Julgamento dos acusados pela morte de Luiz Carlos Barbon deve durar dois dias
Julgamento dos acusados pela morte de Luiz Carlos Barbon deve durar dois dias
Acontece na próxima quinta-feira (25), em São Paulo (SP), o julgamento de quatro réus indiciados pelo assassinato do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho.Colaborador do Jornal do Porto, Barbon foi morto a tiros no dia seis de maio de 2007, em frente a um bar no centro da cidade de Porto Ferreira, interior do Estado.
| Jornal do Porto | |
| Luiz Carlos Barbon |
O julgamento ocorre no Quinto Tribunal do Júri de São Paulo a partir das 9h. Dos cinco réus indiciados pelo assassinato do jornalista, quatro deles são policiais militares: o sargento da PM Edson Luís Ronceiro, os soldados Valnei Bertoni e Paulo César Ronceiro e o capitão Adélcio Carlos Avelino. O outro réu é o comerciante Carlos Alberto da Cosa.
Quatro dos cinco réus vão a julgamento na próxima quinta-feira. Por meio de liminar, o soldado Valnei Bertoni conseguiu adiar a data de seu júri.
Por determinação do promotor do Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (GAECO), Gaspar da Silva Júnior, os PMs estão detidos desde o dia quatro de março de 2008, no presídio Romão Romes. Já o comerciante Alberto da Costa está preso na penitenciária de Itirapina.
Em novembro de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou pedido de habeas corpus ao capitão Adélcio Avelino, mantendo-o preso até a data do julgamento.
O grupo irá a júri popular por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e formação de quadrilha. No inicio dos trabalhos de julgamento, serão escolhidos sete pessoas, entre 25, que representarão o conselho do júri, responsável por julgar o caso.
Ao Portal IMPRENSA, o promotor André Luiz Bogado, que conduzirá a acusação dos réus, disse que a expectativa é de que o julgamento dure pelo menos dois dias. O promotor confia nas provas levantadas durante o processo de investigação e acha pouco provável que os réus sejam absolvidos.
"Eu entendo que existam provas suficientes para incriminar os réus. No júri sempre existe o fator surpresa, mas temos a perícia de uma arma, encontrada na casa de um dos réus. Também existem provas testemunhais, de pessoas que presenciaram o crime, além de provas documentais", disse.
Repercussão
O caso ganhou destaque internacional, com divulgação de apelo da organização de imprensa Repórteres Sem Fronteiras (RSF), cobrando agilidade no julgamento dos responsáveis pelo assassinato.
Em janeiro deste ano, a viúva do jornalista, Kátia Camargo, entrou para o "Programa de Proteção à Testemunha", depois de receber diversas ameaças anônimas. Ela chegou a enviar uma carta para a Anistia Internacional, pedindo segurança das autoridades.
Barbon colaborava para os veículos Jornal do Porto e JC Regional e era conhecido pelas denúncias que publicava. Por causa de uma delas, sobre a participação de políticos da região em aliciamento de menores, chegou às finais do Prêmio Esso de Jornalismo de 2003.
Para o promotor, o caso não representa apenas a morte de um jornalista, mas sim uma ameaça ao Jornalismo investigativo. "Ele morreu por conta das matérias que publicava. Essas matérias incomodavam muita gente. O crime não foi contra uma pessoa, mas sim contra toda a imprensa".
Leia Mais
-






