Justiça retoma ação do MPF contra "Veja" por reportagem discriminatória

A 26ª Vara Cível Federal de São Paulo dará prosseguimento à ação que o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou contra a Editora Abril por danos morais coletivos pela reportagem contra minorias étnicas, publicada em maio de 2010 na revista .

Atualizado em 11/08/2015 às 09:08, por Redação Portal IMPRENSA.


Crédito:Reprodução/Acervo Veja MPF manteve ação por danos morais por reportagem sobre minorias étnicas
Segundo informação divulgada pela assessoria do MPF, o órgão propôs a ação em agosto do ano passado, quatro anos depois da publicação da reportagem “A farra da antropologia oportunista”, escrita com expressões injuriosas para criticar o processo de demarcação de reservas destinadas a grupos indígenas e quilombolas. A Procuradoria pede que a Abril pague R$ 1 milhão aos povos tradicionais do Estado de São Paulo.
A matéria caracterizava a criação de novas reservas como resultado do acordo entre ativistas que sobreviveriam dos sucessos das demarcações, agentes públicos e antropólogos. A revista dizia ter ter descoberto “uma verdadeira fauna de espertalhões”.
Ainda segundo o MPF, a reportagem "distorceu as declarações de dois renomados antropólogos que se dedicam ao estudo das questões indígenas", como o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) e ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Pereira Gomes, e o pesquisador da UFF, Eduardo Viveiros de Castro.

A procuradora da República Suzana Fairbanks Oliveira Schnitzlein, autora da ação e do recurso interposto, destacou que declarações de cunho racista e que discriminam minorias étnicas não podem ser toleradas a pretexto de liberdade de expressão e de imprensa, direito fundamental que não se confunde com “o puro e simples discurso de ódio camuflado de reportagem jornalística”.