

Foi assim que os desenhos de Torelly saíram do papel e foram parar em bares pelas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Incumbido de fazer uma ilustração para cada jogo que o Brasil participasse, o desenhista não teve dúvidas e usou os "mitos do futebol" como inspiração. "Procurei desmitificar todos os medos que os brasileiros têm quando chega a Copa, que acha que qualquer time que aparece é uma ameaça. Então, ilustrei a torcida brasileira rindo do adversário".


Fernando Torelly Ilustração para Copa 2010

Além dos bares, o trabalho do ilustrador foi reunido em uma revista interna. Em seu portfólio, Torelly tem, ainda, ilustrações feitas para um livro infantil, da editora Rocco, mas afirma que o mercado não é fácil. "Há muitas panelas e às vezes você publica um livro e mais nada".


Finalista do concurso de desenhos realizado pelo jornal Folha de S.Paulo , em 2006, o profissional afirma que essas "competições" são mais justas. "Você vê que eles abrem para todos, não é por indicação".


Fernando Torelly

Fernando Torelly

* Com supervisão de Gustavo Ferrari

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