Limite na cobertura de celebridades é o bom senso, afirmam profissionais
O painel “Invasão de privacidade na cobertura do entretenimento” encerrou a terceira edição do mídiaJOR nesta terça-feira (18/11) discutindoos limites do jornalismo de celebridades na privacidade do artista e os casos que este limite foi ultrapassado e que o próprio artista tentou cercear o trabalho de imprensa.
Participaram do debate Danilo Carvalho, sócio diretor Agência Fio Condutor, Fabíola Reipert, editora e colunista do R7, Jair Oliveira, músico e produtor musical, e Keila Jimenez, colunista do jornal Folha de S.Paulo , que mediou o debate.
Keila, que abriu as apresentações, classificou o tema como complicado, pois envolve questões jurídicas, pessoais e éticas. A jornalista lembrou que a indústria de informações de famoso movimenta muito dinheiro porque interessa ao público.
“As pessoas querem se identificar com eles, o que estão fazendo, onde estão saindo, com que roupa, com quem. Continuo achando que jornalismo de entretenimento é igual a outro qualquer, precisa de tanto trabalho e apuração quanto”.
Carvalho, que começou em redação de telejornal e passou por vários veículos, lembrou que quando se interessou pelo jornalismo de entretenimento e celebridades sentia preconceito com ele mesmo. “Tinha medo de não ter uma boa aceitação no jornalismo”.
Depois que assumiu a função ele passou a usar o mesmo critério das pautas investigativas que baseou sua carreira: “abordar o que tem interesse para o público”. “Você não quer ser invasivo, quer respeitar a dor da família, mas muitas coisas têm o interesse do público”, falou ao mostrar imagens do velório da Hebe Camargo.
Jairzinho disse que ele e sua família nunca viveram uma vida de celebridadee e sempre se encararam como artistas. Às vezes existe uma cobrança exagerada de que ele por ser uma pessoa pública deva aceitar tudo numa boa.
“A música é minha arte. Mas não sou artista o tempo inteiro, não estou criando o tempo inteiro. Em eventos até posso ir como artista, mas muitas vezes estou na fila do banco ou no supermercado comprando algo para minhas filhas. Ali não sou artista”, explica.
Para ele, o limite é o bom senso, seja do artista de evitar brigar num lugar público e do fotógrafo de não expor sua família. Tanto que a situação que mais o chateou foi quando publicaram uma foto da mulher – a atriz Tânia Kalil – e das filhas no shopping, sendo que uma das meninas estava com o uniforme escolar.
Já Fabíola, dona de um dos blogs mais acessados e polêmicos do país, disse que seu trabalho é mostrar o lado B das celebridades, o que acontece nos bastidores. “Os famosos não gostam de mim porque eu não faço jornalismo puxa-saco. Eu mostro o podre, o que acontece na vida de qualquer um e que o público gosta de ver”
A jornalista contou um pouco de sua rotina em que recebe muitas informações de anônimos (às quais não publica), que as maiores reclamações parte dos fãs dos famosos citados em seus posts e que recebe muitos processos. “Os famosos se sentem ofendidos, acham que só pode publicar o que é bom para eles. [...] Só me arrependo do que não publiquei”, critica.
Vida pessoal nas manchetes
Ao falar do caso do humorista Marcelo Adnet, casado com Dani Calabresa, que foi flagrado recentemente beijando uma menina no Rio de Janeiro, Fabíola e Carvalho defendem o fotógrafo que fez as polêmicas imagens.
“Ele é casado, todo mundo sabe, e vai beijar outra? Se o Adnet não tem respeito pela mulher dele, por que o fotógrafo, que está fazendo o trabalho dele, vai ter? Claro que a gente não quer ver ela exposta dessa forma, mas ele [Adnet] deveria ter tido mais respeito”, disse Fabíola.
“Eu faria a foto também. Se eu acredito na foto eu não vou por em risco o meu trabalho. Se vai ser publicado a decisão não é minha. Eu procuro só não fazer a foto que vai me dar margem para processo. Já me ofereceram fazer foto de artista dentro de hotel, mas não vou me comprometer”, completou.
Jairzinho também comentou um episódio recente, mas bem mais pessoal, a morte de seu pai, o cantor Jair Rodrigues. Segundo ele, a imprensa que compareceu ao velório e enterro fez o seu trabalho de forma respeitosa.
“Para mim não pareceu uma invasão, ma sparte da cobertura jornalística, era uma personalidade muito querida. Havia jornalistas do Brasil inteiro e de fora do país. E nenhum veículo chegou de forma agressiva ou desrespeitosa”, disse.
Sobre o mídia.JOR
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