Lançamentos

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Atualizado em 17/11/2004 às 18:11, por Julia Marinho / Gerência de Comunicação Grupo Editorial Record.

Por Nova pagina 1

Com no Rio e em São Paulo, e a presença de Ruy Castro falando do autor e sua obra nos dois eventos, Lapa e Noturno da Lapa, de Luis Martins, mostram os dois lados do mais boêmio dos bairros cariocas


O escritor Luís Martins ficou conhecido por celebrar a Lapa, bairro onde está concentrado o espírito da malandragem boa-praça que sempre caracterizou o povo do Rio de Janeiro. Apesar de ter sido uma importante testemunha daquelas noites de glória, Martins procurou mostrar um outro lado do bairro em seu romance de estréia. O polêmico Lapa , publicado pela primeira vez em 1936 e há muito merecedora de uma nova edição, enfatiza a dor e a miséria que povoavam os bastidores do prazer.

Originalmente batizado de Prostituição (tendo, por sugestão do baiano Jorge Amando, seu nome modificado pouco antes do lançamento), Lapa narra as andanças solitárias do jovem estudante Paulo Braga pelas vielas sujas e sombrias da cidade. Como o escritor e jornalista Ruy Castro, "lapiano de coração", afirma na introdução desta nova edição, é quase como se Luís Martins estivesse tendo uma "premonição da decadência que afligiria o bairro no futuro próximo". Relacionando-se basicamente com prostitutas - Lias, Rosinhas, Giselles, Cecílias, Odettes e Honorinas - e cafetinas, Paulo acompanha a assustadora transformação do sexo em moléstia e do amor em morte.

Mas todos esses avisos não bastaram para poupar Luís de problemas. Seu trabalho foi qualificado por muitos como imoral e subversivo, fato que o levou - com sua linguagem seca e pesada - às mãos controladoras do Estado Novo do então presidente Getúlio Vargas. Isso fez com que Martins fosse acusado de ser um agente do comunismo internacional, o que culminou com sua exoneração do serviço público e uma posterior ordem de prisão. Como se não fosse o suficiente, boa parte da tiragem do livro foi apreendida e incinerada pelo governo.

Escrito em 1964, o livro de memórias Noturno da Lapa fez com que o carioca Luís Martins retornasse ao cenário que o consagrou. Com o lançamento do polêmico Lapa, na segunda metade da década de 1930, o escritor passou a ser chamado de "o cronista da Lapa". Porém, ao contrário de seu sombrio romance de estréia, Noturno da Lapa mostra o lugar de forma quase imaculada. Martins, na época já beirando os 60 anos e fixado na cidade de São Paulo, realizou uma emocionante e sincera jornada através de seu passado e conseguiu transportar para o papel todas as lembranças de sua juventude lapiana.

No livro, a prostituição e a violência que deram fama ao bairro são absolutamente secundárias. A Lapa das lembranças de Luís Martins é aquela do espírito de grupo, da sociabilidade e da boemia coletiva. É o ponto de encontro de uma juventude "intoxicada de literatura" que, em noites de angustias líricas e exaltações poéticas, compartilhava ansiedades e devaneios na mesa de um bar - fosse o Taberna da Glória, o 49 ou o Túnel da Lapa. Em um dos capítulos, Martins escreve: "Não éramos pederastas. Não éramos playboys. Não éramos jovens transviados. Éramos apenas jovens - e todos mais ou menos poetas..."

Noites de

O escritor Ruy Castro, autor da apresentação de Lapa, estará presente nos dois eventos,
falando sobre Luis Martins e sua obra.

Rio de Janeiro São Paulo

Dia 22 de novembro de 2004, às 20h Dia 1º de dezembro de 2004, às 20h
Livraria Al-Farabi Livraria da Vila
Rua do Rosário 30, Centro Rua Fradique Coutinho 915, Vila Madalena
Tel.: 21 2233-0879 Tel.: 11 3814-5811

Apresentação do grupo Anjos da Lua, Apresentação da pianista Dudáh Lopes
com Eduardo Galloti

Sobre o autor

Luís Martins nasceu no bairro carioca de São Cristóvão, em 1907. No começo dos anos 30, estreou como cronista dos periódicos O Jornal e Diário Carioca e de revistas como Paratodos, Rio-Magazine, Carioca e Vamos Ler. Ingressou, em 1929, na Academia Carioca de Letras e, em 1969, na Academia Paulista de Letras. Na década seguinte, apaixonou-se pela artista plástica Tarsila do Amaral - mais de vinte anos mais velha - e foi com ela morar em São Paulo. A partir de então, por mais de 30 anos, publicou suas crônicas no jornal O Estado de S. Paulo., quando ficou conhecido como LM. Foi romancista, poeta, escreveu ensaios, biografias, memórias, foi de crítico de arte e, por algum tempo, um dos diretores do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Ficou conhecido como "o cronista que adotou São Paulo". Escreveu três livros ambientados no bairro boêmio da Lapa: A terra come tudo, Lapa e Noturno da Lapa - os dois últimos relançados pela José Olympio.

Sobre os livros

Desde seu lançamento, em 1936, Lapa jamais ganhou uma segunda edição, e retorna às livrarias ao lado de outra grande obra do escritor - o livro de memórias Noturno da Lapa (Prêmio Jabuti de 1965), editado em 1964 e que entra apenas em terceira edição. Ambos ganharam projeto gráfico cuidadoso, com capas ilustradas por xilogravuras de Di Cavalcanti.

Na embalagem que acondiciona os dois livros de Luís Martins, o leitor encontrará ainda um CD, com clássicos exaltando o bairro e a alma do lugar que sempre fascinou o escritor. Com seis faixas, o CD traz "A Lapa" (Herivelto Martins e Benedito Lacerda, 1933), cantada por Francisco Alves; " Dama do cabaret" (Noel Rosa, 1936), por Orlando Silva; "Camisa amarela" (Ary Barroso, 1939), interpretada por Aracy de Almeida; "Largo da Lapa" (Marino Pinto e Wilson Batista, 1940), na voz de Carlos Galhardo; "Baiana da Lapa" (Nilo Vianna, 1963), por Moreira da Silva; e "Seu condutor" (Alvarenga/ Ranchinho/ Herivelto Martins, 1937), na voz da dupla Alvarenga e Ranchinho.

Livro: Lapa Livro: Noturno da Lapa
176 páginas 288 páginas
ISBN 85-03-00826-2 ISBN: 85-03-00827-0
Código: 9788503008266 Código: 9788503008273
13,76x18cm 13,76x18cm
Preço do conjunto: R$ 55