Livro de jornalista traz revelações sobre a Operação Satiagraha
Em julho de 2008, meses depois da deflagração da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que levou à prisão do banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, nascia a ideia de um livro-reportagem.
Atualizado em 13/01/2014 às 09:01, por
Jéssica Oliveira.
depois da deflagração da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que levou à prisão do banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, nascia a ideia de um livro-reportagem. Escrito pelo jornalista Rubens Valente, repórter da sucursal da Folha de S.Paulo em Brasília, o “Operação Banqueiro: Uma Trama Brasileira Sobre Poder", foi lançado na última sexta-feira (10/1), pela Geração Editorial. A obra traz documentos inéditos e novas transcrições de gravações.
Para produzir a obra, o jornalista utilizou o programa sabático, proporcionado a profissionais da Folha , parte das folgas acumuladas a que tinha direito, além de períodos de férias, obtendo cerca de seis meses de dedicação exclusiva ao assunto. "Copiei milhares de páginas de papéis, entrevistei cerca de 40 pessoas e fiz três viagens a capitais diferentes (com os custos cobertos pelo meu próprio bolso)", lembra. Além disso, Valente havia acompanhado desde 2001 outras investigações sobre negócios de Dantas: o caso Banestado, a Operação Chacal e a CPI dos Correios.
Crédito:Alf Ribeiro/IMPRENSA Rubens Valente (foto) lança livro e questiona investigação sobre Daniel Dantas
No livro, o jornalista conta como Dantas escreveu e-mails ao lobista Roberto Amaral nos quais afirma que Gilmar Mendes, então na Advocacia Geral da União do governo FHC, estava apoiando teses jurídicas levantadas pelo grupo Opportunity; fala sobre a relação pessoal e profissional de Mendes com dois dos mais ativos advogados do Opportunity e da Brasil Telecom, então comandada pelo Opportunity; sobre o papel de Mendes no processo de desqualificação da Operação Satiagraha, como as suspeitas que ele levantou que não se confirmaram sobre "grampo telefônico" em seu gabinete; e destrincha os dois habeas corpus que ele concedeu ao banqueiro.
O autor tentou insistentemente falar com com Mendes e com Dantas, sem sucesso. "Houve telefones e e-mails trocados com suas respectivas assessorias e houve dois encontros pessoais com assessoras do grupo Opportunity. Mas ambos optaram por não me atender. No caso do banco, de toda forma procurei a todo momento, no texto, reproduzir as posições já conhecidas ou que me foram apresentadas por e-mail, em respostas a várias perguntas", explica.
Foram vários os motivos que o levaram a escrever o livro. "Senti ser meu dever, como jornalista, de levar ao leitor documentos e interceptações telefônicas de interesse público mas hoje escondidos sob o carimbo do sigilo nos escaninhos do Judiciário, deixar registrada o que considero uma trama já clássica sobre a impunidade no país e tornar mais didático para o leitor este que é, de longe, o caso mais intrincado da crônica político-policial do país dos últimos tempos", conta.
Questionado sobre possíveis impactos que as revelações do livro possam ter em 2014, ano de eleições, o jornalista afirma que "seria uma enorme pretensão da minha parte estabelecer o que vai ocorrer daqui para a frente". "O lançamento não teve nenhuma relação com eleições. Não foi a intenção do autor ou da editora e isso jamais foi considerado, cogitado ou conversado. Se as revelações contidas no livro levarem a algum tipo de reflexão ou debate público, tanto melhor, mas também não foi a minha intenção estimular qualquer 'protesto' ou impacto nas eleições. Cabe aos eleitores decidirem, pois a eles agora o livro pertence. Meu papel como jornalista eu procurei cumprir, agora cabe às pessoas, autoridades ou governantes decidirem o que fazer ou mesmo o que não fazer", ressalta.
Leitores querem mais do jornalismo Em 24 anos como jornalista, Valente recebeu diversos prêmios por suas reportagens e já passou pelo O Globo , Jornal do Brasil e Veja , além da Folha. Para o profissional, o jornalismo investigativo deixou de ser uma decisão editorial para ser uma imposição financeira. "São as reportagens de apuração mais longa e difícil que fazem e vão continuar fazendo a diferença na imprensa", defende.
Crédito: Para o profissional, a saída é um equilíbrio entre um noticiário "mais rápido e descartável e reportagens mais longas e aprofundadas", mas que esse equilíbrio está atingido em prol do primeiro "tipo" de jornalismo. "Acredito profundamente na capacidade de discernimento dos leitores. Os jornalistas precisamos confiar mais nisso e, assim, produzir textos e imagens que puxem o nível da cobertura para cima, e não para baixo. Que surpreendam e convidem o leitor à reflexão, escapando do lugar-comum. O que me faz acreditar nisso são as manifestações dos leitores na internet, nas ruas, nos bares, em todo lugar que vou e com os leitores que converso sobre a imprensa", finaliza.
