Justiça arquiva pedido de investigar Intercept por reportagem sobre igreja Universal

A Justiça arquivou na semana passada uma investigação movida a pedido da Igreja Universal, de Edir Macedo, para descobrir a fonte de informações de uma reportagem do Intercept Brasil publicada em 2022.

Atualizado em 19/09/2023 às 14:09, por Redação Portal IMPRENSA.


A matéria revelou documentos que indicariam possível operação de lavagem de dinheiro pela cúpula da instituição religiosa. De autoria do repórter Gilberto Nascimento, a reportagem indicava que, em cinco anos, a Universal teria teria movimentado com o esquema mais de 33 bilhões de reais.
Inicialmente o Ministério Público de São Paulo acatou pedido dos advogados da igreja para que a polícia investigasse o veículo de notícias, a fim de descobrir quem forneceu os documentos usados na reportagem. Meses atrás Gilberto Nascimento chegou a ser intimado a depor e manteve-se em silêncio diante do delegado. Crédito: Reprodução The Intercept Brasil Juiz de Ribeirão Preto acatou pedido de arquivamento de investigação feito pelo Ministério Público de São Paulo Na ação judicial, os advogados da igreja pediram a abertura de uma investigação policial alegando divulgação sem justa causa e quebra de sigilo.
Informações sigilosas

Na semana passada, porém, o promotor Reinaldo Lucas de Melo afirmou que não havia informações sigilosas no material revelado pelo Intercept e que o direito à privacidade, à intimidade e ao sigilo de dados financeiros reivindicado pelos advogados da Universal não é absoluto.
A argumentação foi acatada pelo juiz Lúcio Alberto da Silva Ferreira, da 4ª. Vara Criminal da Comarca de Ribeirão Preto.
Também autor do livro “O Reino”, sobre a Universal, o jornalista Gilberto Nascimento já foi alvo de cinco queixas-crimes movidas pela igreja. Por conta de suas investigações, a revista em que ele trabalhava, a Istoé, também já foi alvo de ações judiciais.
A Universal tem um histórico de ações contra jornalistas por todo Brasil. Um dos casos mais recentes é o do escritor J.P. Cuenca, que chegou a responder a 144 processos movidos por pastores da igreja, por ter publicado, em junho de 2020, em seu perfil no Twitter, que "o brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal".
A postagem era alusiva a uma citação atribuída ao escritor do século 18 Jean Meslier, segundo a qual "o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre".
O uso do Judiciário para intimidar Cuenca, numa suposta ação coordenada, foi investigado pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF do Rio.