“Liberdade de imprensa não é direito absoluto”, afirma advogado que censurou jornal do PR

O advogado Fajardo José Pereira Faria, autor da ação judicial que resultou na sentença que obriga a Gazeta do Povo a não mais publ

Atualizado em 29/08/2013 às 09:08, por Redação Portal IMPRENSA.

O advogado Fajardo José Pereira Faria, autor da ação judicial que resultou na sentença que obriga a Gazeta do Povo a não mais publicar e a retirar do ar reportagens sobre as investigações contra o desembargador Clayton Camargo, presidente do Tribunal de Justiça do Paraná, afirmou que “é uma bobagem acreditar que direito à liberdade de imprensa é direito absoluto”.
Crédito:Reprodução Advogado do juiz defendeu censura de matérias do jornal do PR
De acordo com o UOL, o advogado é presidente do TJ-PR desde fevereiro. Em abril, surgiu a informação de que era investigado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por suspeita de venda de sentenças, denunciada pouco antes em matéria da Gazeta do Povo.

Faria, promotor aposentado do MPE (Ministério Público Estadual), não vê censura à imprensa na sentença de seu cliente. "Não é censura. A decisão é decorrência da irresponsabilidade de quem deveria preservar pelo direito de expressão de sua mídia. Quando abusa de um direito, o joga na lata do lixo", disse.
A ANJ (Associação Nacional de Jornais) qualificou a ação como uma "afronta ao direito dos cidadãos de serem livremente informados". A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo) disse que este é "novo episódio de censura judicial". A Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná também criticou a decisão.
O advogado que representa Clayton Camargo atribuiu as matérias a um "sentimento de vingança de familiares de um dos diretores da Gazeta do Povo por decisões que o presidente tomou quando era integrante da 12ª Câmara Cível [que trata de assuntos de família]".
A Gazeta do Povo respondeu, em nota, que lamenta e se mantém preocupada com a postura do presidente do Tribunal de Justiça do Paraná. O jornal assegura que seguiram todos os padrões éticos e jornalísticos e que visam o interesse público.
O Sindicato dos Jornalistas do Paraná republicou as matérias que o jornal teve de retirar do ar. "O sindicato orienta a categoria a copiar e publicar os conteúdos em redes sociais e blogs para evitar nova censura", diz texto.