Lei autoral de 98 dificulta produção de conteúdo na internet, avalia especialista em direito digital
Lei autoral de 98 dificulta produção de conteúdo na internet, avalia especialista em direito digital
Segundo a especialista em direito digital, Dra. Patrícia Peck Pinheiro, 2011 é o ano adequado para discutir direitos autorais na internet. Isso porque, o Ministério da Cultura publicou no último dia 23 de março um texto que prevê a reforma da Lei de Direitos Autorais, criada em 1998.
Patrícia discutiu o assunto nesta quarta-feira (06), em evento realizado pela Fundação Bunge, na capital paulista. Ao Portal IMPRENSA, a advogada aponta que as discussões em torno do assunto vão contribuir para reformar, atualizar e ampliar a lei de direitos autorais que atualmente não dá conta de todas as demandas da internet.
Para a especialista, apesar de a legislação contemplar aspectos importantes, ela está defasada e inviabiliza a prática digital. "É necessária a discussão dos formatos. Por exemplo, na rede social em que você utiliza 140 caracteres muitas vezes a pessoa vai publicar o melhor trecho de uma obra, isso é positivo do ponto de vista de divulgação, mas muitas vezes acaba sendo considerado crime e isso deve ser revisado", aponta.
Alerta da ANJ
A discussão também é latente no conteúdo jornalístico. Nesta quarta-feira (06), a Associação dos Jornais (ANJ) recomendou a seus associados que fiquem atentos quanto à utilização de seus conteúdos em sites agregadores de notícias.
Patrícia afirma que a ANJ está dentro da lei quando o assunto é a reprodução integral sem autorização, o que é comum na internet. "É importante ressaltar que o fato noticioso em si é público. Mas um conteúdo produzido, uma entrevista feita ou um texto autoral reproduzido sem autorização é ilegal e a ANJ tem respaldo da lei para indiciar quem se apropria indevidamente [de conteúdos]", afirma.
De acordo com decisão da ANJ, a iniciativa tem como objetivo fiscalizar sites que obtenham lucro com notícias copiadas, mas não atinge blogs ou redes sociais. O diretor executivo da ANJ, Ricardo Pedreira, defende a posição afirmando que os conteúdos copiados são de empresas que investiram na produção.
No procedimento indicado pela ANJ, a notificação pode ser por reprodução ilegal de textos, fotos e ilustrações e o site tem 48 horas para retirar o conteúdo depois que foi informado. Segundo a ANJ, se não houver um acordo, o caso pode ir para a Justiça.
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