Livro analisa a história dos esquemas táticos dos últimos 150 anos de futebol

“De Charles Miller à Gorduchinha” é o novo livro de Darcio Ricca, colunista e comentarista esportivo no site 3 na Copa.

Atualizado em 10/06/2014 às 17:06, por Lucas Carvalho*.

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“De Charles Miller à Gorduchinha – A evolução tática do futebol em 150 anos de história” é o novo livro de Darcio Ricca, colunista e comentarista esportivo no site 3 na Copa. Na obra, lançada no último dia 24 de maio e que conta com prefácio de Max Gehringer, o apaixonado por futebol disseca as estratégias de jogo que moldaram o desenvolvimento do esporte desde seus primórdios.

“Eu trabalhei com administração e comecei a gostar de futebol em 1982. Naquele dia 5 de julho de 1982, quando o Brasil perdeu na Copa da Itália, eu vi a comoção das pessoas, aquilo mexeu bastante comigo também. Mas eu vi em uma série de lugares as pessoas falarem que a seleção perdeu ‘por uma questão técnica’. Como jovem, curioso, comecei a pesquisar e a me interessar por esse tipo de assunto”, conta Ricca sobre as origens do interesse por futebol.

Além do 3 na Copa, o colunista atua também no Grupo de Literatura e Memória do Futebol, o Memofut. Dedicado à arte do futebol – e ao futebol arte – o livro foi organizado de maneira cronológica, analisando desde as primeiras partidas em campos improvisadas comandadas por Charles Miller até o jogo entre Barcelona e Real Madrid, em outubro de 2013.

Entre os entrevistados para a composição do livro estão nomes como o do ex-técnico de futebol Evaristo de Macedo, os jornalistas João Máximo e Alberto Helena Jr., o ex-jogador da seleção brasileira Gérson, entre diversos outros profissionais envolvidos com o universo da bola.

“Tive que ler bastante para fazer essa pesquisa, que levou três anos. O grande problema é que no Brasil existe muito pouca literatura sobre a evolução tática do futebol ao longo dos anos. Existe muito pouco material acadêmico no qual se basear. Então, eu tive que fazer muitas entrevistas, vi diversos vídeos de partidas, ouvi a narração de rádio de muitas também… Para um país que gosta tanto de futebol, é importante um livro que trate desse assunto”, diz o colunista.

Crédito:Divulgação Dárcio Ricca destaca ´papel da imprensa no futebol

No trabalho jornalístico que culminou no livro, Ricca – que é, por carreira, administrador de empresas – se deparou também com a importância da imprensa na valorização do esquema tático no futebol. Segundo ele, apesar de a evolução técnica dos atletas e das regras do esporte ter desempenhado papel importante, foram programas como o “Super Técnico”, apresentado por Milton Neves na década de 1990, que chamaram a atenção do público.

“A imprensa meio que ajudou a criar esse espetáculo em torno do futebol, super valorizou os técnicos e os aspectos extra-campo do esporte. São coberturas como essas que, inevitavelmente, vão mexer com a paixão do torcedor e, em casos extremos, resultar até em violência nos estádios. Então, a imprensa teve papel importante na ‘glamourização’ do futebol e na exposição dos atletas e técnicos”, comenta Ricca.

Após 150 anos de futebol e às vésperas de mais uma Copa do Mundo, o colunista faz suas ponderações sobre o cenário dentro das quatro linhas. “Existe hoje um futebol brasileiro e uma seleção brasileira. São duas coisas diferentes, dois estilos de jogo diferentes. A seleção é formada quase que totalmente por jogadores que atuam na Europa. Isso é um reflexo dos tempos de futebol globalizado que nós estamos vivendo”, afirma.

Fora de campo, Ricca tem uma opinião formada. “Sou contra a Copa do Mundo no Brasil”, ele diz. “Não acho que o país está preparado. Em todo lugar, Mundiais causam prejuízo. Mas aqui, esse prejuízo vai ser ainda maior”, afirma. Para ele, porém, o torneio oferec a chance ao país de melhorar a cobertura esportiva da imprensa.

“A esperança é que a grande mídia aprenda a cobrir futebol. Hoje a gente vê muita reportagem na TV do tipo ‘descubra como joga a Espanha’, ‘entenda o estilo de jogo da Argentina’. Mas isso são coisas que qualquer pessoa pode jogar na internet e achar. A imprensa precisa ser menos óbvia, falar menos do que a gente já sabe, e trazer conteúdo diferenciado para essa cobertura que, naturalmente, vai ser muito massiva”, finaliza.

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*Com supervisão de Thaís Naldoni