Livro mostra que Igreja Católica tem contratado cada vez mais jornalistas
Em "Igreja Virtual", o autor e jornalista Paulo Giraldi mostra que as dioceses têm se preocupado em se estabelecer nas redes sociais.
Atualizado em 28/08/2014 às 16:08, por
Lucas Carvalho*.
Uma pesquisa do jornalista e mestre em Comunicação Midiática Paulo Vitor Giraldi acaba de ser publicada em um livro chamado “Igreja Virtual: Comunicar para Transcender”. A obra explora um curioso fenômeno recente no Brasil: o aumento no número de jornalistas formalmente contratados por dioceses e o interesse dessas instituições em profissionalizar suas relações com a imprensa.
Crédito:Divulgação Estudo de Paulo Vitor Giraldi mostra como igrejas apostam em trabalho de jornalistas
"A proposta do livro consiste em olhar para este novo universo que se trata da profissionalização da comunicação institucional religiosa", comenta o autor à IMPRENSA. A obra mostra que a principal função desses profissionais na Igreja Católica tem sido a de administrar relações nas redes sociais.
Segundo Giraldi, a Igreja também tem o dever de acompanhar a evolução das mídias, incluindo a popularização das redes sociais. Assim, não basta abrir um perfil no Facebook ou no Twitter. É preciso que as dioceses contratem mão-de-obra especializada para cuidar desses processos digitais de comunicação.
"Todo o processo precisa ser qualificado, com formação técnica e humana (orgânica), com pesquisas e investimentos etc. Vislumbro um futuro tão presente e muito promissor para a comunicação religiosa, mas que exige novos investimentos e abertura a cultura comunicacional", acrescenta o jornalista.
Para o autor, porém, as igrejas devem usar a internet apenas como ferramenta de divulgação de atividades comunitárias, por exemplo. Ele é contra o uso das redes sociais como espaço para pregação. “É ilusão pensar que a internet seja um espaço adequado para fidelizar as nossas relações. A fidelização passa por uma condição essencial, a experiência, o contato. Precisamos compreender as funções tecnológicas oferecidas pelas mídias digitais e o contexto em que estão inseridas”, ressalta.
Já sobre as mídias tradicionais, o jornalista é mais reservado. Ele questiona a necessidade de “fortalecer” a doutrina cristã na televisão, por exemplo, especialmente quando o objetivo é o que ele chama de “autopromoção” a uma instituição específica. Além disso, Giraldi condena o preconceito religioso que, muitas vezes, comunicadores evangélicos exibem na TV. Postura que, segundo ele, pode acabar motivando discursos de segregação religiosa na internet.
"O preconceito, o egoísmo, a falta de respeito pela fé do outro, matam mais que qualquer doença. Se as redes sociais nos ajudarem a conviver mais com o diferente, a partir de nossa fé, a superar o pensamento individualista e preconceituoso, com certeza estarão deixando bons frutos à vida em sociedade", finaliza.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves
Crédito:Divulgação Estudo de Paulo Vitor Giraldi mostra como igrejas apostam em trabalho de jornalistas
"A proposta do livro consiste em olhar para este novo universo que se trata da profissionalização da comunicação institucional religiosa", comenta o autor à IMPRENSA. A obra mostra que a principal função desses profissionais na Igreja Católica tem sido a de administrar relações nas redes sociais.
Segundo Giraldi, a Igreja também tem o dever de acompanhar a evolução das mídias, incluindo a popularização das redes sociais. Assim, não basta abrir um perfil no Facebook ou no Twitter. É preciso que as dioceses contratem mão-de-obra especializada para cuidar desses processos digitais de comunicação.
"Todo o processo precisa ser qualificado, com formação técnica e humana (orgânica), com pesquisas e investimentos etc. Vislumbro um futuro tão presente e muito promissor para a comunicação religiosa, mas que exige novos investimentos e abertura a cultura comunicacional", acrescenta o jornalista.
Para o autor, porém, as igrejas devem usar a internet apenas como ferramenta de divulgação de atividades comunitárias, por exemplo. Ele é contra o uso das redes sociais como espaço para pregação. “É ilusão pensar que a internet seja um espaço adequado para fidelizar as nossas relações. A fidelização passa por uma condição essencial, a experiência, o contato. Precisamos compreender as funções tecnológicas oferecidas pelas mídias digitais e o contexto em que estão inseridas”, ressalta.
Já sobre as mídias tradicionais, o jornalista é mais reservado. Ele questiona a necessidade de “fortalecer” a doutrina cristã na televisão, por exemplo, especialmente quando o objetivo é o que ele chama de “autopromoção” a uma instituição específica. Além disso, Giraldi condena o preconceito religioso que, muitas vezes, comunicadores evangélicos exibem na TV. Postura que, segundo ele, pode acabar motivando discursos de segregação religiosa na internet.
"O preconceito, o egoísmo, a falta de respeito pela fé do outro, matam mais que qualquer doença. Se as redes sociais nos ajudarem a conviver mais com o diferente, a partir de nossa fé, a superar o pensamento individualista e preconceituoso, com certeza estarão deixando bons frutos à vida em sociedade", finaliza.
* Com supervisão de Vanessa Gonçalves





