Liberdade de expressão não é escudo para falta de bom senso

Liberdade de expressão não é escudo para falta de bom senso

Atualizado em 09/11/2010 às 16:11, por Thaís Naldoni.

Na semana passada, as ofensas da estudante de Direito Mayara Petruso aos nordestinos, feitas pelo Twitter, ocuparam os Trending Topics não só na rede de microblogs, mas nos papos informais de botequim, nas filas de banco, se estendendo às análises de especialistas, psicólogos, advogados e jornalistas. E, mais uma vez, veio à tona o debate sobre os limites da liberdade na internet.
A web, embora seja um espaço aberto, não se configura como uma área anárquica. No ambiente virtual, assim como no real, estamos submetidos às leis em vigor, e respondemos por nossas atitudes tal e qual acontece no mundo offline.
Pela Constituição Federal, todo brasileiro tem a liberdade de expressão como um direito fundamental. No entanto, há quem se esconda atrás deste preceito para ofender e prejulgar toda e qualquer pessoa que tenha pensamentos distintos aos seus. Qualquer pessoa que navega na internet, assiste TV, lê jornais ou ouve rádio pode conferir a enxurrada de desrespeito vinda de todos os lados, durante a campanha eleitoral, por exemplo. E, óbvio, inúmeras ações judiciais, que chegaram a culminar até mesmo em direito de resposta de 140 caracteres, no Twitter.
Perguntei a diversos leitores sobre como separar, nas redes sociais, a pessoa física do profissional, atrelado a uma empresa. Se isso seria possível. A maior parte das respostas que tive foi direcionada à impossibilidade desta divisão. No caso de Mayara, isso ficou claro quando a estudante perdeu seu estágio em um renomado escritório da advocacia. Ainda que a direção do escritório tenha dito que a demissão nada teria a ver com o episódio, fica bem claro o contrário, quando observado que a dispensa aconteceu logo após a repercussão do gesto da jovem na rede de microblogs.
Mais uma vez, chego à conclusão de que na web, como na vida, tudo é questão de bom senso. As regras podem até ser mais flexíveis em um mundo virtual, mas a longevidade das atitudes também é. Se no mundo offline, mudar de escola, bairro, cidade ou país pode afastar o indivíduo de uma história passada, no online apagar o blog, as contas de Twitter, Facebook, Orkut, entre outros, não garante o fim da história. Vide o Google e as páginas armazenadas "em cache". Até segunda ordem, a internet é para sempre.