Lixo digital da América do Norte afeta vida e ambiente de Gana, diz vencedor do Emmy
Lixo digital da América do Norte afeta vida e ambiente de Gana, diz vencedor do Emmy
Atualizado em 07/10/2010 às 14:10, por
Ana Ignacio/Da Redação.
Por Durante oito meses, dez alunos da UBC Graduate School of Journalism , do Canadá, coordenados pelo professor Peter Klein, se dedicaram a um trabalho de investigação jornalística. Rastreando conteiners que saiam da América do Norte com equipamento digital para ser dispensado, o grupo descobriu que grande parte desse material era encaminhado para a África Ocidental e para a China. Entre setembro de 2008 e abril de 2009, os estudantes se dividiram em três grupos. Um foi para a China, outro para Gana e outro para Índia. O objetivo era observar de que forma o lixo digital era armazenado e manuseado em cada um desses lugares.
O resultado foi um vídeo-documentário de vinte minutos, "Gana: Depósito de lixo digital" (título original: " Ghana: Digital Dumping Ground ") vencedor do Emmy de 2010 na categoria "Melhor trabalho de jornalismo investigativo". O trabalho também faturou o Sigma Delta Chi Award por "melhor documentário"
O Portal IMPRENSA conversou com o professor orientador e com um dos estudantes que participou do projeto. Eles contaram sobre como foi essa experiência e qual foi a importância do trabalho para a sociedade atual. Dados da Gartner, empresa americana de pesquisas e consultora tecnológica, estimam que em 2014 o mundo terá 2 bilhões de computadores em uso. Dessa forma, a discussão sobre o armazenamento de lixo digital merece atenção. "Queríamos mostrar que, estando muito conectados com o mundo todo, pequenas decisões que fazemos na América do Norte podem afetar vidas e o ambientes de pessoas que estão muito longe", explica o professor Peter Klein.
O grupo testemunhou como algumas cidades viram verdadeiros depósitos de lixo digital que são queimados a céu aberto e destacam como as pessoas desconhecem os males para a saúde que isso pode causar. "Acho que estávamos todos em estado de choque ao ver as péssimas condições de vida das pessoas que tem que trabalhar com essa sobra de material digital", relata Daniel Haves, um dos alunos que participou do projeto.
Além disso, a apuração revelou que muitos dos aparelhos dispensados por seus donos na América vão parar em mercados de Gana para serem vendidos. No entanto, os hard drives que são comercializados mantém seu conteúdo original e podem ser acessados facilmente por qualquer pessoa. Alguns comerciantes admitiram que, às vezes, organizações criminosas compram esses drives para adquirir informações pessoais para serem usadas em "esquemas".
Utilizando câmeras escondidas o grupo comprou por cerca de 35 dólares drives para serem analisados. Fotos pessoais, planilhas de contas, dados de transações bancárias. Essas são algumas das informações que foram encontradas nos drives . "Eu posso usar seus dados do banco e retirar todo o seu dinheiro da conta", explica no documentário Enoch Kwesi Messiah, pesquisador de computadores da Regent University de Gana, que auxiliou o grupo a acessar os dados dos drives .
Além disso, foram encontradas informações confidenciais da Northrup Gruman, uma das maiores empresas fornecedoras de equipamentos militares. Detalhes sobre contratos milionários com o governo americano e com a Nasa foram acessados. "Eu acredito que a maior 'sacada' foi encontrar um hard drive em Gana com os contratos da Northrup Gruman. Acho, inclusive, que essa foi a parte da matéria que realmente chamou atenção das pessoas", diz Haves. Peter também acredita que essa foi a maior descoberta do trabalho investigativo. "A gente sabia que hard drives de computadores do Ocidente seriam encontrados em depósitos de Gana e suspeitávamos que encontraríamos informações pessoas em alguns deles. Mas nunca esperávamos achar dados da Northrup Gruman", explica. Gana é considerado pelo U.S. State Department como um dos principais locais em que ocorrem crimes digitais.
O documentário foi viabilizado graças a uma doação feita pela Mindset Social Innovation Foundation, fundação que incentiva estudantes aprimorarem suas técnicas em reportagens internacionais e possibilita a produção de matérias sobre questões globais não cobertas pela mídia tradicional. Klein diz que esse documentário dificilmente teria sido realizado por um veículo de comunicação. "Acho que os jornalistas têm incentivo para encontrar grandes histórias, mas há pouco capital para isso atualmente, e quando há dinheiro, existe falta de coragem de assumir riscos em reportagens", avalia Klein.
