Liga de Camponeses de Rondônia acusa IstoÉ de receber dinheiro para publicar reportagem
Liga de Camponeses de Rondônia acusa IstoÉ de receber dinheiro para publicar reportagem
Liga de Camponeses de Rondônia acusa IstoÉ de receber dinheiro para publicar reportagem
PorA Liga dos Camponeses Pobres em Rondônia (LCP) distribuiu à imprensa nesta sexta-feira (28) uma nota de repúdio contra a reportagem "O Brasil tem guerrilha", publicada na revista IstoÉ desta semana.
O jornalista Alan Rodrigues entrou na base da LCP no distrito de Jacinópolis, a 450 quilômetros de Porto Velho, para mostrar a questão do conflito agrário no país, e apurou que, apenas em 2007, as operações do grupo - que hoje controla 500 mil hectares - mataram 22 pessoas.
Segundo um relatório confidencial da polícia de Rondônia - que a IstoÉ teve acesso - encaminhado em dezembro passado à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ao Exército e ao Ministério da Reforma Agrária, o grupo armado é financiado por madeireiros ilegais.
Também foi mostrado que as dificuldades que a Polícia enfrenta lá: somente duas lideranças da LCP enfrentaram a prisão por causa de assassinatos, e os militantes do LCP já teriam até exigido a saída do delegado de Buritis e dos titulares do Ministério Público e da Justiça.
O comunicado distribuído pela Liga, por e-mail, repudia a matéria da IstoÉ , que apresenta os latifundiários "bandidos, assassinos, escravocratas, grileiros e os principais responsáveis pela destruição das florestas de nossa região, como se fossem dóceis velhinhos bem intencionados, que pretendem trazer o progresso para Rondônia, e que são impedidos, ameaçados e aterrorizados por camponeses maus".
A Liga ainda acusa a revista de ter recebido dinheiro dos latifundiários pela publicação da matéria: "repudiamos este tipo de matéria paga, que têm o único e exclusivo objetivo de dar repercussão nacional e servir de justificativa para sórdidas campanhas repressivas, com direito a torturas e assassinatos de camponeses pobres".
Rodrigues afirmou, em entrevista ao Portal IMPRENSA, que eles teriam que provar a acusação de que a matéria foi financiada por latifundiários. "Nossos advogados estão estudando o caso, mas como a Liga é ilegal, um grupo clandestino, não temos nem quem processar". Segundo ele, há documentos comprovando todas as afirmações da reportagem. "Eu me sustento em documentos e depoimentos. Fica o discurso raivoso deles contra os meus documentos".
A revista é acusada pelos camponeses de ter "armado" uma foto em que um jagunço aparece com uma legenda falando sobre a guerrilha, quando na verdade ela é pistoleiro do latifúndio, e de ter feito fotos de jagunços ao lado de cadáveres, para que os leitores os reconheçam como os responsáveis pelos assassinatos. Na nota, ainda escrevem: "canalhice também tem limite, Sr. Alan Rodrigues!". O repórter afirmou que essas ameaças contra ele não vão intimidá-lo.






