"Liberdade de expressão é muito cara no Brasil", diz jornalista Fábio Pannunzio
Na última quarta-feira (26/9), o jornalista Fábio Pannunzio, repórter da Band, encerrou seu Blog do Pannunzio após perder em primeira instância uma ação judicial e ter mais prejuízos para se defender.
Leia também
-
-
-
Crédito:Reprodução Jornalista encerra blog após nova ação judicial contra texto de sua autoria
Obrigado pela Justiça a retirar um post do ar e com novos custos para arcar, analisou e decidiu interromper a atividade. "Este é o último post do Blog do Pannunzio. Escrevo depois de semanas de reflexão e com a alma arrasada — especialmente porque ele representa um vitória dos que se insurgem contra a liberdade de opinião e informação", assim começa seu relato. Leia a íntegra .
"No Brasil, para você exercer totalmente seu direito constitucional, precisa ter estrutura, do contrário, vai morrer na praia", disse. Pannunzio lamenta que seja preciso pagar tão caro por levar informações para a população e por "denunciar esses malfeitores". "É uma amargura vê-lo [blog] morrer", afirmou.
O jornalista não está muito otimista com as mudanças que possam ocorrer na legislação brasileira. Para ele, a questão da censura judicial ainda é parte "da nossa cultura". "O país só vai mudar e amadurecer na medida em que a crítica for considerada positiva e parte do debate", finalizou.
No ar desde 2009, o blog contém quase oito mil textos. O jornalista explicou que seu objetivo era manter um espaço de manifestação pessoal e de reflexão política. "Jamais aceitei oferta de patrocínio e o mantive exclusivamente às expensas do meu salário de repórter por achar que compromissos comerciais poderiam compuscar sua essência", escreveu.
Antes do blog, o jornalista enfrentou apenas um processo judicial em três décadas de carreira - e ganhou. Desde o início do blog, ele recebeu uma "enxurrada" de processos. Entre os autores das ações estão o deputado estadual matogrossense José Geraldo Riva, "o maior ficha-suja do País"; uma quadrilha paranaense de traficantes de trabalhadores que censurou o blog no fim de 2009; e o secretário de segurança de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, "cuja orientação equivocada" transformou "a Rota naquilo que ela era nos tempos bicudos de Paulo Maluf".
Ferreira Pinto, inclusive, é o autor do processo que motivou o encerramento do blog. O jornalista recebeu do escritório de advocacia que o representa o comunicando da decisão liminar de primeiro grau para retirada do ar do post “A indolência de Alckmin e o caos na segurança pública”.
De acordo com Pannunzio, o texto contém uma "crítica dura e assertiva" sobre os desvios da política do atual secretário e pelo governador, mas sem "afirmações caluniosas, injuriosas ou difamatórias".
O jornalista explica que retirou o conteúdo do ar por respeitar a decisão, mas que irá discuti-la em juízo. O espaço e acervo continuarão disponíveis. Eventualmente, pode voltar a "dar pitacos", mas a produção sistemática de textos está encerrada. "Espero voltar ao blog, quando perceber que o País está maduro a ponto de não confundir críticas políticas com delitos de opinião", escreveu.





