Lançada pela Secom sem licitação, campanha Brasil não pode parar é alvo de críticas
Após o pronunciamento de Bolsonaro na noite de terça (24) contrariando as recomendações de combate ao novo coronavírus, nesta sexta (27) o governo federal lançou via Secom a campanha "O Brasil não pode parar", na qual reforça as críticas do presidente contra o isolamento social.
Atualizado em 27/03/2020 às 14:03, por
Redação Portal IMPRENSA.
Contrariando a Organização Mundial de Saúde (OMS), a campanha defende que apenas idosos e pessoas com doenças pré-existentes devem ficar em casa e alega que o fim do confinamento é necessário para a retomada econômica. Crédito: Reprodução
As críticas à campanha não tardaram a surgir. Os parlamentares do Movimento Acredito, que inclui os deputados federais Tabata Amaral e Felipe Rigoni, além do senador Alessandro Vieira, anunciaram na tarde desta sexta que vão ao STF solicitar a suspensão imediata da campanha.
"Nós não podemos deixar que esse grave e irresponsável erro seja cometido", diz a nota do movimento.
Por sua vez, a bancada do PSOL na Câmara dos Deputados pediu ao procurador-geral da República, Augustos Aras, que instaure inquérito civil ou criminal para investigar a campanha do governo contra o fim do isolamento.
De acordo com o jornalista Guilherme Amado, da revista Época, a campanha publicitária "O Brasil não pode parar" vai custar R$ 4,8 milhões e foi feita sem licitação pela Secom.
Na redes sociais, vários jornalistas compararam a campanha à feita pela prefeitura de Milão, um mês atrás, com o mesmo mote. Hoje a cidade se tornou a terceira mais atingida pelo coronavírus, com 4 mil mortos. Somente nesta sexta, a Itália teve mais de 900 mortes provocadas pela doença, recorde mundial até o momento.
Ex-ministro da saúde, o deputado federal Alexandre Padilha anunciou que vai denunciar Bolsonaro e a Secom no Tribunal de Contas da União (TCU)
Por ocasião do discurso do dia 24 Bolsonaro, em que Bolsonaro criticou o fechamento de escolas e comércio para combater o surto, além de ter culpado a imprensa e governadores pelo que chamou de "clima de histeria", o Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (Cadhu) e a Coalizão Negra por Direitos apresentaram à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma notícia-crime contra Bolsonaro.





