Liga de Camponeses de Rondônia acusa IstoÉ de receber dinheiro para publicar reportagem

Liga de Camponeses de Rondônia acusa IstoÉ de receber dinheiro para publicar reportagem

Atualizado em 28/03/2008 às 17:03, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

Liga de Camponeses de Rondônia acusa IstoÉ de receber dinheiro para publicar reportagem

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A Liga dos Camponeses Pobres em Rondônia (LCP) distribuiu à imprensa nesta sexta-feira (28) uma nota de repúdio contra a reportagem "O Brasil tem guerrilha", publicada na revista IstoÉ desta semana.

O jornalista Alan Rodrigues entrou na base da LCP no distrito de Jacinópolis, a 450 quilômetros de Porto Velho, para mostrar a questão do conflito agrário no país, e apurou que, apenas em 2007, as operações do grupo - que hoje controla 500 mil hectares - mataram 22 pessoas.

Segundo um relatório confidencial da polícia de Rondônia - que a IstoÉ teve acesso - encaminhado em dezembro passado à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ao Exército e ao Ministério da Reforma Agrária, o grupo armado é financiado por madeireiros ilegais.

Também foi mostrado que as dificuldades que a Polícia enfrenta lá: somente duas lideranças da LCP enfrentaram a prisão por causa de assassinatos, e os militantes do LCP já teriam até exigido a saída do delegado de Buritis e dos titulares do Ministério Público e da Justiça.

O comunicado distribuído pela Liga, por e-mail, repudia a matéria da IstoÉ , que apresenta os latifundiários "bandidos, assassinos, escravocratas, grileiros e os principais responsáveis pela destruição das florestas de nossa região, como se fossem dóceis velhinhos bem intencionados, que pretendem trazer o progresso para Rondônia, e que são impedidos, ameaçados e aterrorizados por camponeses maus".

A Liga ainda acusa a revista de ter recebido dinheiro dos latifundiários pela publicação da matéria: "repudiamos este tipo de matéria paga, que têm o único e exclusivo objetivo de dar repercussão nacional e servir de justificativa para sórdidas campanhas repressivas, com direito a torturas e assassinatos de camponeses pobres".

Rodrigues afirmou, em entrevista ao Portal IMPRENSA, que eles teriam que provar a acusação de que a matéria foi financiada por latifundiários. "Nossos advogados estão estudando o caso, mas como a Liga é ilegal, um grupo clandestino, não temos nem quem processar". Segundo ele, há documentos comprovando todas as afirmações da reportagem. "Eu me sustento em documentos e depoimentos. Fica o discurso raivoso deles contra os meus documentos".

A revista é acusada pelos camponeses de ter "armado" uma foto em que um jagunço aparece com uma legenda falando sobre a guerrilha, quando na verdade ela é pistoleiro do latifúndio, e de ter feito fotos de jagunços ao lado de cadáveres, para que os leitores os reconheçam como os responsáveis pelos assassinatos. Na nota, ainda escrevem: "canalhice também tem limite, Sr. Alan Rodrigues!". O repórter afirmou que essas ameaças contra ele não vão intimidá-lo.