Livro de Regina Echeverria percorre as minúcias da vida da princesa Isabel

Obra resgata história desde o nascimento, em 1846, até a morte, em 1921

Atualizado em 15/12/2014 às 15:12, por Alana Rodrigues*.

Um mergulho pela história do Brasil no século 19 revela traços de Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga, mais conhecida como Princesa Isabel, responsável por assinar a Lei Áurea em 13 de maio de 1888, libertando, enfim, o Brasil da escravidão. As minúcias da vida da filha e herdeira do trono do último Imperador do país é contada por Regina Echeverria no livro "A História da Princesa Isabel - amor, liberdade e exílio", lançado pela Versal.

Crédito:Alf Ribeiro Escritora traça perfil desconhecido da Princesa Isabel em nova obra
Regina conta que a ideia de fazer o livro foi de seu editor da Versal, José Henrique Barreiro. A sugestão veio no momento da polêmica sobre a proibição de biografias sem autorização dos biografados e ela aceitou a proposta.
"Foi a primeira experiência que eu tive com um personagem bem antigo, histórico. E eu adorei porque foi uma chance de estudar bem o segundo Império. Gostei muito da personagem, de não ter que depender de família, pois já é domínio público", diz.
A biografia resgata a história da princesa desde o nascimento, em 1846, no Palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro, até a morte, em 1921, desterrada a mando dos republicanos, no castelo da família na região da Normandia.
O processo de apuração levou mais de um ano. A jornalista, que trabalha com a pesquisadora Suzana Horta Camargo percorreu todos os locais que poderiam ter vestígios da história, além de consultar jornais da época. Apenas o Museu Imperial de Petrópolis (RJ), onde foi feita a maior parte da pesquisa, concentra mais de três mil cartas da princesa. Algumas delas foram copiadas à mão por Regina e Suzana, já que é proibida a reprodução de imagens.
A obra mostra que a filha do imperador Dom Pedro II e da imperatriz Tereza Cristina era uma mulher à frente de seu tempo. Além de defensora da libertação dos escravos, há documentos que apontam que ela era favorável ao voto feminino.
Crédito:Divulgação Obra relata a vida da princesa brasileira
Apesar do casamento arranjado com o Gastão de Orleans, o conde d’Eu, Isabel era apaixonada pelo marido, paixão que revelou nas mais de mil cartas que trocou com ele. A princesa também tem seu lado corajoso bastante destacado na obra. Um dos episódios mais marcantes de sua vida foi o parto da primeira filha, que durou 50 horas e terminou com a morte do bebê dentro do útero. O próprio D. Pedro II empunhou um fórceps e debruçou-se sobre a filha para tentar salvá-la, mas não conseguiu.
"Eu fiquei surpresa com a personagem. A minha concepção dela era escolar. E ela é uma heroína. As circunstâncias em que ela conseguiu assinar aquela lei, o que ela precisou fazer para isso. Ela foi bastante ativa", destaca Regina.

Biografias em pauta
Na semana passada, estava na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) o projeto da Câmara que altera o Código Civil para garantir a publicação de biografias não autorizadas de pessoas públicas ou aquelas cujos atos são de interesse da coletividade. Mas uma manobra adiou o pleito. A pedido do senador Agripino Maia (DEM-RN), o texto será reavaliado pela Comissão de Educação da Casa.
O projeto de lei 393 de 2011 (PL 393/2011), conhecido como "lei das biografias", procura liberar a publicação de livros biográficos não-autorizados. Em 2013, músicos como Roberto e Erasmo Carlos se organizaram em um movimento chamado "Procure Saber", em oposição à proposta, que foi aprovada no mesmo ano pela Câmara.
A jornalista pondera que a proibição das obras fere os direitos constitucionais. "Eu abomino essa proibição. Acho censura. Eu perdi um pouco a esperança. Como são duas frentes, uma que vai tentar modificar a lei no Código Civil e outra que está lá no Senado, eu não sei. Achava que até o final do ano iria ser votado", diz.
Conhecida pelas biografias de Elis Regina, Sócrates, Mãe Menininha e José Sarney, a jornalista afirma que continuará no gênero desde que não sofra interferência de famílias ou, então, seguirá na linha de personagens históricos.
"Eu vivo disso, é meu trabalho. Como é que eu vou desistir de ser biógrafa? É uma das vertentes do jornalismo. Tenho mais de 40 anos de profissão. Eles partem do pressuposto de que a biografia é péssima, que só vai ser mentirosa. Nós temos excelentes biógrafos no Brasil e, a maior parte deles, vindo da imprensa", acrescenta.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.