Para produzir a obra, o jornalista utilizou o programa sabático, proporcionado a profissionais da Folha , parte das folgas acumuladas a que tinha direito, além de períodos de férias, obtendo cerca de seis meses de dedicação exclusiva ao assunto. "Copiei milhares de páginas de papéis, entrevistei cerca de 40 pessoas e fiz três viagens a capitais diferentes (com os custos cobertos pelo meu próprio bolso)", lembra. Além disso, Valente havia acompanhado desde 2001 outras investigações sobre negócios de Dantas: o caso Banestado, a Operação Chacal e a CPI dos Correios.
Crédito:Alf Ribeiro/IMPRENSA Rubens Valente (foto) lança livro e questiona investigação sobre Daniel Dantas
No livro, o jornalista conta como Dantas escreveu e-mails ao lobista Roberto Amaral nos quais afirma que Gilmar Mendes, então na Advocacia Geral da União do governo FHC, estava apoiando teses jurídicas levantadas pelo grupo Opportunity; fala sobre a relação pessoal e profissional de Mendes com dois dos mais ativos advogados do Opportunity e da Brasil Telecom, então comandada pelo Opportunity; sobre o papel de Mendes no processo de desqualificação da Operação Satiagraha, como as suspeitas que ele levantou que não se confirmaram sobre "grampo telefônico" em seu gabinete; e destrincha os dois habeas corpus que ele concedeu ao banqueiro.
O autor tentou insistentemente falar com com Mendes e com Dantas, sem sucesso. "Houve telefones e e-mails trocados com suas respectivas assessorias e houve dois encontros pessoais com assessoras do grupo Opportunity. Mas ambos optaram por não me atender. No caso do banco, de toda forma procurei a todo momento, no texto, reproduzir as posições já conhecidas ou que me foram apresentadas por e-mail, em respostas a várias perguntas", explica.
Foram vários os motivos que o levaram a escrever o livro. "Senti ser meu dever, como jornalista, de levar ao leitor documentos e interceptações telefônicas de interesse público mas hoje escondidos sob o carimbo do sigilo nos escaninhos do Judiciário, deixar registrada o que considero uma trama já clássica sobre a impunidade no país e tornar mais didático para o leitor este que é, de longe, o caso mais intrincado da crônica político-policial do país dos últimos tempos", conta.
Questionado sobre possíveis impactos que as revelações do livro possam ter em 2014, ano de eleições, o jornalista afirma que "seria uma enorme pretensão da minha parte estabelecer o que vai ocorrer daqui para a frente". "O lançamento não teve nenhuma relação com eleições. Não foi a intenção do autor ou da editora e isso jamais foi considerado, cogitado ou conversado. Se as revelações contidas no livro levarem a algum tipo de reflexão ou debate público, tanto melhor, mas também não foi a minha intenção estimular qualquer 'protesto' ou impacto nas eleições. Cabe aos eleitores decidirem, pois a eles agora o livro pertence. Meu papel como jornalista eu procurei cumprir, agora cabe às pessoas, autoridades ou governantes decidirem o que fazer ou mesmo o que não fazer", ressalta.
Leitores querem mais do jornalismo Em 24 anos como jornalista, Valente recebeu diversos prêmios por suas reportagens e já passou pelo O Globo , Jornal do Brasil e Veja , além da Folha. Para o profissional, o jornalismo investigativo deixou de ser uma decisão editorial para ser uma imposição financeira. "São as reportagens de apuração mais longa e difícil que fazem e vão continuar fazendo a diferença na imprensa", defende.
Crédito: Para o profissional, a saída é um equilíbrio entre um noticiário "mais rápido e descartável e reportagens mais longas e aprofundadas", mas que esse equilíbrio está atingido em prol do primeiro "tipo" de jornalismo. "Acredito profundamente na capacidade de discernimento dos leitores. Os jornalistas precisamos confiar mais nisso e, assim, produzir textos e imagens que puxem o nível da cobertura para cima, e não para baixo. Que surpreendam e convidem o leitor à reflexão, escapando do lugar-comum. O que me faz acreditar nisso são as manifestações dos leitores na internet, nas ruas, nos bares, em todo lugar que vou e com os leitores que converso sobre a imprensa", finaliza.





