Livro conta os bastidores do tetracampeonato da seleção brasileira em 1994

“É Tetra!” destaca o contexto histórico em que o Brasil acabou com um jejum de 24 anos sem títulos mundiais.

Atualizado em 07/06/2014 às 13:06, por Lucas Carvalho*.

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Em julho, o torcedor brasileiro poderá comemorar o hexacampeonato da seleção brasileira de futebol. Mas antes, o país pode com certeza relembrar os 20 anos da conquista do tetra. A história sobre o fim do jejum de 24 anos do futebol brasileiro em Copas do Mundo foi publicada no livro “É Tetra! – A conquista que ajudou a mudar o Brasil”, dos autores Michel Costa e André Rocha.

“O tetra foi quase tão importante quanto o campeonato de 1958, que foi o primeiro. […] Pelo período que o Brasil ficou sem conquistar o título, numa fila que tanto incomodava, e pode somar a isso o cenário do Brasil na época. Inflação altíssima, o impeachment do [ex-presidente da República, Fernando] Collor, a morte do Ayrton Senna… era um cenário de ebulição. Então, aquele título tem uma importância também para a autoestima do brasileiro”, diz Costa.

Lançada em abril, a obra trata não somente dos caminhos percorridos pela equipe brasileira dentro de campo, como principalmente o contexto histórico no qual o Brasil se situava. O que, segundo os autores, tornou a conquista ainda mais importante.

“As pessoas olham os jogos da seleção e não entendem a pressão que existia. Era importante mostrar o peso que existia em cima do time num período em que o Brasil vivia uma depressão em todos os aspectos”, afirma o jornalista André Rocha.

Crédito:Reprodução Livro conta a história do tetracampeonato mundial do Brasil

Um dos pontos destacados pelo livro fora das quatro linhas é também a cobertura da imprensa. Segundo Costa, a mídia brasileira também foi responsável pela pressão sofrida pela equipe de Carlos Alberto Parreira. Ele lembra o programa “Apito Final”, da TV Bandeirantes, que, segundo ele, “massacrou a seleção”.

“O Parreira era considerado um pragmático, as pessoas nunca o viam com bons olhos. Ele era questionado, sobretudo, pela imprensa brasileira, que realmente pegava pesado. Houve até um torcedor que chegou a fazer um ‘enterro simbólico’ do ‘Apito Final’. O time foi respondendo àquelas críticas durante a campanha e acabou que o programa ficou marcado por ter atacado tanto uma seleção que foi campeã”, diz o autor.

Segundo Rocha, o clima de 1994 lembra muito pouco o atual contexto da seleção brasileira. “Agora existe uma certa pressão por que é em casa. Mas não é uma pressão semelhante, os motivos são diferentes. Se o Brasil estivesse jogando em um outro país, não teria a mesma pressão. A seleção ganhou em 2002, estamos completando 12 anos, não são 24. É bem diferente”, diz. Para o jornalista, a possível conquista do hexa em solo brasileiro só teria peso por acabar com o “fantasma” de 1950.

Em questão de expectativas para o Mundial, Rocha destaca os prováveis desafios para os jornalistas. “Primeiro, a gente tem que ver se a imprensa vai conseguir trabalhar. Se as empresas de telecomunicação vão atender à demanda, se o pessoal vai conseguir fazer a transmissão de dados de dentro dos estádios, enfim…”, diz.

Para Costa, porém, o Mundial pode ficar marcado por “pequenos problemas” de organização. “Em caso de derrota, todo mundo vai lembrar ‘nossa, gastaram tantos bilhões para nada’. […] Eu acho que o brasileiro em geral vai mostrar sua hospitalidade, normalmente. Mas acho que a Copa vai ficar marcada por pequenos problemas aqui e ali. Pequenos que podem se tornar grandes, dependendo da situação. Mas, em campo, a tendência é que seja um bom Mundial”, finaliza.

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*Com supervisão de Thaís Naldoni