“Liberdade de expressão não é negociável”, diz diretor do R7 em debate sobre opinião na web

O direito à liberdade de expressão, a cultura de ódio na internet e os possíveis limites para se expressar conduziram o painel “A opinião naera do anonimato digital”, nesta terça-feira (18/11), durante o seminário internacional de comunicação mídia.

Atualizado em 18/11/2014 às 17:11, por Danubia Paraizo.

JOR.
Crédito:Danúbia Paraizo Debate falou sobre anonimato nas redes sociais
No evento participaram André Forastieri, diretor de novos negócios do portal R7, o músico e escritor Lobão e o jornalista Matheus Pichonelli, do Yahoo! Brasil. Os painelistas discutiram principalmente sobre a polaridade protagonizada pelos candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) que foi levada também para a internet entre os internautas de direita e esquerda. Na visão dos profissionais, as discussões beiravam as brigas de torcidas de futebol.
“Minha impressão é que o Brasil tenta evitar o conflito. Vejo com felicidade o aumento dos debates”, destaca Forastieri, que saiu em defesa da liberdade de expressão irrestrita. “Começou uma discussão perigosa na internet sobre o que é aceitável dizer. O que pode ser considerado crime de ódio, mas liberdade de expressão não é negociável”.
Para Pichonelli, não há uma barreira clara entre quem produz opinião e a notícia e quem a recebe. Ainda assim, a liberdade de expressão é indiscutível, apesar de ser diferente o conflito da agressividade. “O que não pode é virar manifestações racistas, anti-Nordeste como vimos nas eleições. A gente precisa sair dessa fase da adolescência”, disse o jornalista. “Alcançamos um nível de liberdade a ponto de a pessoa sair na rua pedindo o cerceamento da sua própria liberdade com a intervenção militar. Algumas pessoas chamariam isso de síndrome de Estocolmo”.
Segundo Forastieri, o conflito é neurótico mesmo, é impossível de controlá-lo. “As pessoas dizem essas coisas na internet porque elas se sentem na casa delas”, defendeu o jornalista. Para Lobão, um dos responsáveis pela agressividade dos internautas é a própria essência do brasileiro. “O Brasil tem essa coisa macunaímica, sonsa, passiva, preguiçosa, e ao mesmo tempo produzimos 50 mil assassinatos por ano. E temos a espinha dorsal que é o futebol. Unimos essa mistura da agressividade com a passividade. A gente pegou o pior dos dois mundos”.
Outro assunto discutido foram as recentes manifestações em São Paulo pelo pedido de impeachment da presidente Dilma, movimento que teve participação de Lobão. O músico foi criticado nas redes sociais por ter abandonado o protesto após os presentes pedirem a intervenção militar. “O problema é que o outro lado está sempre certo e o outro errado. Assim não há mudança”, defendeu o cantor. “Se transformarmos a democracia em regime militar você vai transformar o PT em vítima por mais 50 anos”, argumentou.
“O Brasil está entediado. Quanto mais jovem, maior o tédio. Os conteúdistas e os jornalistas têm um público enorme desejoso de informação e enfrentamento. Isso não significa ataque gratuito, mas com embasamento”, finalizou Forastieri.