Justiça proíbe registro de imagens em julgamento de Hildebrando Pascoal
Justiça proíbe registro de imagens em julgamento de Hildebrando Pascoal
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado Acre (Sinjac) publicou nota de repúdio à decisão do juiz Leandro Leri Gross, titular da Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco, que proíbe o registro por imagens do julgamento do "caso da motossera", em que o ex-deputado Hildebrando Pascoal é acusado de liderar uma sessão de tortura que levou à morte o mecânico Agílson Santos Firmino. Também são acusados de participação no crime Pedro Pascoal, o ex-sargento da Polícia Militar Alex Barros - irmão de Agílson - bem como seu primo, Adão Libório.
O Sinjac argumenta que o "juiz tenta desconstruir a relação de respeito da imprensa para com o Judiciário do Acre a pretexto de regulamentar o trabalho de repórters fotográficos e cinegrafistas durante a sessão de julgamento", que acontecerá no próximo dia 21 de setembro.
A portaria impede que os acusados sejam filmados ou fotografados no interior do plenário e que jornalistas usem celulares ou laptops dentro do auditório do Tribunal do Júri, medida essa que, na opinião do sindicato, "além de impedir que o debate do julgamento seja transmitido ao vivo em telão (...) dá prova de desconhecimento [por parte do magistrado] do papel desempenhado pela imprensa do Acre no esforço da sociedade para desmobilizar o crime organizado no Estado". Gravações em áudio estão liberadas.
"Nossa intenção não é proibir ou prejudicar o trabalho de ninguém, mas de preservar o direito dos acusados, testemunhas e jurados", contrargumentou Gross, segundo informa o Blog da Amazônia.
O comunicado do Sinjac ressalta que a imprensa do estado "sempre teve acesso ao Tribunal do Júri sem desrespeitar o direito de proteção de jurados e testemunhas".
Por fim, a nota, que é assinada pelo presidente da entidade, Marcos Vicentti, apela ao presidente do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Pedro Ranzi. "Esperamos que (...) faça prevalecer o bom senso em relação ao acompanhamento a Imprensa no desfecho de um crime que ainda atormenta a sociedade brasileira".
Ao Portal IMPRENSA, Vicentti contou que "sempre existiu um acordo de cavalheiros entre os juízes do estado e a imprensa". Esse compromisso, segundo ele, garantia que os presentes em julgamentos e audiências não seriam expostos de forma sensacionalista.
Na avaliação do presidente, a decisão do juiz caracteriza um retrocesso na relação da imprensa com a Justiça além de restringir o repasse de informações de interesse da população. "Ele foi infeliz na decisão, ainda mais que o assunto é de interesse público. É um caso muito conhecido", observou.
Em reunião na última segunda-feira (31) com os desembargadores Pedro Ranzi, Aldair Longine e Samuel Evangelista, a diretoria do sindicato decidiu impetrar uma representação no Conselho de Administração do Tribunal de Justiça do Acre pedindo que a portaria do juiz Leandro Gross seja suspensa.
Saiba mais sobre o caso
O mecânico Agílson Santos Firmino, conhecido como Baiano, teve partes de seu corpo amputadas com a utilização de uma motosserra por ter supostamente auxiliado na fuga de seu patrão Jorge Hugo, o "Mordido", acusado de matar Itamar Pascoal, irmão do ex-deputado. Depois de ser executado, o corpo do mecânico foi deixado em frente a uma emissora de TV.
De acordo com informações do Blog da Amazônia, para que Baiano fosse encontrado, sua mulher, Evanilda Lima de Oliveira, foi levada ao quartel da Polícia Militar do Acre, à época sob o comando do coronel Aureliano Pascoal, primo de Hildebrando. Enquanto Evanilda estava detida no quartel, os policiais Sebastião Crispim da Silva e Antonio Oliveira da Silva foram a sua casa e capturam seu filho, Wilder Firmino de Oliveira (13), que, após revelar o paradeiro do pai, foi assassinado.
Clique para ler na íntegra a nota do Sinjac
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