Os alunos que participaram do trabalho foram Heba Abou Elasaad, Shira Bick, Ian Bickis, Krysia Collyer, Allison Cross, Daniel Haves, Doerthe Keilholz, Jodie Martinson, Blake Sifton, Leslie Young. O documentário é um pequeno alerta sobre cibercrime e sobre o descaso com que é tratado o lixo digital. Esses problemas, cada vez mais, passarão a fazer parte do dia a dia da sociedade atual. Uma sociedade que é completamente conectada por computadores e aparelhos digitais.
Para ver o documentário completo, em inglês, clique
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O resultado foi um vídeo-documentário de vinte minutos, "Gana: Depósito de lixo digital" (título original: " Ghana: Digital Dumping Ground ") vencedor do Emmy de 2010 na categoria "Melhor trabalho de jornalismo investigativo". O trabalho também faturou o Sigma Delta Chi Award por "melhor documentário"
O Portal IMPRENSA conversou com o professor orientador e com um dos estudantes que participou do projeto. Eles contaram sobre como foi essa experiência e qual foi a importância do trabalho para a sociedade atual. Dados da Gartner, empresa americana de pesquisas e consultora tecnológica, estimam que em 2014 o mundo terá 2 bilhões de computadores em uso. Dessa forma, a discussão sobre o armazenamento de lixo digital merece atenção. "Queríamos mostrar que, estando muito conectados com o mundo todo, pequenas decisões que fazemos na América do Norte podem afetar vidas e o ambientes de pessoas que estão muito longe", explica o professor Peter Klein.
O grupo testemunhou como algumas cidades viram verdadeiros depósitos de lixo digital que são queimados a céu aberto e destacam como as pessoas desconhecem os males para a saúde que isso pode causar. "Acho que estávamos todos em estado de choque ao ver as péssimas condições de vida das pessoas que tem que trabalhar com essa sobra de material digital", relata Daniel Haves, um dos alunos que participou do projeto.
Além disso, a apuração revelou que muitos dos aparelhos dispensados por seus donos na América vão parar em mercados de Gana para serem vendidos. No entanto, os hard drives que são comercializados mantém seu conteúdo original e podem ser acessados facilmente por qualquer pessoa. Alguns comerciantes admitiram que, às vezes, organizações criminosas compram esses drives para adquirir informações pessoais para serem usadas em "esquemas".
Utilizando câmeras escondidas o grupo comprou por cerca de 35 dólares drives para serem analisados. Fotos pessoais, planilhas de contas, dados de transações bancárias. Essas são algumas das informações que foram encontradas nos drives . "Eu posso usar seus dados do banco e retirar todo o seu dinheiro da conta", explica no documentário Enoch Kwesi Messiah, pesquisador de computadores da Regent University de Gana, que auxiliou o grupo a acessar os dados dos drives .
Além disso, foram encontradas informações confidenciais da Northrup Gruman, uma das maiores empresas fornecedoras de equipamentos militares. Detalhes sobre contratos milionários com o governo americano e com a Nasa foram acessados. "Eu acredito que a maior 'sacada' foi encontrar um hard drive em Gana com os contratos da Northrup Gruman. Acho, inclusive, que essa foi a parte da matéria que realmente chamou atenção das pessoas", diz Haves. Peter também acredita que essa foi a maior descoberta do trabalho investigativo. "A gente sabia que hard drives de computadores do Ocidente seriam encontrados em depósitos de Gana e suspeitávamos que encontraríamos informações pessoas em alguns deles. Mas nunca esperávamos achar dados da Northrup Gruman", explica. Gana é considerado pelo U.S. State Department como um dos principais locais em que ocorrem crimes digitais.
O documentário foi viabilizado graças a uma doação feita pela Mindset Social Innovation Foundation, fundação que incentiva estudantes aprimorarem suas técnicas em reportagens internacionais e possibilita a produção de matérias sobre questões globais não cobertas pela mídia tradicional. Klein diz que esse documentário dificilmente teria sido realizado por um veículo de comunicação. "Acho que os jornalistas têm incentivo para encontrar grandes histórias, mas há pouco capital para isso atualmente, e quando há dinheiro, existe falta de coragem de assumir riscos em reportagens", avalia Klein.
Os alunos que participaram do trabalho foram Heba Abou Elasaad, Shira Bick, Ian Bickis, Krysia Collyer, Allison Cross, Daniel Haves, Doerthe Keilholz, Jodie Martinson, Blake Sifton, Leslie Young. O documentário é um pequeno alerta sobre cibercrime e sobre o descaso com que é tratado o lixo digital. Esses problemas, cada vez mais, passarão a fazer parte do dia a dia da sociedade atual. Uma sociedade que é completamente conectada por computadores e aparelhos digitais.
Para ver o documentário completo, em inglês, clique






