Logomania Narcísica, a síndrome que contamina as redações / Por Ciça Carvalho - Universidade Metodista de São Paulo
Logomania Narcísica, a síndrome que contamina as redações / Por Ciça Carvalho - Universidade Metodista de São Paulo
Atualizado em 06/06/2005 às 10:06, por
Ciça Carvalho e estudante de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.
Por Em recente palestra de inauguração do curso Repórter do Futuro, no sábado dia 15 de abril, na sede da ONG OBORÉ, o repórter e professor da ECA/USP, Cláudio Tognolli, fez referência a uma tendência que ataca as redações de todo o Brasil, denominada por ele como "Logomania Narcísica". Este mal consiste na intensa satisfação do jornalista ao ver o seu nome impresso nos jornais ou revistas. Isto não é de todo ruim, desde que haja a devida preocupação quanto à qualidade da notícia e da cobertura dada a ela.
"Na verdade, a assinatura deve ser o menos importante da matéria. O importante é que a reportagem seja boa, do ponto de vista do leitor. E isso significa qualidade, em todos os sentidos (apuração, checagem, priorização das informações, imparcialidade, etc)", constatou Marc Tawil, editor do caderno Cotidiano do Jornal da Tarde. Para averiguar se esta síndrome é realmente frequente, foram consultadas outras fontes fidedignas que deram suas opiniões sobre no que consiste esta "patologia" e quais são os seus efeitos.
Os estudantes quando entrevistados, expuseram que realmente há valorização da assinatura. Para eles, o nome impresso é sinônimo de prestígio e vitória. "A assinatura é um incentivo para que façamos uma boa matéria, afinal de contas, nosso nome e imagem estão em jogo", contou Silvia Campos que estuda e estagia no Estadão. Os jornalistas garantem que o crédito massageia o ego e mais uma a "síndrome" de Tognolli é evidenciada. O pior é quando a reportagem é muito alterada na hora da edição. "Sempre é satisfatório, desde que o texto assinado corresponda às suas idéias. É muito comum que os editores acabem desvirtuando completamente a obra, o que é bastante desagradável. Tem coisa que era melhor não ter assinado", afirmou João Paulo Nucci que estuda e é free-lance de algumas revistas como Meio & Mensagem.
Ao abordar jornalistas que estão exercendo a profissão há mais tempo, a conotação muda de figura. "A assinatura, no fim das contas, só é importante para o jornalista e seus colegas. Ah, os familiares também adoram ver o nome do ente querido circulando por aí em letra de forma", disse Marc Tawil.
Para esses profissionais a assinatura é normal e já faz parte de suas rotinas, mas ainda sim sentem falta da fase em que se contentavam com a simples presença de seus nomes impressos. Com o passar do tempo, os mais antigos passam a almejar cargos de maior importância dos quais os nomes nem ao menos saem creditados nas publicações. "Ter o nome no expediente, por exemplo, é muito mais importante do que assinar matérias. Chefões não fazem e não assinam reportagens, mas são as figuras mais poderosas das redações", disse João Paulo Nucci.
Ao conversar com Marc Tawil que já trabalhou na editoria Internacional do JT, averiguamos mais um indício da "epidemia" e da frustração do jornalista que não vê o seu nome creditado. "Eu ficava chateado, pois você escreve, monta uma página linda, e ninguém sabe que você fez o trabalho. É evidente que o grande trabalho é feito em campo pelas agências internacionais, mas os editores têm seu valor também. Isso deve ser narcisismo, não é?", indagou.
"Na verdade, a assinatura deve ser o menos importante da matéria. O importante é que a reportagem seja boa, do ponto de vista do leitor. E isso significa qualidade, em todos os sentidos (apuração, checagem, priorização das informações, imparcialidade, etc)", constatou Marc Tawil, editor do caderno Cotidiano do Jornal da Tarde. Para averiguar se esta síndrome é realmente frequente, foram consultadas outras fontes fidedignas que deram suas opiniões sobre no que consiste esta "patologia" e quais são os seus efeitos.
Os estudantes quando entrevistados, expuseram que realmente há valorização da assinatura. Para eles, o nome impresso é sinônimo de prestígio e vitória. "A assinatura é um incentivo para que façamos uma boa matéria, afinal de contas, nosso nome e imagem estão em jogo", contou Silvia Campos que estuda e estagia no Estadão. Os jornalistas garantem que o crédito massageia o ego e mais uma a "síndrome" de Tognolli é evidenciada. O pior é quando a reportagem é muito alterada na hora da edição. "Sempre é satisfatório, desde que o texto assinado corresponda às suas idéias. É muito comum que os editores acabem desvirtuando completamente a obra, o que é bastante desagradável. Tem coisa que era melhor não ter assinado", afirmou João Paulo Nucci que estuda e é free-lance de algumas revistas como Meio & Mensagem.
Ao abordar jornalistas que estão exercendo a profissão há mais tempo, a conotação muda de figura. "A assinatura, no fim das contas, só é importante para o jornalista e seus colegas. Ah, os familiares também adoram ver o nome do ente querido circulando por aí em letra de forma", disse Marc Tawil.
Para esses profissionais a assinatura é normal e já faz parte de suas rotinas, mas ainda sim sentem falta da fase em que se contentavam com a simples presença de seus nomes impressos. Com o passar do tempo, os mais antigos passam a almejar cargos de maior importância dos quais os nomes nem ao menos saem creditados nas publicações. "Ter o nome no expediente, por exemplo, é muito mais importante do que assinar matérias. Chefões não fazem e não assinam reportagens, mas são as figuras mais poderosas das redações", disse João Paulo Nucci.
Ao conversar com Marc Tawil que já trabalhou na editoria Internacional do JT, averiguamos mais um indício da "epidemia" e da frustração do jornalista que não vê o seu nome creditado. "Eu ficava chateado, pois você escreve, monta uma página linda, e ninguém sabe que você fez o trabalho. É evidente que o grande trabalho é feito em campo pelas agências internacionais, mas os editores têm seu valor também. Isso deve ser narcisismo, não é?", indagou.






