Justiça venezuelana proíbe diretores de sites e jornais de deixarem o país

Medida ocorre após a repercussão de relatos de supostos vínculos de Diosdado Cabello, com o narcotráfico

Atualizado em 13/05/2015 às 09:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Vinte e dois diretores de sites e jornais de oposição foram proibidos de sair do país pela Justiça na última terça-feira (12/5). A medida ocorre após a repercussão de relatos de supostos vínculos do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, com o narcotráfico.
De acordo com a Folha de S.Paulo , a informação foi divulgada no site dos jornais El Nacional e Tal Cual , dos quais os executivos foram visados pela acusação de "difamação agravada". Uma fonte do Tal Cual não identificada disse que um dos diretores, Crédito:Divulgação Manuel Puyana, diretor do Tal Cual, foi um dos notificados foi formalmente notificado da proibição.

Puyana também deve se apresentar semanalmente ao tribunal antes do início do julgamento sobre o caso, ainda sem data definida. Outro diretor da publicação está nos Estados Unidos e, por conta de decisão, não retornará ao país.
"Eles [membros do governo] estão tão sem vergonha que já tinham a proibição de sair do país pronta antes mesmo de começar o julgamento", disse o vice-presidente editorial do El Nacional, Argenis Martinez. Ele ainda não recebeu a notificação.
O cerco à imprensa teve início em janeiro, quando os executivos repercutiram em suas publicações uma reportagem do jornal espanhol ABC sobre supostos laços de Cabello com o narcotráfico. A fonte era o militar Leamsy Salazar, ex-chefe de segurança dele e homem de confiança do então presidente Hugo Chávez.
De acordo com Salazar, Cabello lidera o cartel conhecido como Los Soles, que pratica suas atividades a partir das Forças Armadas venezuelanas. Analistas questionam a existência de um cartel, mas destacam que o país não poderia ter se tornado uma plataforma de narcotráfico sem envolvimento de autoridades.
Diosdado Cabello negou as acusações. Em seu programa semanal na TV estatal, afirmou que processaria os responsáveis por repercutir a notícia. Ele exigiu abertamente que os diretores fossem impedidos de deixar a Venezuela.