Leia os melhores trechos da entrevista com Pedro Bial
Leia os melhores trechos da entrevista com Pedro Bial
fotos: Sergio Huoliver
Pedro Bial é um só. Seus panos de fundo, muitos. Pode ser a queda do Muro de Berlim, um programa de literatura, o "Fantástico" aos domingos, a biografia de Roberto Marinho, um filme ou o "Big Brother Brasil" . É como se, em todo o caminho, houvesse um Pedro. Não como um estorvo, como nos versos de Drummond, mas como uma ponte a ligar mundos e universos tão distintos, como o jornalismo internacional, a cultura e o mais puro entretenimento. Se a onipresença Pedro é hoje, por ele, um fenômeno natural, em 1997, quando
foi entrevistado, pela primeira vez, por IMPRENSA, sua vida era uma aflição sem fim. Fumava e trabalhava compulsivamente, tomava remédio para dormir, corria de uma coisa a outra, saltava de um caminho a outro. Queria, enfim, provar que era mais que um simples apresentador do "Fantástico". O desembarque no horário nobre dos domingos aconteceu depois de uma temporada de oito anos em Londres, onde morava e de onde partia para cobrir os eventos que marcaram o século na Europa, como a queda do Muro de Berlim e o fim do comunismo na Polônia. "Eu não tinha entendido muito bem porque tinha ido apresentar o 'Fantástico' ", confessa. E conclui: "Cheguei perto da autoflagelação".
IMPRENSA - Em 1997, quando foi publicada sua primeira entrevista em IMPRENSA, pouco depois de voltar de Londres cheio de prestígio e assumir o "Fantástico" , você morava em um apartamento alugado no Leblon, embora ganhasse bem. E reclamava que não tinha tempo para o ócio. O que mudou na sua vida?
Bial - Ainda moro em casa alugada e não tenho patrimônio. Fiz uma aventura cinematográfica, que foi dirigir e produzir um filme [ Outras Histórias , lançado em 1999]. Perdi tudo que tinha economizado. Tive que começar do zero e não estou muito longe disso ainda.
IMPRENSA - E o ócio?
Bial - Estou cada vez mais investindo em dias "inúteis". Estamos montando um esquema de rodízio no "Fantástico" , em que só um fica de plantão no fim de semana. Em 1997, na época da entrevista para IMPRENSA, minha vida era uma aflição só. Eu saía correndo de uma coisa para outra, tinha uma ânsia enorme de realizar. Hoje percebo que aquilo fez parte de um certo quadro de volta ao Brasil, onde eu queria estar presente em tudo. Não tinha entendido muito bem porque tinha ido apresentar o "Fantástico". Queria mostrar que eu era mais que aquilo. Houve algum processo psicológico que me fez quase chegar a autoflagelação. Aí, eu entrei em psicanálise, tive problemas de depressão. Tive um estresse que chegou a tal ponto, que tive problemas no joelho. Fui ao hospital me consultar com meu amigo, Dr.Campos da Paz. Fiz uma batelada de exames. Ele me disse que eu estava com quadro de depressão. Fiquei tomando anti-depressivo durante anos. Percebi que mais importante do que tentar se afirmar fazendo um monte de coisas é fazer bem o seu trabalho. Hoje sou um cara muito caseiro.
IMPRENSA - Até que ponto você concorda que 'notícia é entretenimento'?
Bial - Notícia é uma coisa, entretenimento é outra. Acredito que esses programas sensacionalistas, como o " Aqui e Agora " e cia, estão na categoria dos programas que têm vida curta. O sensacionalismo tem vida curta e isso vem sendo provado a cada nova tentativa.
IMPRENSA - Durante a Copa do Mundo de 1998, a imprensa de celebridades espalhou que você estaria tendo um caso com a Susana Werner, então esposa do Ronaldo. Chegaram a dizer que ele jogou mal na partida contra a França por sua causa. Você pensou em processar alguém? Como encarou esse episódio?
Bial - O boato é um negócio terrível. Você não tem como lutar contra ele. Não há como plantar um contra-boato. Se você vai a público negar, só fortalece a lógica do boato. É uma impotência e uma raiva enorme. Já passei por várias situações na minha vida mais ou menos trágicas, mas, de praticamente todas elas, hoje eu consigo rir. Contudo, se tem uma coisa que eu, até hoje, não consigo achar graça é a história desse boato da Susana Werner. Foi escroto, malicioso, descabido.
IMPRENSA - Como surgiu essa história?
Bial - Tenho desconfiança de alguns nomes, inclusive de coleguinhas bem próximos. Mas seria leviano dizer. Também parei de querer saber. Me senti ultrajado como pessoa, como brasileiro. Todo mundo no Brasil começou a repercutir isso, principalmente as rádios. Eu não tinha como, nem a quem processar. Só se eu processasse todo mundo, mas seria covardia.
IMPRENSA - Você chegou a conversar com o Ronaldinho sobre isso?
Bial - Soube disso pelo Ademário Touguinho, que me chamou durante um treino da seleção e falou da história. No mesmo treino, pedi um tempo com o Ronaldo para conversar. Ele já estava sabendo de tudo. Eu conhecia o Ronaldo desde 1994, na outra Copa. Já esclareci de cara com quem interessava e, depois, com a própria Susana. Ela trabalhava junto comigo, cobrindo pela Globo. Em vários jogos, fiquei do lado dela e isso fortaleceu a teoria do boato. Eu ia com aquela traquitana toda - retorno de áudio, fone de ouvido, microfone sem fio - para que ela entrasse ao vivo, já que ela não sabia como coordenar e nem tinha como carregar aquilo tudo. Como a TV francesa, além da Globo, dava takes da namorada do Ronaldinho vendo o jogo, eu aparecia muito do lado dela.
IMPRENSA - E por falar em fofoca: é verdade que você e a Glória Maria brigaram e não se falam?
Bial - Eu tive que me ausentar do "Fantástico" para escrever o livro do Roberto Marinho e começaram com essa história. Não tem nada a ver.
IMPRENSA - Você é sindicalizado?
Bial - Não me sinto representado pelo Sindicato, mas também não fico nessa de rebeldia inconseqüente.
IMPRENSA - Com que veículos você costuma se informar?
Bial - Aos poucos, estou criando o hábito de ler a Época , mas ainda prefiro a Veja . Eu também gosto da IstoÉ Dinheiro , mas não da Istoé Gente . A Carta Capital é pouco confiável. Depois que publicou umas bobagens atrozes, eu parei de ler e das revistas internacionais, como The Economist . Elas são brilhantes. Na TV paga, gosto muito do Sem Fronteiras , da Globo News. Assino O Globo e Estadão . O Globo tem a melhor primeira página do Brasil. E o Estadão tem um texto muito bem escrito. Além disso, me afino com as posições do jornal. Já para a Folha falta equilíbrio. Eles têm uma pegada muito boa, mas um jornal não vive só de destruir. O Evandro Carlos de Andrade usava uma expressão que define bem a Folha : "Um jornal que aposta no fracasso".
IMPRENSA - De onde vem essa história que a Folha faz campanha contra o Grupo Globo?
Bial - Isso é declarado. Já li entrevistas dos proprietários da Folha, dizendo que fazem uma campanha contra a Globo. Isso é até justificável, já que a Globo detém uma fatia muito grande do orçamento publicitário que existe no Brasil e eles estão brigando nesse mercado. Só que isso tira legitimidade e isenção da Folha na hora de criticar a Globo.
Leia entrevista completa na edição de Junho da revista Imprensa






